o riachense

Terça,
11 de Dezembro de 2018
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Ana Isabel Santos

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Por Portas e travessas

Depois de duas semanas de agitação social no Brasil, eu estava longe de imaginar tamanha convulsão política no executivo de Pedro Passos Coelho.

Foi com surpresa que recebi a notícia da demissão de Gaspar. Li, atentamente, a carta que apresentou ao primeiro-ministro. Encontrei nas suas palavras, um tom de humildade que por momentos me deixou quase enternecida. Gaspar escrevia que o incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida de 2012 e 2013, levaram a sucessivos desvios, que terão minado a sua credibilidade. Pela primeira vez, em cerca de dois anos, estávamos de acordo. 

As nossas opiniões reencontravam-se, novamente, uns parágrafos abaixo. O então ministro das Finanças alertava para os níveis do desemprego e do desemprego jovem. E apontava o investimento como resposta. Mas para isso é preciso ‘credibilidade e confiança’. E a ladainha repete-se, com Gaspar a admitir que lhe falta tudo isso e ‘mais qualquer coisinha’.

O ex-ministro das Finanças está correcto em tudo o que diz. Agora, eu não entendo como é que um profissional que já passou por várias instituições de renome, nomeadamente o Banco Central Europeu, não anteviu o impacto que uma decisão destas teria junto dos mercados financeiros. 

Mas a culpa não morre solteira. E Paulo Portas é um forte exemplo disso.

Já todos sabíamos do ambiente de crispação entre o líder do CDS e o primeiro-ministro. Mas o que descobrimos com a demissão ‘irrevogável’ de Portas é ainda mais surpreendente. Os anos não passam pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. E os caprichos do menino mimado de outrora emergiram. 

A nomeação de Maria Luís Albuquerque para o ministério das Finanças foi o principal catalisador desta semana explosiva. Portas não gostou e amuou. Reconheço-lhe alguma razão. Concordo com o conteúdo das reivindicações, discordo da forma como se tentou afirmar.

De facto, Maria Luís Albuquerque parece-me impreparada para o que aí vem. E as ligações, pouco claras, ao caso dos ‘swaps’ levantam grandes dúvidas acerca da sua conduta profissional. Paulo Portas tem toda a razão. Maria Luís Albuquerque representa a continuidade das politicas de Vítor Gaspar. Políticas, que o próprio admite, na carta que escrevera, que falharam. Era preciso um rosto ‘novo’, credível e competente. Com boas capacidades técnicas e alguma sensibilidades social (ao contrário do seu antecessor). A Passos Coelho faltou imaginação e a hipótese mais óbvia foi a escolhida. A ver vamos.

Uma pequena nota para Cavaco Silva ao longo de todo este processo. O Presidente da República leva à letra o ditado popular ‘o silêncio é de ouro’. É um presidente ausente, alienado da realidade e pouco imparcial. Pouco se pronunciou sobre o caso, pouco aparece e nunca se percebe muito bem o que anda a ‘tramar’. Não soluciona. Complica. 

De regresso a Portas e à sua demissão relâmpago.

Pedro Passos Coelho reagiu com uma declaração ao país e encostou Portas à parede. 

As palavras do primeiro-ministro terão inflamado ainda mais a ira do ministro dos Negócios Estrangeiros. Da longa declaração ficaram as palavras ‘Não me demito. Não abandono o meu país.’ Confesso que por momentos encontrei ali o ‘saudoso’ José Sócrates. Que repetia, à exaustão, que o país não precisava de um pedido de assistência financeira. 

Mas entre idas a Belém, rondas negociais e muito ‘bate-boca’ a coisa lá resolveu. Num comunicado conjunto, Portas e Passos Coelho anunciavam a nomeação do democrata-cristão para vice-primeiro-ministro com a coordenação das áreas económicas, da reforma do Estado e do relacionamento com a troika. Sectores chave para a esta segunda metade da legislatura.

Mas o maior problema, Maria Luís Albuquerque, continua lá. Em três dias deixou de incomodar.  Em três dias as suas políticas de continuidade, ter-se-ão, imagino, transformado em políticas de viragem. Paulo Portas, depois de uma demissão irrevogável – com a qual tão pouco concordei – teve o comportamento de um fedelho. Deu o dito por não dito e demonstrou, que afinal tem um preço. E não são os ímpetos patrióticos que o movem. Se assim fosse, teria pensado nas consequências da sua saída muito antes de a ter anunciado. 

E sem percebermos muito bem como, por portas e travessas lá está ele. De poderes reforçados. De pedra e cal.

Uma semana de regozijo para José Sócrates. Que tanto se deve ter deleitado com estes parceiros de coligação.


Actualizado em ( Quarta, 10 Julho 2013 13:21 )  
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