o riachense

Terça,
23 de Maio de 2017
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Reforma? Não, obrigado?
Nada é permanente excepto a mudança. A mudança é consequência e causa da evolução e esta é inevitável em qualquer sistema, seja ele de ordem biológica ou social. Não há como fugir à mudança, à reforma. É contranatura tal atitude. A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.
E também não é natural que todas as mudanças impliquem crescimento. A Natureza obriga muitas vezes os seres vivos a pararem, a reduzirem o seu crescimento de modo a assegurarem a sua sobrevivência. A fim de ter sucesso no seu ambiente, um ser vivo deve adequar as suas acções de modo a suprir assuas necessidades de sobrevivência. Quando a sobrevivência está em perigo, quando as necessidades biológicas de sobrevivência não estão a ser asseguradas,ao ser vivo resta-lhe agir de forma a reduzir essas necessidades.
Mas nos sistemas sociais, tende-se a ignorar essa lei da Natureza. Mesmo quando confrontados com essa necessidade, as famílias, os grupos, as comunidades, as sociedades, reagem quantas vezes de forma ilógica e violenta, à constatação que a mudança é inevitável. E necessária. E porque assusta tanto a mudança neste contexto? Porque uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança. E essa inevitabilidade é assustadora.
Olhemos por exemplo para a actual reforma administrativa autárquica: tem ou tinha tudo para falhar. Porquê? Porque as reformas administrativas arriscam quase sempre o falhanço devido ao confronto de interesses organizados entre aqueles que pretendem elevar o desempenho do sistema e aqueles que se beneficiam com o reduzido desempenho do mesmo! A resistência organizada de actores no interior da burocracia tem sobretudo três causas: os benefícios da manutenção do status quo, a oposição politicamente calculada à mudança e a reduzida capacidade de promover e/ou acompanhar esta. Em língua portuguesa sã e escorreita, temos assim, a defesa do tacho, a politiquice e a incompetência.
E por essas razões, a reforma administrativa autárquica que ainda agora começou mal, mal irá acabar.
Outras reformas virão e são inevitáveis. Fundamentais até para a preservação de sistemas básicos da sociedade. Mudanças que levarão a que essa sociedade deixe de ser a que conhecemos. Da justiça. Da educação. Da gestão da coisa pública. Da forma como elegemos os nossos representantes e governantes. Da forma como estes devem ser responsabilizados pelos seus actos, palavras e omissões.
Pensar e promover a ideia que tais mudanças serão más, que destruirão um conjunto de indeterminadas e inatingíveis, como provado até à exaustão, promessas de uma outra mudança, é demonstrar mais uma vez como a manutenção do status quo, a inflexível disciplina doutrinária e o comodismo colocam em causa a própria sobrevivência da sociedade, do sistema, que dizem defender.
E tal como na Natureza, onde os organismos ou se adaptam às mudanças ou se extinguem, as pessoas sem qualquer sistema social de qualquer escala ou âmbito devem estar alertas, sensibilizadas, dispostas a aceitarem, promoverem e moldarem as mudanças que lhes são propostas.
Porque em nenhum momento do desenvolvimento da espécie humana e das civilizações humanas, a rigidez, a inflexibilidade e a intolerância, foram benéficas; Porque nenhuma ideologia resistiu até hoje à marcha do Tempo. O Tempo tudo destrói... e isso não é necessariamente mau. Porque nenhum homem se revelou até hoje infalível. Porque recear a mudança é recear o futuro. É ficar preso ao passado olhando o presente resignadamente.
E os tais defensores de conquistas insustentáveis e de poderes vitalícios acenam-nos diante dos olhos este bicho-papão da destruição do estado social, da educação púbica, falam em direitos geneticamente adquiridos, e desse drama retiram a força suficiente para se perpetuarem no poder de forma artificial, anti-natural, pondo em causa o futuro daqueles que, de boa-fé, lhes puseram esse poder nas mãos.
A mudança trouxe-nos até aqui. Outra mudança nos irá levar em frente. E essa é a única coisa que não muda. Ainda bem que assim é.

Actualizado em ( Quarta, 10 Julho 2013 13:39 )  

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