o riachense

TerÁa,
23 de Abril de 2019
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

O aparecimento duma igreja (que era velha e j√° morreu)

Enviar por E-mail Vers√£o para impress√£o PDF
 
"Aos sete dias de fivireiro era de 1656 resebeo o padre manuel fernandes com licensa do reverendo prior e do vigairo geral a Amtónio Rodrigues com Maria Ribeira em a ermida de Santo Amtónio sita nos casais dos riachos forão padrinhos jorge dias e joão de figeiredo madrinhas Luiza Amtunes e Margarida Rodrigues de que fis este termo que asinei o Licenseado Manuel falardo" .
 
Este é o texto mais antigo que consegui encontrar onde aparece referida a igreja velha, decidi transcrevê-lo na ortografia original (com as abreviaturas resolvidas) por me parecer que é totalmente legível e sempre fica pelo pitoresco.
 
Dele ficamos a saber que, para além do facto de a igreja estar a funcionar naquela data, ela se situava nos casais dos Riachos, pelo que se pode assumir que a localidade nasceu ali à volta do largo onde a dita igreja existiu, devendo contar nesta época com cerca de 50 famílias, talvez 150 pessoas, faltando acrescentar que a primeira vez que num registo paroquial é mencionado um individuo morador nos casais dos Riachos é em 1623, e antes dessa data apenas existem referências ao porto e quinta da várzea, quinta do minhoto, quinta do melo e valada, os restantes registos referiam simplesmente moradores no espargal, como quem diz algures no meio do matagal de espargos. O resto desta povoação, tipicamente dispersa, foi aparecendo e foi-se ligando a este centro ao longo dos tempos, mas a isso espero voltar noutra oportunidade. 
 
O primeiro baptismo registado na capela dos Riachos aparece em 1866 e com regularidade em 1872, o que coincide com uma das datas em que ter√£o terminado as beneficia√ß√Ķes de 1871, de acordo com Jos√© Gon√ßalves (Mem√≥ria Crist√£ de Riachos, 1999, p. 16). Entretanto voltam a rarear nos anos seguintes e reaparecem em 1883, com o seguinte texto "Aos tr√™s dias do m√™s de Outubro do ano de mil oitocentos e oitenta e tr√™s nesta Capela p√ļblica do lugar dos Riachos da freguesia de Santiago..., cuja Capela tem uma Provis√£o de licen√ßa concedida pelo... Cardeal Patriarca... de trinta de Novembro de mil oitocentos e oitenta e dois, em que autoriza a administra√ß√£o de todos os sacramentos, ainda o de Baptismo e Matrim√≥nio aos moradores do dito lugar dos Riachos..." . Os baptismos s√£o interrompidos entre 1902 e 1907, coincidindo com as obras de amplia√ß√£o referidas na p. 21 da obra atr√°s citada. A partir de 1907 s√£o raros os casos em que os moradores dos Riachos levam os filhos a baptizar na igreja de Santiago, pelo que se pode concluir que as obras levadas a cabo na capela a ter√£o dotado das condi√ß√Ķes necess√°rias para servir a nova freguesia dos Riachos que se pretendia "... por desmembramento da de Santiago de Torres Novas...".
 
Vamos agora voltar ao ano de 1600 e imaginar que umas poucas dezenas de fam√≠lias come√ßaram a levantar a capela, depois os filhos deles e outros que se vinham juntando √† nova aldeia, provavelmente durante d√©cadas. Depois foi uma espera de mais de 200 anos para que ela tivesse licen√ßa para realizar todos os actos habituais duma infraestrutura deste tipo, e gastar mais umas d√©cadas, dinheiro e trabalho de muitos outros para a transformar numa igreja que, por fim, viesse proporcionar o objectivo que se perseguia h√° 300 anos de n√£o ter de calcorrear uma l√©gua para l√° e outra para c√° para cumprir com todas as obriga√ß√Ķes que a religi√£o impunha.¬†
 
O resto da hist√≥ria √© simples, veio a rep√ļblica em 1910, a lei de separa√ß√£o das igrejas e do estado em 1911 e em 1942 foi entregue, com depend√™ncias e recheio, √† f√°brica da igreja que a ter√° trocado pelos terrenos onde foi constru√≠da a igreja nova. A c√Ęmara de Torres Novas, tradicionalmente conhecida por deitar abaixo tudo quanto havia de antigo, decidiu que a tal capela, que era do povo, devia ir abaixo em nome de n√£o sei o qu√™. O enterro foi em 1965.¬†

1 - Registos paroquiais da freg. de Santiago de T. Novas, livro M6, fol. 41v. O catálogo dos livros de Santiago pode ser pesquisado em http://digitarq.dgarq.gov.pt/, usando a ref. PT/ADLSB/PRQ/PTNV14 
2 - idem, livro B34, fol. 40. 
Actualizado em ( Sexta, 07 Fevereiro 2014 12:22 )  
{highslide type="img" height="200" width="300" event="click" class="" captionText="" positions="top, left" display="show" src="http://www.oriachense.pt/images/capa/capa801.jpg"}Click here {/highslide}

Opini√£o

 

António Mário Lopes dos Santos

Agarrem-me, sen√£o concorro!

 

Jo√£o Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria