o riachense

Terça,
25 de Abril de 2017
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Joaquim Alberto

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 Liberdade de opinião e desonestidade intelectual

FARPADAS

Começo por afirmar que uma sociedade onde as pessoas não podem dizer livremente aquilo que pensam, como era a sociedade portuguesa de antes do 25 de Abril, não é uma sociedade humana. Por isso eu defendo (e espero não mudar até morrer) a liberdade e a obrigação das pessoas dizerem livremente aquilo que pensam. Mesmo quando não estou de acordo. Por isso, quando eu discuto publicamente as opiniões publicadas com as quais não estou de acordo, é para um confronto público de ideias, é para tentar ajudar na reflexão coletiva, nunca é para limitar o direito dos outros a publicarem a sua opinião. 

Dito isto, vou tentar refletir o melhor que sei e posso sobre algumas afirmações publicadas no RIACHENSE de 9 de Outubro, página 10, no artigo de opinião do José Moreira “Almoços grátis”.

Eu estava em França quando li o artigo e confesso que, depois de o ler, estive uma noite inteira sem conseguir dormir. Estou de acordo com quase tudo o que ele escreveu, mas há duas frases que, ou eu as compreendi mal, ou então são fruto de uma grande “desonestidade intelectual”, daquela que deveria dar prisão, como ele escreve na última frase do texto.

A primeira frase é a seguinte: “Infelizmente desde o 25 de Abril, desinvestiu-se muito na matemática”. A segunda é quando ele escreve que “É importante irmos buscar a velhinha tabuada e voltarmos a fazer as tão sábias e sobretudo tão honestas contas de mercearia”.

Eu não sei o que é que o José Moreira entende por investir, mas normalmente “investir” quer dizer pôr mais meios materiais e mais meios humanos ao serviço de uma determinada coisa, ação ou função. Por isso creio que ninguém pode dizer que se “desinvestiu muito na matemática desde o 25 de Abril”. Claro que penso que se poderia ter feito muito melhor, se houvesse quem fosse capaz disso, mas o que faltou não foram nem os meios humanos nem materiais. Se não se fez melhor, foi porque entretanto houve o 25 de Novembro. O 25 de Abril durou apenas 18 meses. A sociedade portuguesa atual resulta do 25 de Novembro e não do 25 de Abril. Investimento era o que não havia antes de 1974. Eu próprio dei aulas nos anos sessenta em Sacavém e as turmas tinham 75 alunos, com três rapazes em cada carteira. Se é a isto que o José Moreira chama investimento na matemática, eu não quero esse investimento de volta.

A segunda frase é fruto de uma grande confusão que existe na cabeça de muita gente entre saber a tabuada de cor, à custa de muita reguada, e saber matemática. A minha experiência diz-me que aqueles que sabiam a tabuada de cor não sabiam matemática, e aqueles que sabiam matemática não sabiam a tabuada de cor, só a sabiam salteada. Saber de cor não dá sabedoria, o que dá sabedoria é saber salteado, mesmo contando pelos dedos.

Antes do 25 de Abril de 1974, mais de metade dos portugueses não aprendeu nem a ler nem a escrever, sendo as mulheres as que tinham menos direitos. Há agora mais alunos no Concelho de Torres Novas, apesar da baixa natalidade, do que havia em todo o Distrito de Santarém quando eu fiz a quarta classe. Nesse tempo havia um liceu em Santarém e uma escola técnica em Tomar. Do estado não havia mais nada. Antes do 25 de Abril, o estado português arranjava dívidas para fazer a guerra. Não para fazer escolas, nem hospitais, nem estradas.


Actualizado em ( Quarta, 13 Novembro 2013 12:33 )  

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