o riachense

Sexta,
21 de Julho de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

João Luz

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Desatino com os Isaltinos

Dificilmente conseguiríamos evitar isto: um prisioneiro candidata-se a uma autarquia. O condenado Isaltino é elogiado pelos seus seguidores e esperado em braços e rosas no dia em que acabar de cumprir a sua pena. É provável que seja um caso raro na história da democracia. A dimensão desta estupidez ultrapassa tudo aquilo que sensatamente possamos pensar; ultrapassa mesmo o domínio da ficção. Isto é uma dimensão de absoluta e total irracionalidade, quase insanidade.
Isaltino é uma grosseira personagem que representa toda uma geração de autarcas que tomou o poder em tempo de vacas gordas, ou seja, entre 1988 e 2008. Não quero com isto generalizar e incluir nessa corja alguns que fizeram um bom trabalho. Não são muitos, mas há alguns. A corja apregoa que "foi feita obra". É quase sempre este o seu principal argumento, o raio da obra. Então qual foi o resultado dessa obra? Estamos fartos de saber, infelizmente. Andam há anos a usar a obra como esquema eleitoral, e com isso têm conseguido votos de gente que tem dificuldade em somar 2 + 2.
A corja responde-nos dizendo: "sim, estamos falidos, estamos a empobrecer a população, estamos a destruir emprego, estamos a abandonar as pessoas, mas temos auto-estradas, temos museus, auditórios, cine-teatros, bibliotecas, centros escolares, centros de saúde, hospitais, ppp's, swaps, e temos também gordos saldos bancários, porque o excesso de gordura do estado veio parar às nossas contas". A corja deu com uma mão, mas tirou com duas, aliás, com três.
Uns presos, outros em liberdade, não largam o osso do poder. O vice de Isaltino defende-o com unhas e dentes, afirmando que não quer misturar justiça com política (!), e dá todo o seu apoio à candidatura do condenado à Assembleia Municipal de Oeiras. É interessante ver como o vice continua ao lado do seu dono, leal e submisso. Aqui no nosso município passa-se o mesmo, mas com uma grande diferença: a justiça não foi accionada. O nosso Isaltino local vai safar-se airosamente, de mansinho, e o vice continuará o mesmo esquema.
Se ainda estivéssemos em tempo de vacas gordas, quase de certeza que eles continuariam no poder, porque as pessoas continuariam a votar neles. Mas como o dinheiro está curto, as férias tardam em ser pagas, os salários atrasam, a comida é feita em casa e levada na marmita, o depósito do carro está sempre perto da reserva, a nossa "classe média" começa finalmente a perceber em quem tem votado nos últimos anos. Mesmo assim não sei se tudo isto é suficiente para que se perceba o problema em que nos afundamos. Oiço as pessoas na rua a dizer: "daqui a uns anos eles voltam para lá", como se isto fosse um acto divino, transcendental, sem se aperceberem que eles só lá estão porque são eleitos pelas pessoas que se deixam enganar.
Não me parece, em suma, que quem vota na corja seja estúpido ou estúpida.
Pode-se ser ingénuo ou desprevenido, sim. A estupidez está manifestamente no lado dos isaltinos que minam este país. São autarcas de muito fraca capacidade, medíocres mesmo, sem qualquer ponta de ética, sem qualquer sentido de missão social, de preocupação pelos problemas reais das populações, que só têm cimento dentro da sua massa cinzenta. Dificilmente conseguiríamos evitar isto: as pessoas elegeram prisioneiros como seus governantes. Agora estamos todos a pagar por isso.
Actualizado em ( Quinta, 25 Julho 2013 16:37 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições