o riachense

Quarta,
16 de Agosto de 2017
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Ana Paula Lopes

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 O pequeno ditador

O pequeno ditador poderia ser o título de uma coluna de opinião sobre a actual situação política do país ou uma alusão ao nosso poder local. Mas este é apenas o título de um best-seller da década passada que nos leva a refletir sobre outro tipo de ditadura. Aquela que às vezes se impõe dentro de casa. O ditador, esse, é pequeno, engraçado e o nosso maior tesouro. Mas aprendeu que pode impor a sua vontade e que toda a dinâmica familiar se rege pelas suas determinações. Birras, caprichos e afins que deixam os pais esgotados e frustrados. Uma malha de porrada, uma palmada valente, um tabefe que o virava do avesso, um pontapé no meio do rabo e outras soluções do género seriam aqui apresentadas pela geração dos nossos avós para refrear os impulsos ditatoriais destes filhos de um tempo onde tudo gira em seu redor. “Agora choras com razão!” era o mote na altura. Actualmente esta (às vezes desmesurada) violência parece atroz e, de facto, pouco de pedagógico tinha. Limitava-se a castigar sem provocar grandes alterações no comportamento dos visados que na maior parte das vezes nem sabiam porque estavam a apanhar. Na maior parte dos casos serviu apenas para impor uma cultura de medo, para afastar pais e filhos, situações perpetuadas no tempo que resultaram em adultos que mal se relacionam. A nossa sociedade actual não tolera mais violência no âmbito familiar mas a mudança de paradigma na educação dos nossos filhos leva-nos perigosamente para o outro extremo. Parece que estamos condenados esta dicotomia do oito ou oitenta. 
Aos pais dos nossos dias é exigida perfeição. Pressionados pelos pares e pela sociedade, tratam de seguir religiosamente a lista de tudo o que o bebé precisa e tudo o que a família tem que fazer e assegurar para cuidar desta relíquia. O mercado aproveita-se da ansiedade e do amor que sentem pelos filhos para impingir todo o tipo de coisas. Os pais cedem. Como é que os nossos avós sobreviveram sem um termómetro no banho, um esterilizador de biberões, um dispositivo musical que imita os sons do útero materno, uma balança digital para pesar bebés e outras coisas essenciais numa lista de recém-nascidos?
Os filhos também se aproveitam desta mesma vontade de agradar e de assegurar tudo de bom para o seu rebento que os pais emanam em cada gesto. Os pais cedem. O maior desafio da educação do nosso tempo é reflectirmos sobre como podemos encontrar o equilíbrio. Aprender a dizer não. Mesmo quando à nossa frente aparenta estar a mais doce das criaturas, linda, engraçada, aquilo que mais adoramos, a razão de vivermos. Autoridade e não autoritarismo. Impor limites é o que sugere o autor Javier Urra no seu livro. Óptima sugestão de leitura para este que é um tempo de retorno às rotinas e em que a questão fundamental que se impõe é como podemos criar o nosso filho para o mundo em vez criarmos um mundo para ele.
Actualizado em ( Quarta, 18 Setembro 2013 15:10 )  

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