o riachense

TerÁa,
24 de Abril de 2018
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Ana Paula Lopes

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 O pequeno ditador

O pequeno ditador poderia ser o t√≠tulo de uma coluna de opini√£o sobre a actual situa√ß√£o pol√≠tica do pa√≠s ou uma alus√£o ao nosso poder local. Mas este √© apenas o t√≠tulo de um best-seller da d√©cada passada que nos leva a refletir sobre outro tipo de ditadura. Aquela que √†s vezes se imp√Ķe dentro de casa. O ditador, esse, √© pequeno, engra√ßado e o nosso maior tesouro. Mas aprendeu que pode impor a sua vontade e que toda a din√Ęmica familiar se rege pelas suas determina√ß√Ķes. Birras, caprichos e afins que deixam os pais esgotados e frustrados. Uma malha de porrada, uma palmada valente, um tabefe que o virava do avesso, um pontap√© no meio do rabo e outras solu√ß√Ķes do g√©nero seriam aqui apresentadas pela gera√ß√£o dos nossos av√≥s para refrear os impulsos ditatoriais destes filhos de um tempo onde tudo gira em seu redor. ‚ÄúAgora choras com raz√£o!‚ÄĚ era o mote na altura. Actualmente esta (√†s vezes desmesurada) viol√™ncia parece atroz e, de facto, pouco de pedag√≥gico tinha. Limitava-se a castigar sem provocar grandes altera√ß√Ķes no comportamento dos visados que na maior parte das vezes nem sabiam porque estavam a apanhar. Na maior parte dos casos serviu apenas para impor uma cultura de medo, para afastar pais e filhos, situa√ß√Ķes perpetuadas no tempo que resultaram em adultos que mal se relacionam. A nossa sociedade actual n√£o tolera mais viol√™ncia no √Ęmbito familiar mas a mudan√ßa de paradigma na educa√ß√£o dos nossos filhos leva-nos perigosamente para o outro extremo. Parece que estamos condenados esta dicotomia do oito ou oitenta.¬†
Aos pais dos nossos dias √© exigida perfei√ß√£o. Pressionados pelos pares e pela sociedade, tratam de seguir religiosamente a lista de tudo o que o beb√© precisa e tudo o que a fam√≠lia tem que fazer e assegurar para cuidar desta rel√≠quia. O mercado aproveita-se da ansiedade e do amor que sentem pelos filhos para impingir todo o tipo de coisas. Os pais cedem. Como √© que os nossos av√≥s sobreviveram sem um term√≥metro no banho, um esterilizador de biber√Ķes, um dispositivo musical que imita os sons do √ļtero materno, uma balan√ßa digital para pesar beb√©s e outras coisas essenciais numa lista de rec√©m-nascidos?
Os filhos tamb√©m se aproveitam desta mesma vontade de agradar e de assegurar tudo de bom para o seu rebento que os pais emanam em cada gesto. Os pais cedem. O maior desafio da educa√ß√£o do nosso tempo √© reflectirmos sobre como podemos encontrar o equil√≠brio. Aprender a dizer n√£o. Mesmo quando √† nossa frente aparenta estar a mais doce das criaturas, linda, engra√ßada, aquilo que mais adoramos, a raz√£o de vivermos. Autoridade e n√£o autoritarismo. Impor limites √© o que sugere o autor Javier Urra no seu livro. √ďptima sugest√£o de leitura para este que √© um tempo de retorno √†s rotinas e em que a quest√£o fundamental que se imp√Ķe √© como podemos criar o nosso filho para o mundo em vez criarmos um mundo para ele.
Actualizado em ( Quarta, 18 Setembro 2013 15:10 )  
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