o riachense

Sexta,
21 de Julho de 2017
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Carlos Gameiro

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Sonho de uma noite de verão I

  O amanhecer chegou devagarinho, acompanhado de um sol radioso que lentamente aqueceu o ar fresco nas margens do Almonda. Vai ser um bom dia para passear… pensei. E foi o que fiz. Peguei na mulher e filha e lá fomos calcorreando o calcário da bonita calçada “à portuguesa”.

 Primeira paragem: Parque 25 de Abril. Gosto do nome do parque, e ainda por cima podemos escrever Abril, assim mesmo, com maiúscula. Além disso, a pequena sempre gostou de brincar no balancé e voar no escorrega em direcção à límpida e branca areia do chão. Mas depressa ficou impaciente e pusemo-nos de novo ao caminho, desta vez rumámos ao parque infantil do Tocha. O sol já ia alto, mas isso não nos preocupou. As frondosas árvores que o rodeiam oferecem proteção mais do que suficiente contra qualquer queimadura ou mal da pele. Lá ficámos por mais um par de horas, ou pelo menos assim me pareceu, que aos pequenos, enquanto brincam, o tempo parece correr sempre mais depressa, sendo certo que a nós, que assistimos, por vezes se manifesta bem mais paciente que a nossa paciência. Pois… paciência. Bem, pelo menos tinha a certeza de poder estar descansado com a segurança do rebento. O piso é moderno, colocado de forma perfeitamente uniforme, e não há qualquer tipo de obstáculos, para além dos equipamentos perfeitamente conservados. Aproximava-se a hora de almoço e antecipei com agrado a hora em que chegaria a vez do pai se divertir. Tínhamos guardado na cesta umas boas sanduíches de leitão ainda quentinhas do forno, e no pequeno saco térmico repousava uma pequena garrafa de um tal de “verdinho” de Melgaço, que eu contava manter ainda a frescura suficiente para empurrar delicadamente as fatias da barriguinha do bácoro…

Destino mais que certo: Parque Zé da Leonor. A distância não aconselha aventuras pedonais, por isso tomámos uma dessas charretes que agora vemos passear pelas nossas ruas, mostrando o pitoresco das bonitas casas com barras pintadas, todas do mesmo tom ocre quente, como se de cada lado da estrada nos cumprimentasse o sol refletido nas searas de trigo.

Chegámos tarde, está visto. À sombra dos plátanos e das amoreiras já se estendiam várias mantas coloridas, e espalhadas por entre esse arco-íris de retalhos aconchegavam-se famílias inteiras, descansando ou conversando entre si os adultos, enquanto vigiavam as princesas e os infantes que se perseguiam cantando e rindo das suas próprias diabruras. Não parecia haver já lugar para nós. Devíamos ter calculado. Este lindíssimo relvado e estas árvores, servidos por limpas e eficientes instalações sanitárias, eram já considerados por muitos, nos dias de sol como este, como uma parte de suas próprias casas, uma espécie de grande sala de convívio, aberta a toda a comunidade.

E nós sem um cantinho para estendermos um guardanapo que fosse. Felizmente que em casa de boa gente, ou melhor, em manta de boa gente há sempre lugar para mais um.

Depressa ouvi alguém chamar pelo meu nome – Carlos! Carlos! – Virei-me sorridente na direção da voz – Acorda! – Ainda mantive o sorriso parvo nas beiças durante um bocado, mas depois compreendi. Habituada ao meu ressonar carrancudo, a minha mulher, ao ver que dormia sorrindo, pensou que sofria de uma qualquer apoplexia e tratou de me arrancar aos safanões do meu feérico passeio.

Levantei-me cambaleante, dei três valentes cabeçadas na parede, para aprender, espetei com as duas surpreendidas fêmeas dentro do carro e rumei desenfreadamente, esquecido já do sorriso, ao Entroncamento. Parque do Bonito com eles.

Actualizado em ( Segunda, 28 Outubro 2013 11:24 )  

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