o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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O voto é uma arma se a pontaria estiver afinada

Entregue o país aos descendentes dos apaniguados de Marcelo Caetano e Cia, não há volta a dar-lhe (não haverá, povo?), mais ainda quando as altas patentes militares contam com uma reforma acima dos cinco mil euros. Entretanto o país arde, o eucaliptal que nenhuma Europa quer é um archote aceso ao Norte do Tejo e os bombeiros, de que só se lembram quando os trovões de Santa Bárbara ecoam neste mundo ocidental de Cristo, e pela coragem, pela juventude, pela falta de formação, pelo equipamento desajustado com que protegem o corpo, acendem as fogueiras contemporâneas da inquisição do empreendorismo capitalista dos neo-liberais seguidores da ex-comunista Merkel e do ex-MRPP Barroso, com  manifestações de muita solenidade e respeito governamental no enterro e nas televisões às ordens.

Emotivo, o país adere lacrimogéneo à Gaiola Dourada da exploração dos emigrantes da década de sessenta, enquanto esconde os números da emigração contemporânea, tão ou maior que então, e que um guru bem pago desta gangue neo-marcelista vai perorando que «é provisória». Não sei se a família desse peralvilho do direito monocórdico do domingo da TVI alguma vez teve familiares no desemprego ou na emigração. Politólogo de número, mais de uma hora semanal às ordens (paga a quanto?) para lavar os crimes do governo e besuntar de sebo rançoso as meninges dum  povo cuja aliteracia é um bom caminho para as suas contas bancárias. Como bom católico apostólico romano, está mais perto de S. Domingos que de S. Francisco.E se do inferno só conhece literariamente Dante e pictoricamente Bosch, seria bom que lesse  a recente História da Inquisição Portuguesa , de Giusepe Marcocci e José Pedro Paiva, para saber quanto calou desse ódio ao ser humano e à liberdade de pensamento,  de que também nos revelam do seu tempo  de cidadão marcelista os livros sobre a PIDE e o fascismo, mesmo feminino, da Irene Flunser Pimentel, ao denunciarem a antecipação desse inferno em Portugal, para o qual, e não tão inocentemente, tem contribuído com as achas mercenárias  da sua verborreia  pedagogicamente  sectária.

Enquanto o calor se não desarma, Passos Coelho e Portas armam as gaiolas da caça, em nome do empreendorismo da Troika – as listas dos cargos e vencimentos que correm, dos ministérios  e gabinete do 1º na Internet (só deste,63  colaboradores)são elucidativos das excepções  - para  que o suicídio , a miséria, a doença,  a fome e  a rua, sejam  a radical e misericordiosa extrema unção dos pobres , velhos, desempregados e reformados deste país e os jovens a matéria prima do mercado de escravos que, hoje, europeu africano, asiático, brasileiro,  substitui o que o infante D. Henrique inaugurou no século XV em Lagos.

Dos submarinos de Portas, nunca haverá senão mais do que um mistério por resolver, e do BCP de Jardim Gonçalves (quanto é a fortuna desse especialista de off-Shores?) o risco duma multa de 10 milhões . Em vez de prisão efectiva, como acontece a qualquer ladrão de menor qualidade social. Claro que se exceptuam os banqueiros, administradores de empresas, sócios de Associações de advogados, políticos, mais alguns sectores privilegiados, que, com estes, a justiça fia mais fino, porque no Parlamento os deputados velam e fazem as leis que os seus sócios defendem em tribunais onde muitos juízes são, corporativamente, seus familiares. 

Ante isto as eleições para as autarquias estão dentro das previsões que noutros artigos escrevi, e já não falta muito para a comprovação. Um país que não penalize eleitoralmente (e creio que  é o que irá acontecer) – os três partidos(PSD, CDS, PS de Sócrates) que o transformaram num povo de 7.ª ordem na Europa (1º Europa do Norte e Alemanha; 2º França; 3º Itália; 4ª Espanha; 5ª Irlanda ; 6ª Grécia; 7ª Portugal; 8º o mundo europeu  ex-comunista.)- , metamorfoseando-o num pedinte e num escravo ao serviço dos urubus  globalizados, é um povo que não merece sê-lo, tal a placidez e resignação com que se deixa arrastar para o matadouro.  

O voto é uma arma, cantava-se no PREC, e eu gostava de dizê-lo como uma mensagem para as gerações que, hoje, aí estão com a sua denúncia e revolta, com o seu futuro sem perspectiva e muita mentira no que hoje é considerado jornalismo e informação e não passa de defesa dos interesses das multinacionais que a controlam. 

Cabe-lhes alimentar a armadilha duma educação e sociedade para privilegiados compadres, ou assumir o risco duma mudança que dói mas faça doer. A arma é um voto, mas é preciso que a palavra seja transparente e saber que os sorrisos a metro dos cartazes são o espigão eléctrico do matadouro.

Há anos que me questiona a mensagem de José Saramago, no final do Ensaio sobre a Cegueira: «Por que foi que cegámos. Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem».

 12 de Setembro de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Sexta, 13 Setembro 2013 21:57 )  

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