o riachense

Quinta,
17 de Agosto de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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A Pátria da Criança é a sua Infância

Magoam-me as terríveis imagens das crianças sírias gaseadas, relembro  outras imagens , dos campos de concentração nazis,  também as terríveis imagens de crianças queimadas pelo desfolhante laranja no Vietname. Obama, que eu respeitava, mesmo quando a dúvida do controlo do mundo pelos seus mais diversos serviços secretos me fazia lembrar o romance concentracionário 1984, de Orwell, do Big Brother, faz-me estremecer, quando o oiço defender uma intervenção militar na Síria, com o mesmo tipo de  argumentação utilizada por  Bush (e os seus lacaios Blair, Barroso, Aznar), para a invasão do Iraque. Que é o Iraque, hoje, após a intervenção militar dos americanos? Um país dividido entre sunitas e xiitas, onde o ódio religioso envenena o quotidiano e o futuro se transformou numa armadilha, sob a batuta das companhias americanas de petróleo e da finança especulativa e dos cartéis do complexo industrial-militar da venda de armamento. Algo há no mundo árabe que se torna difícil à compreensão europeia, e que não assenta nos conceitos do Ocidente, como a sua aversão à democracia, à  liberdade, ao regime constitucional, aos direitos humanos. Mas, será que o mundo ocidental procurou alguma vez compreender o mundo do Norte de África e do Médio Oriente, para além da sua colonização e exploração desenfreadas? Que sabemos nós, portugueses, dos quase quinhentos anos de ocupação berbere e árabe na Península, e em Portugal? À partida, O Islão é o estranho, e o estranho é o suspeito. As provas que Obama apresenta sobre o uso de armas químicas contra os rebeldes muçulmanos nem precisam de demonstração, a ponto de ultrapassar o Conselho de segurança da ONU e, se não tiver apoio da Europa, avançar para a retaliação. A ilegitimidade de tal acção contra um país soberano parece não preocupar em demasia o Senado e o Congresso americanos, onde direitos humanos se confundem muito com interesses americanos. Isso magoa. O aquecimento global  que , inexoravelmente, transforma a vida planetária num inferno, com aumento de temperatura, fogos, desertificação, destruição acelarada das espécies vegetais e animais, não é um crime, contra a Humanidade? Quem julga os países criminosos, que se escondem por detrás da tecnologia, do controlo das matérias primas, e dividiram o planeta em dois grupos, os devoristas e os consumidores? Já não só os exploradores e os explorados, que o colonialismo europeu, durante quinhentos anos, colocara no tabuleiro  do domínio planetário e, no século XX, após duas guerras  mundiais criminosas e inúmeras regionais, substituíram-se os antigos donos do planeta, os traumatizados e nunca unitários europeus, pelos arrogantes americanos, os ambiciosos russos e os enigmáticos e ansiosos chineses.

Já não se vive no mundo bipolar do século XX, mas num outro, estranho, onde os princípios Gerais dos Direitos do Homem e do Cidadão, que geravam e protegiam as democracias e a liberdade humana, vão sendo substituídos por uma urgência de controlo do mundo, pela criação duma sociedade automatizada e de pensamento acéfalo, com um único objectivo, produzir, um único direito, tentar sobreviver.

Já não há um conflito de gerações, nem de religiões, nem de civilizações. A sociedade planetária tem poderes ocultos com marionetas políticas, económicas, religiosas, militares, a servirem-nos nos cargos públicos das Instituições Mundiais, na chefia dos governos, a artificializarem conflitos, para manter o domínio do mercado planetário.

Obama é um exemplo de que algo vai mal na insensatez do mundo. Um homem que defende o que defendia, quem venera Luther King, a quem toma como exemplo, não pode manter Guantanamo sem se desonrar, nem lançar uma guerra sob um país independente do Médio Oriente, só com as provas que apresenta. O Líbano, o Iraque, a Jordânia, o Afeganistão, devem pesar-lhe na mentalidade pacifista com que se apresentou à mentalidade progressista do mundo, quando se candidatou a presidente dos EUA. Não defendo Assad, mas não creio que os rebeldes muçulmanos sírios sejam muito diferentes dos rebeldes muçulmanos no Egipto, ou na Arábia Saudita. E também não lavo as mãos pela isenção do racismo xenófobo do judaísmo fundamentalista de Israel.

As imagens que doem são a de seres humanos, gaseados, mutilados, assassinados. E crianças. Muitas. E estas não têm pátria, só infância.

 5 de Setembro de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 05 Setembro 2013 00:05 )  

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