o riachense

Domingo,
30 de Abril de 2017
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O inverno da humanidade não durará sempre 

Por muito que se tente transformar a realidade em ilusão, aquela, mais cedo ou mais tarde, entra no ringue do boxe e põe K.O. os ilusionistas. O regresso de Miguel Relvas ao poder político no PSD é um exemplo que leva muitos teólogos que por lá pregam a assobiar para o lado. Marcelo Rebelo de Sousa, que soube ir dar uma bofetada a Passos Coelho no Congresso, o menino tenha juizinho, o candidato a Presidente da República sou eu e só haverá outro, se eu fizer birra e preferir continuar o monólogo domingueiro na TVI com a Judite de Sousa, muito profícuo para meninas casadoiras da burguesia neo-liberal da linha de Cascais, pelo calor professoral das suas inteligentes (não o nego) meninges muito retorcidas. Marcelo, como sempre, disfarça, como sempre desmente. Como sempre, sai dum avião e zaz: pôs o plenário em euforia e Passos com o rabinho entre pernas. Judite, muito gentil, sorri.

Já em relação ao PS costumo seguir as suas minudências opinativas pelos canais do cabo, porque os genéricos prosseguem um único objectivo: dar cabo da já pouca resistência, dos telespectadores, ao amorfismo.

Mas, como o meu nacional é sempre exemplificado pelo local, basta-me ler na imprensa concelhia as polémicas surgidas na Assembleia Municipal do concelho de Torres Novas, provocadas pelo seu ilustre presidente socialista, ou as evasivas do actual Presidente da Câmara, quando lhe colocaram em sessão pública, como é que um antigo vereador socialista recebe uma avença durante doze anos e a entidade que o contrata e paga nunca ter pedidos relatórios do trabalho sobre a Carta Arqueológica que lhe estava encomendada. Li a intervenção da vereadora da CDU, a 12, neste jornal, e só a 28 foi retomado pelo Jornal Torrejano. E fico-me a pensar se estas situações nunca chegam ao conhecimento do Ministério Público? E se chegam, que faz ele?

Não sei se o PS, com exemplos locais destes, vai conseguir o que deseja nas eleições europeias. A distância confortável que hoje as sondagens lhe garantem em relação ao PSD não lhe permitem navegar muito à bolina, com tantas correntes dentro do partido a fazer-lhe figas e a lançar-lhe bruxedos. Será que o destino de Seguro está exactamente na sua insegurança? No deixar andar? No defender-se como alternativa ao governo neo-liberal de Passos /Portas, mas sem se saber coerentemente o que isso significa? A desejar que o tempo passe e, nas próximas eleições, o povo lhe dê o voto, não pela sua acção, a sua defesa, a sua coragem, o seu programa claramente claro, mas porque é natural que um povo explorado até ao osso não vá votar (sei lá se vai, Seguro?) nos que o desgraçaram, empobreceram, expulsaram da pátria, conduziram ao suicídio, ao abandono, à miséria, à sopa caritativa dos sempre misericordiosos. E os votos o transformem em primeiro ministro, que irá, como aconteceu na Alemanha com os sociais-democratas, projectar uma política de centro/direita com o PSD, libertando-se dessa mosca varejeira de pouca importância e muita soberba, que é o CDS de Paulo Portas.

Nem todos os partidos são iguais e basta ouvir falar em arco da governação para se perceber o que significa para os portugueses o regresso aos mercados, com a ajuda dos angolanos, chineses e brasileiros, paulatinamente, os nossos novos patrões nacionais. A Troika exige que os vencimentos ainda devam descer, que os reformados sejam mais roubados, que o desemprego pode continuar, porque lhe garante mão d’obra barata. Mas o FMI paga bem a quem o serve. E a Senhora Lagarde premiou o ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar com o cargo de director do departamento dos assuntos orçamentais da instituição. A transformação dum país numa feira da ladra tem o seu preço e o seu prémio. É pena que a imprensa tão preocupada com as liberdades democráticas da extrema-direita na Ucrânia, não diga quanto é que vai ganhar, como paga da sua intervenção ao serviço dos credores internacionais.

O problema é que esses partidos fora do arco da governação, à esquerda do PS, não conseguem uma unidade, mesmo conjuntural, para uma intervenção firme não só nas campanhas eleitorais, mas na intervenção política e social. 

Servem para o protesto, não para o governo? 

A geração que resistiu ao fascismo celebrou Abril, acreditou numa revolução dos cravos, vê-se hoje, no fim dum longo processo de luta contra o retrocesso social, sem sucessores.

Mas, ainda que céptica, ainda que resistente, ainda que perto da saída de cena, não consegue ultrapassar as suas dissidências, os seus fantasmas. Mitifica o passado numa eclésia laica, aí venera os seus santos e divindades, sem dar o braço a torcer no que, ela própria, é co-responsável dos próprios fracassos. O que se passa no mundo, o que se passa no país, deveria abrir à esquerda novos caminhos. Aprende-se com os erros, mas deve-se aceitar o erro, a necessidade da mudança. A Europa dos povos está a aprendê-lo da forma mais dura. Desunidas, as esquerdas europeias servem os mandantes de sempre - os que, unidos, as exploram. O retorno do racismo, da supremacia duns países sobre os outros, são faces duma crise muito profunda, que lavra e poderá explodir de forma violenta.

2 de Março de 2014 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quarta, 05 Março 2014 12:58 )  

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