o riachense

Domingo,
30 de Abril de 2017
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Mais vale um não bem sonoro do que um "sim senhor ministro"

 

O falhanço da equipa ministerial em relação à prova de aferição dos professores é algo que um governo dum país democrático não pode escamotear. Como professor reformado sinto que a classe docente ainda não perdeu a sua dignidade, mesmo ante uma chantagem sobre o seu direito à sobrevivência. Como antigo sindicalista e sindicalizado da CGTP, percebo muito bem a direcção da UGT e dos seus compromissos com o poder, quando se submete a algo que , só por si, é uma desautorização dos seus sindicalizados. Não creio que os aderentes , por exemplo,do SINDEP ,para não citar outros - com excepção dos que se sentam nas cadeiras de deputados dos partidos do poder, ou enxameiam cargos de assessoria em ministérios e departamentos governamentais, para onde entraram pelo mérito da cunha dum cartão partidário, ou se transformaram em políticos profissionais de todas as Associações ditas do Empreendorismo , possam estar de acordo com uma política que lhes aponta a porta da rua da escola pública, para protecção da privada e dos seus empresários, laicos ou religiosos. São professores, com habilitações académicas e pedagógicas adquiridas segundo as leis nacionais, não creio que assumam o descrédito de considerarem que uma vigarice com um objectivo tem força suficiente para lhes negar o que eles são e a sua profissão significa. Pode ser-se um social-democrata, um liberal, um democrata-cristão, não se deixa de ser um professor, que, por acaso duma política anti-democrática duma aliança de jotas, a que um mentiroso político chama de arco da governação, ao serviço dos interesses dos grupos financeiros, se encontra sem trabalho e, só com umas cruzinhas feitas a azul, ou a preto, e com uma redacção onde não pode seguir o único prémio Nobel da literatura, nem a maioria dos restantes premiados lusos, pode garantir o vencimento nada comparável com os dos assessores desses governantes.

Se o ministro da Educação repaginasse o seu passado, demitir-se-ia, ante a bofetada violenta que recebeu da classe docente na greve à prova de aferição. O seu sósia, que eu lia e aplaudia no passado, não é essa figura que veste a pele dum ministro como raramente houve – e houve-os muito maus – desde o 25 de Abril. É que o que está em causa é exactamente o que essa data significou, não só para a sociedade portuguesa, mas para a libertação dos povos humilhados por ditaduras e governos autoritários que se conservam no poder à custa do terror, da violência, do crime, do assassínio. O que o arco da governação lusa laranja e azul monárquico promete é um regresso a um marcelismo sem Marcelo, mas onde as conversas em família escondem o impudor da impunidade do saque feito aos direitos cívicos, constitucionais, dos cidadãos, em proveito próprio e das mesmas famílias que renasceram com os financiamentos provenientes da Comunidade Europeia e, hoje, se procuram vingar da presunção de as desejarem tornar iguais às outras. 

Sabem-no, laicos e religiosos, civis e militares, políticos e cidadãos. E sabem que não é possível humilhar os povos eternamente. Quando, quer nos quatro canais televisivos, quer nos informativos do cabo, os mesmos actores representam a farsa do governo à mesma hora, e a alternativa são os trinta filmes de quinta categoria dezenas de vezes repetidos ou séries e programas de lavagem cerebral, onde os polícias vencem sempre os criminosos, a gente percebe que a ditadura não se limita a acabar com a liberdade de expressão. Vai mais fundo, ao extermínio do pensamento crítico, à disseminação epidémica dum Alzheimer colectivo, de modo a que o poder, o privilégio, possam usar e abusar do poder, sem o menor impedimento jurídico.

Quando o primeiro-ministro Passos Coelho vai discursar no lanche de Natal dos deputados do PSD, com transmissão directa na SIC, TV Informação, TVI 24,percebe-se que há uma grande e madura política de manipulação na vida política à portuguesa em curso.

Por isso, o ministro da educação não podia ser outro que não este e os professores não podiam ter outra atitude do que mandar-lhe uma carta de despedida. 

Ao PS, PCP, BE, Verdes, LIVRE, e o que mais se verá, votos de que não percam mais tempo a pensar nas crónicas dum Pulido Valente, que nasceu com um lacrau na língua, mas releiam o Portugal Contemporâneo do Oliveira Martins e depois me respondam: vamos andar mais quantas gerações a fingir oposição séria ao poder e a fazer compromissos nos bastidores, do Parlamento, das Câmaras, das freguesias, com os que nos (e vos) lixam?

19 de Dezembro de 2013 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 19 Dezembro 2013 01:27 )  

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