o riachense

Sexta,
30 de Setembro de 2022
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António Mário Lopes dos Santos

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Um novo projecto concelhio precisa-se!

Há gente que, como o vinho do Porto, melhora com a idade. O exemplo a que me refiro é o de Mário Soares. Posso citá-lo à vontade, porque a maior parte da existência que nos foi comum, andámos ideologicamente de costas voltadas. Se agora se transformou num campeão dum Portugal livre do autoritarismo da Troika e da política da austeridade compulsiva, ainda que com reticências, aplaudo. A sua voz, ainda que percorrendo o ciclo da velhice, não perdeu o voluntarismo, nem o espírito combativo que, gostando-se ou não, foi sempre uma das suas imagens de marca. Não admira que lhe caiba a iniciativa de juntar toda a esquerda numa sessão pública, sob o lema Libertar Portugal da Austeridade. Conseguir juntar, sob o chapéu da democracia, PCP, PS, BE, e, no sector sindical, CGTP e UGT, é algo que não acontecia há 39 anos e nas últimas décadas se tem, inutilmente, tentado, o que gerou cada vez mais divórcio entre partidos e cidadania, distanciamento das pessoas em relação à actividade partidária, desconfiança em relação ao que move na realidade os políticos.

As Esquerdas, diga-se, sofreram igualmente este afastamento, porque consideradas também, como as direitas, causadoras deste estado de coisas. Relembro o que Manuel Alegre, em entrevista recente, comentava: Temos o privilégio de ter a esquerda mais forte da Europa, mas a Esquerda, em Portugal, não serve para nada.

Ao impulso do encontro para debate e caminhos comuns possíveis, a realizar no dia 30 de Maio, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, juntam-se outras vozes, cujo papel na reflexão da actualidade da intervenção política de esquerda, em movimentos diversos, representam uma dignidade, um sentido reflexivo, um outro tipo mais abrangente e plural de intervenção social, que os partidos perderam, por burocracias múltiplas, funcionalismo administrativo em demasia, controlo das maiorias militantes pelas minorias discursoras. Se acredito em Boaventura de Sousa Santos, Sampaio da Nóvoa, Maria do Rosário Gama, em certo não todo Manuel Alegre, em um certo Pacheco Pereira, não ignoro que estes são os nomes da ponta emersa dum icebergue cada vez mais amplificado. Não sei se o acontecimento, uma hora depois de o ser, não se transformará em mais uma folha dum diário falhado das esquerdas que somos e temos. 

Há muito mais vida além da política, dos actos eleitorais, dos governos, Por mim, não abdicaria da alegria que sinto por mais um novo livro do poeta Herberto Hélder, pré-anunciado para se tornar público na segunda-feira, 27, um poeta difícil, mas que diz mais de nós, seres humanos, que muito panegírico que por aí se publica. 

Das eleições, fico para ver o que, no meu concelho, a esquerda me irá oferecer, já que como é conhecido, a direita não merece o meu voto. Gente que me traz à memória, Salazar, Marcelo Caetano, Champalimaud, Melos e Espíritos Santos, e localmente, Carlos Mendes, Alves Vieira e mesmo os que , de segundo e terceiro plano, fascistas ontem, se transformaram em democratas dos partidos do centro direita, administradores públicos e privados das necessidades alheias, deputados municipais e autarcas a contar os seus tostões e as ameaças do sopro do vento sobre as suas duplas reformas e negócios à custa dos fundos comunitários, pelo caminho da desunião e repetitivismo que vou vendo, pouco ou nada pode esperar e dificilmente terá o meu acordo.

O que Mário Soares tenta para o país, dever-se-ia realizar neste, como na maioria dos concelhos portugueses.

Que figura local de esquerda conseguirá sentar a uma mesma mesa os representantes dos partidos, dos sindicatos, dos movimentos, das associações, dos cidadãos empenhados? Talvez a imprensa de esquerda, que o Jornal Torrejano e o Riachense, de alguma forma, representam, pudessem ser o ponto de partida para um novo projecto concelhio. 

O actual, socialista, que se arrasta, que se ridiculariza, que se manifesta cheio de contradições, jogadas de bastidores, desinformação que baste, não tem, nem traz consigo qualquer solução. É um nado-morto, que sobrevive na hipocrisia e na mentira, com a escassa e melíflua intervenção dos partidos da oposição como bóia de salvação.

Di-lo Eduardo Lourenço, amargurado. Esta Europa tornou-se um museu de si mesma. Digo-o. Sem nenhum prazer – este concelho t ornou-se uma caricatura duma farsa de Gil Vicente.

O seu património, a sua história, os seus cidadãos, mereceriam mais respeito e melhor sorte


 Maio de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quarta, 29 Maio 2013 13:48 )  
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