o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Morreu Palma In√°cio

FARPADAS ‚Äď Julho de 2009

 

Morreu Hermínio da Palma Inácio. Morreu um dos homens que mais contribuiu para a transformação de Portugal: de uma ditadura fascista passou a uma democracia representativa. Embora o dia 25 de Abril de 1974 tenha sido o dia mais importante nessa transformação, não foi só nesse dia que a transformação foi conseguida.

A luta pela democracia começou muitos anos antes e terá de ser sempre continuada. Assim como os amigos da ditadura nunca desistem, assim também é preciso que os democratas nunca adormeçam na luta pela construção da democracia, sob pena de serem democratas-não-praticantes e assim contribuírem para a implantação de uma nova ditadura.

Desde o dia em que o conheci pessoalmente, em Janeiro de 1971, at√© ao dia em que fui preso, em Agosto de 1973, poucos foram os dias em que n√£o estive com ele. S√≥ quando um de n√≥s, ou eu ou ele, estava ausente de Paris, √© que n√£o est√°vamos juntos. Foram mais de dois anos e meio de intenso conv√≠vio, que me deixaram as melhores recorda√ß√Ķes e que tiveram, e espero que continuem a ter, uma grande influ√™ncia na minha vida. Positiva, creio eu.

Quando o conheci e ele soube que eu sou de Riachos, contou-me que tinha vindo √† nossa terra mas que teve azar. Quando ele estava na tropa, creio que no ver√£o de 1945 ou 46, na avia√ß√£o, tinha um amigo que era de Riachos e que um dia o desafiou para virem ao campo aos mel√Ķes. Pegaram num avi√£o e vieram. Pousaram no campo, comeram mel√Ķes, e carregaram o avi√£o para levarem mel√Ķes para a base. Levantaram voo, mas como nestas coisas h√° sempre um mas, resolveram fazer algumas acrobacias para del√≠cia daqueles que em terra lhes haviam dado os mel√Ķes. O problema √© que, quando eles faziam voo picado, um dos mel√Ķes rebolou e trancou um pedal. Conclus√£o: caiu o avi√£o, os passageiros e os mel√Ķes. O avi√£o ficou espetado no ch√£o e eles ficaram alguns meses no hospital para concertarem os ossos partidos. Eu conhecia a hist√≥ria, tamb√©m tinha ido ver o avi√£o com os outros cachopos, s√≥ n√£o conhecia o segundo elemento. Conhecia s√≥ um que era de Riachos e morava ao cimo da Rua Nova.

Em 1947, o Palma entrou num golpe militar contra a ditadura de Salazar. O golpe falhou. S√≥ ele levou a cabo a ac√ß√£o que lhe destinaram e por isso foi preso. Conseguiu fugir da cadeia do Aljube, e depois nunca mais desistiu de lutar pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade. At√© que a morte o levou. Doente, passou os √ļltimos anos de vida num lar para idosos. Porque a sua reforma era pequena, foi preciso que alguns amigos contribu√≠ssem para pagar a estadia no lar. A pessoa mais honesta que eu conheci foi o meu pai. Mas, felizmente, conheci outras pessoas t√£o honestas como o meu pai. Uma, foi o Herm√≠nio da Palma In√°cio. Nasceram os dois no m√™s de Janeiro e morreram os dois no dia 14 de Julho. O meu pai com 86 anos e o meu Amigo Palma com 87. Morreram os dois no dia em que comemoramos a luta pala Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre todos os seres humanos. O Palma √© um dos meus her√≥is, e espero continuar o resto da minha vida a lutar contra os ditadores e os democratas-n√£o-praticantes. Para que a vida das pessoas seja melhor todos os dias.

Não quero acabar este texto sem, mais uma vez, voltar a dizer que é melhor termos este jornal do que deixarmos que ele acabe. Mas só com a colaboração de muitos é que será possível mantê-lo. O jornal precisa do dinheiro que talvez nos faça falta. Por isso aqui fica mais uma vez o meu apelo. Se muitos de nós contribuirmos, é possível arranjar o dinheiro necessário para que o jornal não acabe. Para que não sejamos também democratas-não-praticantes. Um grande abraço a todos.

Actualizado em ( Quinta, 27 Janeiro 2011 14:56 )  

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