o riachense

Quinta,
15 de Novembro de 2018
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Água é comida

A ingestão de água em qualquer forma é universalmente reconhecida como essencial para a vida humana. Mas normalmente não a consideramos como alimento porque não contém, regra geral, qualquer das substâncias que reconhecemos como nutrientes. Mas, se hoje o seu estatuto permanece ambíguo, no passado foi-o ainda mais, tendo sido considerada ao longo dos séculos como alimento, medicamento, elemento primordial, entidade espiritual ou quase sobrenatural.
 
Acrescentando à reflexão de Einstein, quando este disse que não sabia como seria combatida a terceira guerra mundial, mas sabia como seria combatida a quarta – com paus e pedras – podemos assumir que um dos motivos, se não o principal motivo, para a eclosão de qualquer dessas guerras será o acesso à água.
 
A distribuição desigual da água no planeta representará um papel central na política global dos próximos anos e, em 2030, poderá ser, para além do petróleo, o factor determinante no sucesso económico das nações e na forma como estas se relacionarão entre si.
A distribuição é muito desigual. Repare-se por exemplo no caso da China, com 18% da população mundial e apenas 8% da água do planeta. Ou o do Médio Oriente, que já sofre de sérios problemas de disponibilidade de água e onde se prevê que a população duplique nos próximos 40 anos. Some-se a isto os impactos das alterações climáticas e a gravidade da situação torna-se mais perceptível.
 
Os especialistas prevêem que dentro de duas décadas, a procura por água aumentará 40% em relação aos dias de hoje, e mais de 50% nos países com mais rápido desenvolvimento… mas com países como a Índia, por exemplo, a sofrerem uma desaceleração brutal do seu crescimento, pela falta de água devida à sobre-exploração do seus aquíferos e ao consumo crescente da sua população, e com outros países como o Canadá, o Chile ou a Colômbia a tornarem-se “magnatas da água” graças às suas abundantes reservas de água.
 
Porque não há dúvidas, a água será mais importante que o petróleo… simplesmente porque não há alternativas. Precisamos de água para a vida, precisamos de água para a comida. A agricultura é responsável por cerca de 70% do consumo global de água.
 
Para nós, enquanto indivíduos e comunidade, a gestão da água tornar-se-á uma questão substancial das nossas vidas. A protecção dos recursos hídricos, a redução do consumo e a reutilização da água tornar-se-ão cruciais à nossa sobrevivência e sucesso económico. E esta escassez da água irá atingir-nos na carteira também: o preço da água em todos os sectores da actividade agrícola e industrial, bem como a de utilização doméstica, aumentará exponencialmente. E os donos da água vão com toda a certeza extrair o máximo valor económico possível desse seu bem. Porque a água tem donos. E basta relembrar a vergonhosa e potencialmente criminosa gestão que Espanha está a fazer da água do Tejo para percebermos que a água tem donos…
 
Como bem sabemos e recordamos de tantos e tantos incidentes, por vezes com consequências fatais, entre vizinhos, por força de um ribeiro desviado ou de uma represa pouco solidária, as tensões que esta situação pode criar, levam-me a aceitar que as “guerras da água” serão uma realidade dentro de décadas. Se os caminhos seguidos continuarem a ser os mesmos, o desespero poderá muito bem forçar nações ao conflito armado.
 
E nós, à beira-rio plantados, com a água a entrar-nos pelos olhos adentro quase todos os invernos, nem lhe devotamos um segundo de pensamento. Protestamos contra preços exagerados, permitindo ainda que se regue o alcatrão das rotundas no inverno, que se contaminem os lençóis de água com fertilizantes, pesticidas e descargas industriais selvagens, que não se reutilizem as águas descarregadas das ETAR - pelo simples motivo que as ditas ETAR funcionam mal e porcamente (literalmente).
 
Preocupamo-nos horrores com os Miró do BPN e nem nos preocupamos com Espanha que nos rouba a água que também é nossa e que é fundamental para a nossa vida e para a nossa economia.
 
A água é um bem essencial escasso, e como tal deve ser considerada em todas as fases da sua utilização. Só quando começarmos a definhar de sede é que nos lembraremos desse conceito fundamental, o dos “factores limitantes”. Mas valia a pena pensar nisto. Já. Agora.

Actualizado em ( Quarta, 05 Março 2014 12:56 )  
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