o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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A minha opinião eleitoral como munícipe e cidadão

Ao passar em frente do antigo mercado municipal de Torres Novas, na rua da Actriz Virgínia, dou-me com a fotografia do candidato do PS, Pedro Morte, à União das Freguesias Santa Maria – Salvador – Santiago, «pendurada» no topo da fachada praticamente destruída. Pergunto-me: é piada dos adversários ou a confissão pública da incapacidade dum até agora presidente de Junta PS para resolver os problemas ambientais e urbanísticos da cidade? É que, curiosamente, o texto que acompanha o rosto compenetrado e pouco sorridente do candidato, publicado em O Almonda de 20 de Setembro, que penso ser a síntese do seu programa de candidatura, nem uma palavra tem para um edifício que foi um belíssimo mercado urbano e do peixe, construído no último quartel do século XIX, inaugurado a 1 de Agosto de 1885. 

Com a construção do novo mercado municipal, parte na antiga Horta das Pedras, na margem esquerda do Almonda, após vários projectos - centro de actividades das colectividades concelhias, de exposições, Museu de Alfredo Keill -, como nem a reparação mais simples se adiantou, o edifício foi-se degradando a um ponto tal que a fotografia do candidato Pedro Morte mais parece um grito de socorro na fachada que um apelo ao voto.

Pergunto-me: Como se vota num candidato que se apalanca numa ruína? Estou à vontade, e ele, porque dizem-me que pertenço à União de Freguesias de S. Pedro, Lapas e Ribeira Branca, o que também nada me diz, porque não quero ser senão da freguesia de S. Pedro. Sou contra esta agregação de freguesias, sem as populações serem efectivamente referendadas, por causa da acusação da Alemanha merkeliana de o povo português - vejam lá - viver acima das suas reais posses, a que o PSD e o CDS deram corda e andamento a nível nacional, e localmente o PS sob o dirigismo de Rodrigues foi um digno nim. Eles lá sabem por que sim…

Mas que mal terão feito as freguesias portuguesas a Miguel Relvas, que as achou tão gastadoras e, ao assobio da Troika, antes de se demitir, deixou pronto esse garrote da sua destruição, numa sopa de bruxas dum sabbat diabólico, que agora vão a votos como Egas Moniz, de corda ao pescoço. 

Como se nada tivesse mudado? O que conta são apenas os interesses partidários? 

Mas que raio de eleitos dos partidos nos representam, que nos pedem o voto para uma coisa de que, como partidos da oposição – refiro-me ao PC e ao BE, o PS concelhio não tem sido outra coisa além de um partido de centro-direita -, se discorda e a que se opõem? 

Se me é fácil, mesmo engolindo sapos, tomar posição nas eleições para a Câmara e para as freguesias que se mantêm territorial e historicamente, já o mesmo não acontece para um órgão puramente ultrapassado na sua composição, estrutura e regulamentação, objectivos, actuação, finalidades, a Assembleia Municipal, como o tem demonstrado ao longo das últimas duas décadas. Como, igualmente, para o casamento das freguesias agregadas, para que me convidam para ir bater palmas e atirar arroz aos noivos, mas me excluíram da preparação e da boda. 

Por outro lado, em relação às candidaturas ao poder local, faz-me impressão que um trio António Rodrigues - Pedro Ferreira (Cam) – Luís Silva (As.), no fim de 20 anos se transmude em Pedro Ferreira – Luís Silva (Cam) – António Rodrigues (As.), sem que ninguém diga, como a criança ingénua do conto, o rei vai nu. Se isto não é a ganância pessoal do poder, se isto não é a renovação na continuidade tipo marcelista, a revelar a total incapacidade democrática de alternância no PS concelhio, então que venha António José Seguro explicar-me a diferença que há entre o ser e o parecer duma alternativa e da sua mistificação. 

Das outras candidaturas, à direita e à esquerda, nada acrescento. Não me pediram opinião, não lhes devo, apesar dos afectos, simpatias, amizades, ideias comuns, à esquerda, nada. O meu conceito de política democrática já não passa por esse tipo de a fazer…

Há muita juventude nas listas autárquicas, é um ponto positivo. Mas para os lugares efectivos de eleitos, onde se ganha dinheiro, existem privilégios, prebendas, reformas políticas, e pouco ou nenhum controlo legal, não são os jovens que preenchem esses lugares. A maioria são apenas nomes para encher espaços, que nunca chegarão às cadeiras da Câmara, nem da Assembleia Municipal; quanto muito, tarimbarão as assembleias de freguesia. 

O meu voto, nestas eleições, irá até à mesa de voto e entrará nas urnas, como um protesto e camarariamente, num desejo de profunda mudança. Se no concelho, o PS perder a maioria absoluta, a política torrejana, na economia, sociedade, ambiente, educação, saúde, cultura, decerto que mudaria; toda a esquerda ganharia com isso.

Mas para tal mudança seria necessário o que se não quis fazer – a unidade democrática de esquerda.

A ver vamos o que decide este povo do seu destino…

 23 de Setembro de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Segunda, 30 Setembro 2013 20:05 )  

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