o riachense

Quarta,
16 de Agosto de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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Agosto Desgosto

O Atlântico, muito azul, bate-me de chapa no rosto. Monte Gordo, uma semana, num regresso ao que me parece sem visíveis mudanças. Segundo os media, o turismo cresce. As ruas e o areal demonstram-no. Difícil, um lugar de estacionamento público.

Quem chega e consegue, estaciona e, durante o tempo de permanência, não volta a circular com o veículo. Há dinheiro para férias? As televisões publicitam que neste período aumentou na banca o aferrolhar dos portugueses. Mas a entrevista que a televisão generalista passa é a de uma mulher de meia-idade que responde de forma negativa, é preciso muita ginástica para o dia-a-dia, a electricidade, a água, a renda de casa, a alimentação. E peremptória: não tenho nenhuma conta bancária. Tomara eu que o que se recebe chegasse ao fim do mês. 

Tem menos sorte do que Cavaco Silva, que optou por duas reformas, uma do Banco de Portugal e outra da CGA, por ter sido professor universitário. Ocupou o cargo de Presidente da República, mas considerou que o vencimento do cargo não lhe daria para viver. 

Leio na imprensa de hoje que este governo projecta uma lei que os reformados que sejam autorizados a exercer funções públicas deixarão de poder escolher entre o salário e a pensão, deixando pura e simplesmente de receber esta(s) última(s). Não acredito que tal lei entre em vigor, pelo impacto que traria à sociedade portuguesa, onde a maioria da classe política se mantém em cargos políticos, administrativos, financeiros, acumulando com a reforma que obteve a partir de dois mandatos políticos. Presidente da República, presidente da Assembleia da República, presidentes e vereadores autárquicos a tempo inteiro, ministros, secretários de estado, deputados, quadros superiores da banca e da finança, sociedades de advogados, administradores de tudo quanto escorre, militares na reserva e na reforma, juízes, ministério público, administradores hospitalares, das fundações, das PPPs, professores multiuniversitários, médicos multihospitalares, gestores multiadministrações, judiciária, forças de segurança. 

Com fregueses destes que pode fazer o governo senão ir roubar-me mais 10% à reforma, onde já rouba, desde que governa, cada vez mais, em nome de pôr a casa em ordem – O BPN e as ofertas e vendas de acções não são um caso de polícia? A corrupção endémica que enche páginas de jornais, televisões por cabo, livros, internet, não é assunto do ministério público? Os tribunais portugueses não servem para este tipo de crime? Os vencimentos dois assessores e cargos nos ministérios que se publicam no Diário da República e correm em listas na Net, são excepções às tabelas públicas?

O que é certo é que, cidadão reformado, cada vez pago mais impostos, cada vez usufruo menos direitos, corto cada vez mais na posta do que para mim é essencial, a idade obriga-me a gastos outrora desnecessários, não abdico de ajudar a família que este governo considera mercadoria supérflua, não tenho outra coisa além da minha reforma para responder às crescentes despesas e urgências, este governo e seus partidários lembram-me as considerações éticas de S. Tomás, «cumpre o que ele te diz, não o que ele faz». 

Talvez se o papa Francisco passasse por Portugal, tivesse de meditar primeiro nas razões da trágica ligação do catolicismo luso com o polvo tentacular da corrupção e lhe fosse necessário meditar no sermão de Santo António aos peixes do jesuíta Padre António Vieira, antes de se distrair nos apertos de mão que são, afianço-lhe, como os de Judas. 

O mar está à minha frente, apelativo. A Manta Rota fica ao lado, mas é local pouco convidativo. Em Agosto faz-me urticária.

Relembro o manguito do Fernando Assis Pacheco, ao escutar a meu lado um cidadão comentando as medidas governamentais: qualquer dia não há função pública. O Santana Lopes tratará misericordiosamente dos necessitados e o Marcelo Rebelo de Sousa porá os pontos nos is na sua homilia dominical na TVI.

Há mar e mar, há ir e voltar, publicitava o Alexandre O’Neill. 

Só que não há Titanic que nos valha, perdida a História Trágico-Marítima.

A não ser que em Setembro este povo se zangue e desfaça de vez as sondagens que não sei como e a quem são feitas.

 7 de Agosto de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 08 Agosto 2013 11:55 )  

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