o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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Com o sacrifício do povo cresce um novo (?) salazarismo


Não fosse por respeito aos compromissos que assumo, hoje não haveria crónica semanal. Não me apetece falar dum país que se não respeita como identidade, onde os chefes conservadores dos países do EURO decidiram que a única solução a aplicar-lhe é o transformá-lo numa feitoria aborígene, onde o europeu do centro e do norte pode jogar golfe, apanhar sol, comer as lagostas, os percebes, os camarões, os pregados, os rodovalhos, os salmonetes, as perdizes, os bifes do lombo, os cabritos, as lebres, os foie gras, beber os vinhos de média e alta qualidade, all is very good, the portuguese people is nice, the sea is wonderful, the beach a paradise, the hotel’s price much reasonable. O leitor percebeu? E isto também pode ser escrito em alemão, holandês, finlandês, japonês, chinês, francês assim assim, brasileiro, angolano, ou na linguagem tecno-burocrático-economês dos funcionários da Comunidade Europeia, Durão Barroso incluído, da Troika dos vampiros da banca a da finança, das Wall Streets do tráfico de armas, droga, crianças, órgãos de seres humanos, da mercadorização de tudo quanto existe no ar, na terra e no mar deste planeta brutalmente espoliado, como se não se percebesse que, sem ele, não onde, nem quando, nem sequer vida. Lá se chegará…

Para que isto se mantenha e Portugal seja uma praia, um hotel, um restaurante de luxo, uma casa de fados para turistas e um Ronaldo para exportação, os nossos governantes anualmente empobrecem os nativos locais, colocando-os a pão e água, diminuindo-lhe as rações, esperando que as doenças, a miséria, a desistência, os levem depressa deste mundo, libertando-se  das despesas com os reformados, os viúvos, para os distribuírem aos financeiros alemães, herdeiros dos financiadores de Hitler e da Alemanha dos mil anos. Pagamos hoje, a ferro e fogo duma ditadura fiscal, a neutralidade de Salazar apadrinhada por Churchill e pelos aliados, enquanto o volfrâmio vendido à Alemanha nazi servia para reforçar o ouro das nossas reservas nacionais. Ouro marcado a sangue judeu, a sangue de gerações, enquanto os seus governantes sobreviveram, como sobrevivem sempre, na sua qualidade de gente acima das massas. Somos hoje vergonhosamente um protectorado, como nos classifica o vice-primeiro ministro Paulo Portas, ante a indiferença dum presidente da República que jurou uma Constituição que o governo não cumpre e ele finge não ver, ou não perceber, ou as duas ao mesmo tempo. Socialmente, já não passamos do quarto dos empregados de servir duma Europa que nos quer humilhada, para ter mão d’obra barata de hoje, jovens licenciados por um ensino que se tenta de novo elitizar, sempre às ordens, como a usada, se o leitor tem memória, no filme a Lista de Schindler. Portugal está a ser transformado em campos de concentração, onde os Kapos lusos seus lacaios nos mantém com as suas forças pretorianas, enquanto, como bons servos domesticados, recebem as festas e alvíssaras do bem guardar e melhor cumprir os locais paradisíacos nacionais,  para o relaxe e prazer de se ser um europeu do norte e do centro civilizado. Nós ficamos à espera nas filas do campo que o oficial dos novos SS indique, o lado direito, para a sobrevivência do dia a dia , no medo, na insegurança,  na resignação, ou o lado esquerdo, para a porta do inferno, o desemprego, a tuberculose, a depressão nervosa,  o abandono social, a desumanização total, o suicídio.

Percebe o leitor por que a escrita, para conseguir mostrar um esgar de ironia, dói e custa a transformar-se em palavras?


16 de Outubro de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quarta, 16 Outubro 2013 15:42 )  

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