o riachense

SŠbado,
30 de Setembro de 2023
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Carlos Paula Sim√Ķes

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Político porquê?
O que leva uma pessoa a procurar uma carreira pol√≠tica? Idealismo, ideologia, uma personalidade autorit√°ria? Ou mero oportunismo? E quanto podem os pol√≠ticos esperar influenciar os acontecimentos? Como bastas vezes se v√™, a pol√≠tica √© talvez a √ļnica profiss√£o para a qual se pensa que n√£o √© fundamental ter alguma prepara√ß√£o...
Parece-me que os aspectos de um pol√≠tico que despertam algum interesse p√ļblico praticamente n√£o t√™m a ver com a sua ideologia... o que parece interessar ao p√ļblico n√£o √© o que os pol√≠ticos dizem defender, mas sim como se comportam.
Dizer a alguém que se pretende governá-lo e que isso será do maior interesse para o governado, é algo de estranho para se dizer. Inegavelmente, a política é uma actividade peculiar que apenas a alguns desperta forte atracção. Portanto é perfeitamente racionalindagarmo-nos sobre que vai na cabeça desses poucos.
Claramente, n√£o pensam todos da mesma maneira e assumir que um pol√≠tico n√£o √©, de certa forma, diferente dos seus concidad√£os, √© cair num erro s√©rio. A alega√ß√£o de que existe uma inerente similaridade entre os pol√≠ticos e o cidad√£o comum √© um mito da Democracia. Que √© suposto ser √ļtil porque reduz ressentimentos e desconfian√ßas... Mas ao fazer parecer simples as rela√ß√Ķes entre "governantes" e "governados", que na realidade s√£o complicadas, o mito faz mais mal que bem.
As semanas que v√£o passando v√£o ficando invariavelmente marcadas por assuntos que entroncam, todos, naquilo que se pode chamar de √©tica da conduta pol√≠tica e/ou p√ļblica, citada ami√ļde pelos principais intervenientes e por todos soberanamente ignorada.¬†
O político é diferente na sua atitude perante a vida. O que o motiva? O que o mantém no bom caminho? O que o separa dos que, directamente ou indirectamente, o elegeram?
Há aqueles políticos que consideram que nenhuma profissão é mais nobre do que a política porque quem a exerce assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. E que se comportam em conformidade. Mas infelizmente, são a minoria.
Na classe política restante podemos, talvez, distinguir dois tipos predominantes. Aqueles que exaltam a ideologia e as crenças dogmáticas acima da própria razão e/ou do senso comum. A ideologia torna-se, para esses, uma espécie de culto. A maior parte de nós julga as coisas pelos resultados práticos, mas alguns políticos julgam tudo através de uma teoria, em que, independentemente desta se revelar errada, acreditam piamente. De plástico ou de porcelana, a rigidez é reconhecidamente uma característica sua. Quem solidariamente os acompanhar, poderá ter encontro marcado com o abismo.
Os restantes, a maioria at√©, pelo contr√°rio, n√£o parecem ter qualquer cren√ßa consistente. O seu objectivo √© ganhar elei√ß√Ķes e atingirem um qualquer assento √† mesa do poder, e consideram mesmo a ideologia como um obst√°culo √† sua "honesta" ambi√ß√£o. Os pol√≠ticos ditos de "borracha"... Esses poder√£o rapidamente ascender ao poder, qui√ß√° com uma maioria confort√°vel, rodeados de ac√≥litos ainda mais male√°veis...
Mas ambos os tipos se comportam como se, sem lutas contra alguém e vitórias sobre qualquer coisa, a vida política não sirva ou agrade a quem quer que seja.
Os políticos não querem gozar apenas do poder, querem arrebatar, excitar até, a sociedade. Citando Montherlant, "A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros". E tendem a ser autoritários. Filocratas. Gostam de dizer aos outros o que devem fazer. Alguns mais que outros, mas os que são menos autoritários são os que descobrem que o espírito dos tempos que correm está contra eles.
Os pol√≠ticos s√£o diferentes porque s√£o mais influenciados pelas teorias estabelecidas, est√£o mais preocupados em controlar a vida dos outros e retiram mais satisfa√ß√£o do exerc√≠cio do poder, que o comum mortal. Ainda assim, talvez seja errado pensar que na sociedade contempor√Ęnea, os pol√≠ticos de facto determinam a agenda dos acontecimentos. Num mundo cheio de conflitos latentes e declarados, de guerras pouco convencionais, e de perigos de exaurimento de recursos naturais, poucos acreditar√£o que os pol√≠ticos controlam realmente os destinos das suas comunidades ou na√ß√Ķes - e eles pr√≥prios duvidar√£o disso.
Li algures que o simples desejo de se tornar pol√≠tico devia constituir uma desqualifica√ß√£o autom√°tica para vir a ser um. Aqueles que governam deviam ser empurrados, puxados, mesmo contra a sua pr√≥pria vontade, para o poder. Infelizmente, para se ser pol√≠tico hoje, parece ser necess√°rio apenas interiorizar alguns dos mais feios defeitos humanos: egotismo, agressividade e gan√Ęncia. A for√ßa por detr√°s do sentimento de que "a nossa ideologia √© a certa" n√£o se encontra em qualquer corrente filos√≥fica que defenda o Bem Comum. Porque muito frequentemente, o que um pol√≠tico considera "Bem Comum" √© apenas o que √© bom para si pr√≥prio ou para quem o mant√©m no poder.
Actualizado em ( Quarta, 20 Mar√ßo 2013 17:16 )  
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