o riachense

Sexta,
30 de Setembro de 2022
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Gustavo Faria

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Boleia para um mundo melhor

A eleição de um Papa é um acontecimento raro, digno da velha questão “onde estavas quando…?” Ora, eu estava fora de casa e mal se avistou o fumo branco e colei-me a um minirrádio a acompanhar como pude uma rara emissão.  
Primeiro que tudo, nunca tinha sequer ouvido falar de Jorge Mario Bergoglio, mas assim que anunciaram o nome que escolhera para o seu pontificado, tremi de emoção. Na História da Igreja, Francisco é um nome de um homem que era simplesmente o filho de um homem rico e que tinha tudo para continuar a sê-lo sem precisar de mexer uma palha. Mas Francisco de Assis, abdicou de tudo, diz até que se despiu em frente ao pai e ao bispo e saiu dali conforme veio ao mundo, como que num novo parto, este por opção, mudando radicalmente de vida.
Agora, um cardeal que veio do fim do mundo, parece estar a provocar este novo parto na Igreja, a despir-se de uma segurança apertada para estar mais perto das pessoas, a desprender-se da riqueza para elevar os pobres, a abdicar de mantos vermelhos para que o branco das suas roupas seja luz para um mundo que precisa muito dessa luz. Esta escolha do nome Francisco é ousada, porque o seu nome implica rumar sem descanso contra a corrente do mundo. Francisco é um nome que compromete, mas assumir-se como cristão nos dias de hoje também e agora com este Papa ainda mais.
O que o Papa Francisco tem dito e mostrado nestes dias é que ser cristão não é permanecer num estado de felicidade, mas ir ao encontro dos que não estão felizes, o que pode ser verdadeiramente difícil. Já o vimos a abraçar e beijar pessoas com deficiência, já o vimos lavar os pés a jovens delinquentes, já o vimos abdicar do luxo e da segurança. O mundo, ou grande parte dele, está oficialmente derretido com a simpatia e simplicidade do Papa Francisco. Só que, infelizmente, comover-se com os seus gestos não chega para que o mundo fique melhor. Ouvir as suas palavras de esperança, rir com os seus rasgos de bom humor e dizer apenas que se gosta deste Papa é o mesmo que ter sido contemporâneo de São Francisco e ter estado a aplaudi-lo à distância enquanto construía uma igreja em ruínas e levantava os pobres do chão. Com os aplausos, São Francisco pouco teria conseguido, porém, com os que, tocados pelo seu exemplo, largaram tudo e se juntaram a ele, São Francisco conseguiu uma transformação na Igreja de então e salvou vidas de muitos pobres e doentes.
Os gestos deste Papa são subversivos, tanto quanto os do próprio Jesus: são um convite ao trabalho de mudança deste mundo comprovadamente injusto e não a ficar numa plateia à espera que a coisa mude. O Papa é louvado por parar o carro para cumprimentar as pessoas, sorrir para desconhecidos, cuidar dos outros, abdicar do que não precisa, estar com aqueles que estão excluídos (mesmo os que estão à margem por culpa própria como os que cometem crimes e vão presos)… Se pensarmos bem, tudo isto é muito bonito e louvável no Papa, mas porque será tão difícil no concreto do nosso dia-a-dia? Talvez porque vai contra a corrente do mundo, contra a lógica da vida em sociedade. Ser cristão é arregaçar as mangas, ferir as mãos, cansar-se, ser gozado e ainda assim ter motivos para celebrar em conjunto.
Em jeito de conclusão e longe de mim querer fazer do Cristianismo a única via possível para a mudança, temos agora uma boleia inesperada rumo a um mundo melhor e é-nos pedido uma tomada de posição: vamos ou ficamos? O Papa Francisco vai, sem dúvida, e eu quero ter forças para ir também.

 
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