o riachense

Quarta,
16 de Agosto de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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A crise da 2.ª Brigada do Reumático

Era Bom Poder Desenhar A Escrita do Tempo

Estava eu a preparar alguns parágrafos sobre os zumbidos eleitorais da colmeia PS concelhia, com as voltas e reviravoltas dos que sobem a segundo, dos que descem de segundo a quinto, das mulheres dos que, promovidos, ficam balões de vento, dos que, já fora do barco do executivo, são derrotados pelos que, há muito, esperam a passagem da liderança, das voltas que o mundo dá e a imprevisibilidade da roda da lotaria do sobe e desce e do que fica e passa das figuras candidatas aos retratos municipais, quando o fantasma de Salazar caiu de novo da cadeira no forte de S. Julião da Barra e a figura estática de presidente da República Cavaco Silva, perguntava ao espelho do mistério do futuro, espelho meu, espelho meu, quem resolve a situação, a rua ou eu?

O caso não era para menos. Ante a carta bruta do ministro das Finanças, acompanhando o seu pedido de demissão, a considerar ter falhado todos os objectivos que o ministro alemão de Merkel lhe tinha cabulado para cumprimento da sua missão de empobrecimento dum povo e aumento de freguesia nos cemitérios, ou por suicídio, ou por falta de tratamento aos idosos nos hospitais esvaziados de cuidados imediatos, ou por falta de dinheiro destes, diminuídas as reformas, abandonadas as garantias duma segurança social dignificante, sem famílias de apoio, mas com famílias a apoiar nos limites em ultrapassagem da sobrevivência, uma multidão cada vez maior de desempregados sem nada mais do que um corpo para prostituir, ou vender, ou cair na mendicidade, no roubo por esticão, no assalto aos que ainda têm alguma coisa, era lógico que a assunto das manhas e artimanhas das listas socialistas para a autarquia local, perdessem a sua atracção mediática.

Mas, o imprevisto nunca se contenta apenas com uma baforada. 

Como se sabe em História, numa revolução, numa tragédia, o que mais custa é começar. Nunca se sabe, depois, aonde leva, ou como acaba. 

A nomeação para ministra das finanças, por Passos Coelho, da secretária de Estado do Tesouro, suspeita, de manhã, de estar associada às tropelias das PPPs, conduz à surpresa do pedido de demissão da recem alcandorada segunda figura do Estado, Paulo Portas. Ministro dos Negócios Estrangeiros, de quem os media diziam ter, com a saída de Vítor Gaspar, ganho uma batalha decisiva, não aceitou a opção do primeiro-ministro pela continuidade duma política de que o demissionário ministro das finanças, em auto-culpa, afirmara ao demitir-se, que não levara a nada de bom para o país.

Portas sempre foi um jogador e, há muito, prepara a sua saída e as suas cedências ronronadas aos afagos do PS.O PS que se cuide, na sua vertigem de regressar ao poder, com as hostes conhecidas a prepararem-se para a nova partilha dos ministérios, secretarias, administrações bancárias, directores de sinecuras, um ver se te avias enquanto o pau da instabilidade vai e vem. Portas oferece-se, O CDS é ele, sabe-o, pode discordar do risco, mas sem aquele tudo cai no pesadelo de ser uma turma de meninos e meninas dum colégio privado de jesuítas.

Que comentário?

Escrevo, devagar.

 O absurdo abre o caminho na realidade sem que o riso seleccione uma opção que obvie a loucura da ausência de lucidez?

A tomada de posse da nova ministra Maria Luis Albuquerque, em transmissão directa televisiva, do palácio presidencial de Belém relembra-me outra farsa do fim do regime fascista, quando coronéis, brigadeiros e generais, foram garantir a Marcelo Caetano, a fidelidade das Forças Armadas. 

Uma segunda brigada do reumático se reúne em Belém, em nome de que Portugal?

Rui Tavares, na sua crónica de O Público de hoje, sintetiza o momento:

«Não há palavras já inventadas que descrevam esta nova situação: absurreal, alucinatória. Seria grotescómica se não fosse suicidente. O país assistiu, ontem, boquiatónico, a um primeiro ministro que usou palavras como «lucidez» enquanto se recusou a aceitar que o seu governo acabou».

A Europa está muito preocupada. Barroso, idem. Merkel, bastante. Os vampiros começam a retirar os seus investimentos e a pô-los noutras paragens. Os financeiros portugueses do costume , idem. Portugal regressa aos seus poetas e escritores: Camões, Antero, Eça de Queirós, Jorge de Sena, Saramago.

Espelho meu, espelho meu, quem vai desfazer o falhanço dum governo tão perto do coração meu? 

O que é que a rua quer? Demissão do governo? Eleições legislativas?

Espelho meu, espelho meu, Maria, que fazer?

Deixo-vos, de 1958, com uma definição de liberdade de Cesariny: Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.

Melhor fotografia do Portugal que somos?

Ante isto, as tricas partidárias do PS local são apenas arrufos de medíocres ambições.

3 de Julho de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quarta, 03 Julho 2013 18:19 )  

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