o riachense

Quinta,
22 de Junho de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Joaquim Alberto

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

 Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas

FARPADAS

Ao nascer todos sabemos uma coisa: um dia vamos morrer. Todos sabemos isto, mas todos temos dificuldade em aceitar que um dia vamos morrer. Por isso, o dia do nascimento é um dia de festa (festejado todos os anos) e o dia da morte é um dia de luto. 

Nos últimos anos tem havido uma grande transformação na maneira como aqueles que ficam vivos encaram a morte dos entes queridos. Quando eu era novo o luto era muito exteriorizado. Havia muita gente a gritar e a chorar, e os familiares mais próximos tinham que vestir de negro. Havia mesmo tempos marcados, creio que pelo costume em cada comunidade, para cada um andar vestido de luto. Algumas pessoas chegavam a pagar a mulheres para irem gritar e chorar nos funerais.

Os tempos mudaram e agora o luto é muito mais interior do que era dantes. Talvez por isso, também muito mais difícil.

Há três ocasiões em que a morte, e o luto respetivo, é aceite mais facilmente: quando a criança morre à nascença, (caso felizmente cada vez mais raro); quando a pessoa morre na sequência de uma doença prolongada e muito dolorosa e que a medicina ainda não consegue curar; e quando a pessoa morre de velhice (esta, por ser a única morte que é natural, é a que se aceita melhor).

Mas quando a morte atinge pessoas na flor da idade, pessoas com uma enorme alegria de viver, pessoas que têm todas as condições para serem felizes e contribuírem para a felicidade dos outros, nestes casos é muito difícil aceitar estas mortes e por isso o luto é sempre muito mais difícil. E quando queremos encontrar uma explicação para acontecimentos que ninguém pode explicar, então ainda mais difícil se torna.

Na minha família aconteceram várias mortes difíceis de aceitar. Nunca é possível substituir uma pessoa que morreu por outra. A vida dos que ficam vivos sofre sempre uma grande transformação. Agora foi mais uma. A Inês ainda estava no começo da vida. Mas surgiu o desastre, que nunca está programado, mas que tudo transforma.

Cada pessoa reage de maneira diferente. Mas há reações positivas e reações negativas. Reações negativas são aquelas que nos tornam infelizes e que contribuem para a infelicidade dos outros. Reações positivas são aquelas que nos fazem transformar o desastre em acidente; que nos fazem aproveitar o acidente para ser mais um ponto de partida no sentido de sermos cada vez melhores; ser ponto de partida para aumentar a nossa determinação na luta por uma sociedade mais justa, mais livre, mais fraterna. Não interessa o que temos, interessa o que somos.

Nelson Mandela morreu. Cumpriu bem a sua missão. Os grandes deste mundo, aqueles que têm muito, foram exibir a sua hipocrisia. Prestar homenagem a Nelson Mandela, seria tentar pôr em prática as políticas pelas quais ele sempre lutou, arriscando nisso a própria vida: criar condições para a igualdade, para a liberdade e para a fraternidade entre todas as pessoas da terra. Os grandes deste mundo fazem exatamente o contrário. São hipócritas. São mentirosos.

A Inês não teve tempo para viver. Cabe-nos a nós, que estamos vivos, prestar-lhe a homenagem que ela merece. Sem mentira nem hipocrisia. Porque hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas.

Actualizado em ( Quarta, 08 Janeiro 2014 12:46 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições