o riachense

Sexta,
30 de Setembro de 2022
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Gustavo Faria

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Em nome da produtividade nacional...


(Ao meu avô Zé, nascido a 1 de junho, para quem o dia 1 de novembro era o verdadeiro Dia da Criança.)

Num país em que se fazem estudos de tudo e mais alguma coisa, ainda não vi nenhum credível acerca da relação entra a redução de feriados e o aumento da produtividade dos trabalhadores. Até quando o povo de Roma estava descontente, os imperadores mandavam fazer umas festas para animar a malta e a cidade podia erguer-se de novo, com as pessoas animadas. Nos últimos anos (demais), temos visto os nossos ordenados a voar, os empregos a desaparecer, a nossa típica alegria portuguesa a sumir-se para os campos onde qualquer dia nem a memória lá consegue chegar. Somos um povo deprimido e já nem o ter sol no Outono nos anima.

Há uns tempos atrás um acordo entre o Estado e a Igreja portuguesa fez desaparecer dois feriados civis e dois religiosos. Há um de cada espécie que mexem absolutamente comigo.

Depois de gastarmos rios de dinheiro que não tínhamos a celebrar o centenário da República, caiu o 5 de outubro. Devemos ser o único país civilizado que não quer saber do dia da sua fundação e já nem queríamos saber quando ainda era feriado, pois preferíamos celebrar um regime que estava longe de ser perfeito, pelo menos no sentido prático de elegermos os melhores entre nós. A República tem muy nobres ideais, mas precisa de muy nobres cidadãos que tomem conta dela.

Escrevo estas palavras no dia de Todos os Santos, que a Igreja escolheu para deixar de celebrar como feriado. Ora bem, este não é o dia daqueles santos que nunca ouvimos falar, mas o dia da santidade, o dia em que o povo de Deus, ainda que pecador, se reconhece como santo e se compromete a sê-lo um pouco mais. Na tradição popular, é o dia em que as crianças nos tocavam à campainha às oito da manhã e o dia em que nós batíamos às portas quando éramos pequeninos. Era o dia em que ficávamos felizes com umas broas, laranjas, romãs, rebuçados, dinheiro, que os nossos vizinhos nos davam, que nós enchíamos sacos de doces e alegrias e voltávamos para casa felizes porque nos abriram as portas e falavam connosco. Para muitas pessoas que viviam longe da sua terra, neste dia visitava-se a família e rumava-se ao cemitério para lembrar aqueles de quem temos muitas saudades. Neste dia 1 de Novembro, até ao ano passado, quase todos nós fomos felizes!

Hoje, dia de Todos os Santos, as crianças estão na escola e não tocam à campainha de ninguém. Muitos desempregados vão ter um dia normal e os nossos idosos não vão sorrir para criança nenhuma e as crianças hão-de chegar a casa com uma mochila cheia de livros da escola e algumas com recados e castigos na caderneta. Se este era um dia feliz, o dia em que saíamos da nossa rotina trombuda e partilhávamos coisas doces uns com os outros, agora ficámos com um dia igual aos outros.

Sinceramente, não sei onde estavam as memórias da infância das pessoas que decidiram que o dia de hoje era para ser igual aos outros.


Actualizado em ( Sexta, 08 Novembro 2013 11:29 )  
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