o riachense

Segunda,
25 de Junho de 2018
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Ana Paula Lopes

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Sob o mesmo céu estrelado

Um outono gelado e pouco molhado tem-nos premiado com uma das mais bonitas visões que os seres deste planeta podem contemplar. Quando longe do clarão da cidade a noite chega, traz consigo um manto escuro, intenso, salpicado por milhares e milhares de estrelas. Este místico e inebriante tecto que o homem, independentemente da sua cor, país ou religião, observa e admira desde que existe, envolve-nos pela sua beleza mas também pelo seu simbolismo, por aquilo que representa e por tudo o que nós, humanos, tentamos encontrar por lá. Um bom cristão levanta os olhos para cima e procura por Deus, um muçulmano por Alá, um cientista pela ordem do cosmos e os crentes de ficção científica talvez procurem o E.T..
Este mesmo tecto polvilhado de luz e avassaladoramente infindável tem sob si tanto o cientista como o crente. O mesmo céu. Diferentes visões. Mas será mesmo assim? Serão mesmo diferentes pessoas? Será que o seguidor da ciência ao aceitar o Big Bang e o Darwinismo e negar o criacionismo tem que obrigatoriamente afastar-se da fé? Quando encontramos uma explicação científica para a nossa existência e nos assumimos inequivocamente como pó de estrelas parece que é pouco o espaço deixado para a fé e para o envolvimento com Deus.
Tudo depende das respostas que procuramos nos desígnios da fé. O homem da ciência não procura em Deus a explicação para a origem da vida. O homem da ciência entende claramente a matéria de que é feito mas há qualquer coisa que a sua racionalidade não consegue explicar. Sabe de que são feitas as lágrimas mas não consegue pará-las quando alguém muito amado parte. Sabe como funciona o seu coração mas não consegue acalmá-lo quando bate desenfreado ao ver aquela mulher que o desconcerta. Sabe de onde vem o suor das suas mãos mas não consegue secá-lo quando de mãos dadas com essa mulher vê chegar a este mundo o fruto do seu amor. E quando o filhote, ensanguentado é pousado no ventre da mãe, o homem da racionalidade, tem os olhos molhados, o coração aos saltos e as mãos suadas e humildemente levanta os olhos e agradece aos céus por aquele momento que resumirá, daí em diante, toda a sua existência.
De facto não somos só matéria.
É possível olhar para o céu estrelado e ver as constelações, a ordem do universo e a origem da vida e procurar também lá por uma ordem maior. Coisas da alma e do coração. Uma mensagem de amor e um ensinamento para saber estar com os outros. Não é isto a palavra de Deus? Um conjunto de mensagens que nos orientam, reconfortam e trazem esperança para encararmos de forma plena a nossa vida (biológica)?
 

Actualizado em ( Segunda, 30 Dezembro 2013 14:27 )  
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