o riachense

TerÁa,
24 de Abril de 2018
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Ana Paula Lopes

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 Eco... quê?

Quando foi assinado, em 1997, o protocolo de Quioto despertou consci√™ncias e trouxe para a esfera p√ļblica preocupa√ß√Ķes emergentes com o planeta, com o efeito de estufa, com o aquecimento global, com a emiss√£o de gases nocivos e com a sustentabilidade. At√© ent√£o encaravam-se as quest√Ķes ambientais como uma preocupa√ß√£o das entidades poluentes (a grande ind√ļstria) e seus organismos reguladores, mas o cuidado com o planeta azul passou a ser responsabilidade de todos e de cada um. O Ecol√≥gico instalou-se no nosso vocabul√°rio, nas nossas pr√°ticas e h√°bitos de consumo. Os produtos reciclados tornaram-se moda na altura e estes eram paralelamente ecol√≥gicos e econ√≥micos. Todos n√≥s nos habituamos a escrever num papel mais pardo deixando de lado as folhas branquinhas onde costum√°vamos escrever e imprimir. Mas o fervor em torno dos produtos eco (l√≥gicos) e da reciclagem foi esmorecendo com o passar dos anos e assiste-se hoje a um paradigma curioso: muitos dos produtos verdes s√£o mais caros que os outros. E n√£o podemos esquecer que, cada vez mais, as nossas escolhas est√£o sujeitas a uma condicionante determinante: o pre√ßo. Deixamos de comprar eco (l√≥gico) para comprar eco (n√≥mico)! Queremos diminuir a nossa pegada mas n√£o podemos comprometer o or√ßamento familiar. Como aliar eco (l√≥gico) e eco (n√≥mico)?
Os nossos antepassados conseguiram viver em simbiose com o meio sem p√īr em causa o esgotamento dos recursos, a deteriora√ß√£o do habitat e consequentemente a sua pr√≥pria sobreviv√™ncia enquanto esp√©cie. Uma das mais s√°bias li√ß√Ķes que podemos herdar dos nossos av√≥s, no que respeita √† ecologia e √† economia, √© viver a sazonalidade. Adequar consumo e rotinas √† √©poca do ano e desfrutar do que mais carism√°tico encontramos em cada uma das suas esta√ß√Ķes. Nos nossos dias poder√° ser sin√≥nimo de conforto e de desafogo econ√≥mico andar pela casa em t-shirt e descal√ßo em pleno m√™s de Dezembro enquanto o ar condicionado assegura uma agrad√°vel temperatura no seu interior, almo√ßar uma bela salada de verduras e terminar com um delicioso cheesecake de morangos. Nesta altura do ano os nossos av√≥s usariam roupa bem quente, chinelos confort√°veis, cobertores e len√ß√≥is ‚Äúa peso‚ÄĚ, comeriam uma bela sopa de feij√£o encarnado para aquecer o corpo, a alma e dar energia e sustento para um dia frio e pequeno, em frente √† lareira onde arderiam uns cavacos de oliveira que aqueciam e iluminavam a casa. Mais econ√≥mico e claramente um comportamento mais ecol√≥gico.
A prop√≥sito da quest√£o do vestu√°rio e da alimenta√ß√£o que nos desabitu√°mos de adequar aos meses do ano aproveito para relembrar uma iniciativa tamb√©m muito em moda no final dos anos noventa que procurou minimizar o uso dos equipamentos de ar condicionado e a consequente polui√ß√£o e consumo energ√©tico: a sexta-feira informal. Neste dia da semana algumas institui√ß√Ķes e escrit√≥rios permitiam aos seus funcion√°rios deixar de lado o dress code e usar roupa confort√°vel e adequada √† temperatura ambiente, desligando-se o ar condicionado. Ser√° tamb√©m este um bom exemplo de uma conduta que permite aliar os dois ecos. Seria interessante retomarmos com mais convic√ß√£o este tipo de iniciativa. Mas reconhe√ßo que √© um exerc√≠cio dif√≠cil.
Caberá então a cada um de nós encontrar uma forma de viver num estilo paralelamente eco (lógico) e também eco (nómico)!

Actualizado em ( Quarta, 20 Novembro 2013 16:56 )  
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