o riachense

Sexta,
30 de Setembro de 2022
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Carlos Paula Simões

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Político porquê?
O que leva uma pessoa a procurar uma carreira política? Idealismo, ideologia, uma personalidade autoritária? Ou mero oportunismo? E quanto podem os políticos esperar influenciar os acontecimentos? Como bastas vezes se vê, a política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é fundamental ter alguma preparação...
Parece-me que os aspectos de um político que despertam algum interesse público praticamente não têm a ver com a sua ideologia... o que parece interessar ao público não é o que os políticos dizem defender, mas sim como se comportam.
Dizer a alguém que se pretende governá-lo e que isso será do maior interesse para o governado, é algo de estranho para se dizer. Inegavelmente, a política é uma actividade peculiar que apenas a alguns desperta forte atracção. Portanto é perfeitamente racionalindagarmo-nos sobre que vai na cabeça desses poucos.
Claramente, não pensam todos da mesma maneira e assumir que um político não é, de certa forma, diferente dos seus concidadãos, é cair num erro sério. A alegação de que existe uma inerente similaridade entre os políticos e o cidadão comum é um mito da Democracia. Que é suposto ser útil porque reduz ressentimentos e desconfianças... Mas ao fazer parecer simples as relações entre "governantes" e "governados", que na realidade são complicadas, o mito faz mais mal que bem.
As semanas que vão passando vão ficando invariavelmente marcadas por assuntos que entroncam, todos, naquilo que se pode chamar de ética da conduta política e/ou pública, citada amiúde pelos principais intervenientes e por todos soberanamente ignorada. 
O político é diferente na sua atitude perante a vida. O que o motiva? O que o mantém no bom caminho? O que o separa dos que, directamente ou indirectamente, o elegeram?
Há aqueles políticos que consideram que nenhuma profissão é mais nobre do que a política porque quem a exerce assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. E que se comportam em conformidade. Mas infelizmente, são a minoria.
Na classe política restante podemos, talvez, distinguir dois tipos predominantes. Aqueles que exaltam a ideologia e as crenças dogmáticas acima da própria razão e/ou do senso comum. A ideologia torna-se, para esses, uma espécie de culto. A maior parte de nós julga as coisas pelos resultados práticos, mas alguns políticos julgam tudo através de uma teoria, em que, independentemente desta se revelar errada, acreditam piamente. De plástico ou de porcelana, a rigidez é reconhecidamente uma característica sua. Quem solidariamente os acompanhar, poderá ter encontro marcado com o abismo.
Os restantes, a maioria até, pelo contrário, não parecem ter qualquer crença consistente. O seu objectivo é ganhar eleições e atingirem um qualquer assento à mesa do poder, e consideram mesmo a ideologia como um obstáculo à sua "honesta" ambição. Os políticos ditos de "borracha"... Esses poderão rapidamente ascender ao poder, quiçá com uma maioria confortável, rodeados de acólitos ainda mais maleáveis...
Mas ambos os tipos se comportam como se, sem lutas contra alguém e vitórias sobre qualquer coisa, a vida política não sirva ou agrade a quem quer que seja.
Os políticos não querem gozar apenas do poder, querem arrebatar, excitar até, a sociedade. Citando Montherlant, "A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros". E tendem a ser autoritários. Filocratas. Gostam de dizer aos outros o que devem fazer. Alguns mais que outros, mas os que são menos autoritários são os que descobrem que o espírito dos tempos que correm está contra eles.
Os políticos são diferentes porque são mais influenciados pelas teorias estabelecidas, estão mais preocupados em controlar a vida dos outros e retiram mais satisfação do exercício do poder, que o comum mortal. Ainda assim, talvez seja errado pensar que na sociedade contemporânea, os políticos de facto determinam a agenda dos acontecimentos. Num mundo cheio de conflitos latentes e declarados, de guerras pouco convencionais, e de perigos de exaurimento de recursos naturais, poucos acreditarão que os políticos controlam realmente os destinos das suas comunidades ou nações - e eles próprios duvidarão disso.
Li algures que o simples desejo de se tornar político devia constituir uma desqualificação automática para vir a ser um. Aqueles que governam deviam ser empurrados, puxados, mesmo contra a sua própria vontade, para o poder. Infelizmente, para se ser político hoje, parece ser necessário apenas interiorizar alguns dos mais feios defeitos humanos: egotismo, agressividade e ganância. A força por detrás do sentimento de que "a nossa ideologia é a certa" não se encontra em qualquer corrente filosófica que defenda o Bem Comum. Porque muito frequentemente, o que um político considera "Bem Comum" é apenas o que é bom para si próprio ou para quem o mantém no poder.
Actualizado em ( Quarta, 20 Março 2013 17:16 )  
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