o riachense

Quarta,
16 de Agosto de 2017
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Até parece que os mercados não sabem o que se passa na economia portuguesa!

 A 12 de Março de 2011 a manifestação da geração à rasca colocou na rua cerca de meio milhão de pessoas. Três anos depois os seus promotores sofrem na pele o problema básico dessa manifestação: a precariedade. Um deles, Paula Gil, 29 anos, comenta: roubaram-nos os sonhos. 

Talvez não seja por acaso que, a meses das eleições europeias, 70 individualidades, da esquerda à direita, publicaram um manifesto, defendendo a reestruturação da dívida pública de forma a permitir o crescimento sustentado da economia, apresentando para isso três condições essenciais: abaixamento da taxa média de juro do stock da dívida, alargamento dos prazos de pagamento e reestruturar a dívida acima do 60% do PIB.

Na manhã de hoje a rádio invadia a minha privacidade com mais um discurso zangado do primeiro-ministro Passos Coelho, considerando o manifesto como a negação do sucesso da sua política de extermínio populacional, defensora dos novos milionários, da agiotagem dos bancos, da rapina dos bens nacionais pelo capitalismo selvagem das empresas multinacionais, e dando aos mercados (a palavra contemporânea da vampirização denunciada pela célebre canção de José Afonso) indicações comprometedoras para o grande sucesso da sua política, podendo o país, com esta defesa, pode fazer retroceder o país três anos. O FMI, etc, vieram logo apoiar o primeiro-ministro português, já que desejam, para estas eleições europeias, transformar o caso luso num sucesso de última hora, mesmo que a dívida pública seja algo cada vez mais revelador da política deste governo.

Mas nem uma palavra sobre os 48 mil milhões de euros a pagar até 2017 que serão, aos juros actuais, o que se tem de pagar como reembolso da dívida. Donde sai essa verba? Das empresas sediadas na Holanda? Das contas bancárias abertas nos paraísos fiscais? Dos lucros dos bancos? Da economia paralela cuja fuga ao fisco atinge os 35% ? Das mordomias dos cargos políticos e para-políticos criados para os boys nas administrações, nos associações de advogados, nas fundações, no mundo da informação, nos cargos a cargo do Governo, num sem mundo de organismos que mais não são que o pagamento de favores partidários?

 Tenho à frente do olhar a minha declaração de IRS e a resposta às perguntas está nessa simples folha de papel A4 enviada pela Caixa Geral de Aposentações. Chama-se artº99,nº 1 do Código de IRS, Retenção, a que se associa Retenção Sobretaxa, artº 187, Lei nº66-B/2012. Acrescente-se as deduções, dos subsistemas de Saúde, a que se acrescenta a Contribuição Extraordinária de Solidariedade. 

E como o Presidente da República Cavaco Silva já promulgou a nova (mais uma) Contribuição Extraordinária de Solidariedade, sem necessitar duma posição da legalidade de tal medida, da parte do tribunal constitucional, promulgou com a  assinatura presidencial a continuação do roubo dos reformados e pensionistas e a política governamental do empobrecimento da população portuguesa. Não se lhe ouve, contudo, uma palavra sobre as comissões que os bancos aplicam às contas à ordem dos pequenos aforradores, nem a venda do país ao capital estrangeiro, nem a menor crítica aos seus antigos correligionários indiciados por sucessivas fraudes na banca. 

Permita-se-me, como cidadão, repudiar a ética de quem, no cargo que ocupa, não consegue ser o presidente de todos os portugueses, mas apenas um protector do governo do centro/direita liberal e das suas políticas de destruição da sociedade portuguesa, a mando dos especuladores e da política alemã da senhora Merkl.

 O país a que preside não é, de facto, o país por que lutei no passado e desejo diferente e mais solidário nos difíceis dias de hoje, em que o Estado Social seja uma realidade e não uma feira da ladra, onde se vende, em nome do Euro, a saldo, os bens nacionais. 

Tenho, em cima da mesa de trabalho, A Pátria, de Guerra Junqueiro. Nela, um ministro regenerador do rei D. Carlos, alertava:

 

A miséria é lama, é sangue e é pranto

A fermentar em crime e em veneno. Portanto

Precisa esgoto. Quer-se um esgoto e despejá-la

Continuamente num porão ou numa vala. 

Emigrar ou morrer, degredo ou cemitério. 

O hálito da pobreza imunda é deletério.

 

Os dois mundos, o do poder e o do povo, aproximam-se muito hoje do que Junqueiro denunciou no seu poema de crítica ao poder da monarquia. Mas os media nacionais são hoje as girândolas no ar e a música na rua às ordens dum governo para iludir o povo. 

Já hoje vi de relance quase trinta intervenções do primeiro-ministro nos diversos noticiários da rádio e televisivos. De relance, explico-o, porque sou surdo à demagogia das suas intervenções. 

Já chega o que me rouba. Já chega o que fez à geração à rasca. Já chega o que fez ao meu país. 

Já chega de regresso da inquisição.

13 de Março de 2014 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 13 Março 2014 14:35 )  

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