o riachense

TerÁa,
24 de Abril de 2018
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Ana Paula Lopes

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Sob o mesmo céu estrelado

Um outono gelado e pouco molhado tem-nos premiado com uma das mais bonitas vis√Ķes que os seres deste planeta podem contemplar. Quando longe do clar√£o da cidade a noite chega, traz consigo um manto escuro, intenso, salpicado por milhares e milhares de estrelas. Este m√≠stico e inebriante tecto que o homem, independentemente da sua cor, pa√≠s ou religi√£o, observa e admira desde que existe, envolve-nos pela sua beleza mas tamb√©m pelo seu simbolismo, por aquilo que representa e por tudo o que n√≥s, humanos, tentamos encontrar por l√°. Um bom crist√£o levanta os olhos para cima e procura por Deus, um mu√ßulmano por Al√°, um cientista pela ordem do cosmos e os crentes de fic√ß√£o cient√≠fica talvez procurem o E.T..
Este mesmo tecto polvilhado de luz e avassaladoramente infind√°vel tem sob si tanto o cientista como o crente. O mesmo c√©u. Diferentes vis√Ķes. Mas ser√° mesmo assim? Ser√£o mesmo diferentes pessoas? Ser√° que o seguidor da ci√™ncia ao aceitar o Big Bang e o Darwinismo e negar o criacionismo tem que obrigatoriamente afastar-se da f√©? Quando encontramos uma explica√ß√£o cient√≠fica para a nossa exist√™ncia e nos assumimos inequivocamente como p√≥ de estrelas parece que √© pouco o espa√ßo deixado para a f√© e para o envolvimento com Deus.
Tudo depende das respostas que procuramos nos desígnios da fé. O homem da ciência não procura em Deus a explicação para a origem da vida. O homem da ciência entende claramente a matéria de que é feito mas há qualquer coisa que a sua racionalidade não consegue explicar. Sabe de que são feitas as lágrimas mas não consegue pará-las quando alguém muito amado parte. Sabe como funciona o seu coração mas não consegue acalmá-lo quando bate desenfreado ao ver aquela mulher que o desconcerta. Sabe de onde vem o suor das suas mãos mas não consegue secá-lo quando de mãos dadas com essa mulher vê chegar a este mundo o fruto do seu amor. E quando o filhote, ensanguentado é pousado no ventre da mãe, o homem da racionalidade, tem os olhos molhados, o coração aos saltos e as mãos suadas e humildemente levanta os olhos e agradece aos céus por aquele momento que resumirá, daí em diante, toda a sua existência.
De facto não somos só matéria.
√Č poss√≠vel olhar para o c√©u estrelado e ver as constela√ß√Ķes, a ordem do universo e a origem da vida e procurar tamb√©m l√° por uma ordem maior. Coisas da alma e do cora√ß√£o. Uma mensagem de amor e um ensinamento para saber estar com os outros. N√£o √© isto a palavra de Deus? Um conjunto de mensagens que nos orientam, reconfortam e trazem esperan√ßa para encararmos de forma plena a nossa vida (biol√≥gica)?
 

Actualizado em ( Segunda, 30 Dezembro 2013 14:27 )  
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