o riachense

Quarta,
16 de Agosto de 2017
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Tanta mentira em tão pequeno país!

Não sei se os autarcas do concelho de Torres Novas participaram na reunião onde se debateu o envelhecimento da população e o despovoamento do território.

Mas gostaria de saber, se participaram, o que reclamaram. O envelhecimento da população? O encerramento das escolas, dos postos de saúde, dos serviços postais? A eliminação de parte substancial das carreiras públicas entre a cidade e as freguesias? A municipalização política das escolas da cidade, com directores nomeadas segundo a sua cor partidária? A destruição real, efectiva, do Hospital de Torres Novas, secundarizado em relação a Abrantes e a Tomar? A deslocação, sem capacidade material, dos doentes e famílias, para os hospitais dessas cidades, com gastos vastíssimos em despesas de deslocação, taxas moderadoras, serviços de urgência e outros cheios de tarefeiros pagos a empresas privadas, onde os seres humanos se transformam em números de estatística e os velhos em gastos inúteis, por isso dispensáveis? E, anos depois da destruição concretizada, nenhum hospital funciona bem, nenhum tem os médicos e enfermeiros necessários, nenhum tem remédios, equipamentos, material clínico, transportes, suficientes? 

A cidade histórica em ruínas? O associativismo a tentar sobreviver à custa da solidariedade cívica e do empenho dos seus associados? A arte, a música, a literatura, o teatro, o património, transformados em filhos pobres, com publicações à custa do esforço alheio, gratuito, sem nenhum apoio, contra as viagens presidenciais a Cabo Verde e a Timor com resultados para quem? E os livros sobre o tema, quem os edita e paga? Edifícios municipais em obras contínuas, com multas que os munícipes sentem no pelo, como se fossem os réus dos processos que a autarquia deveria enfrentar, se a justiça fosse algo, outra coisa, que esta de deixar os ricos e os políticos na excepção?

Foram à reunião dizer que durante vinte anos contribuiriam de forma decisiva para o abandono, o envelhecimento, o despovoamento, o empobrecimento da cidade e do concelho? O vosso empobrecimento?

Egas Moniz assumiu as culpas de Afonso Henriques e foi com a família, de corda ao pescoço, lavar a sua honra contra a escassa do seu candidato a rei de Portugal. Começou mal o país. 

E, hoje, os que governam, seguem mais o Afonso que o Egas Moniz. O povo é este. O governo, a presidência, A Assembleia da República, os partidos políticos, são filhos, legítimos ou não, do fundador. O povo, esse sim, também de corda ao pescoço, mas infelizmente sempre à espera dum badameco dum D. Sebastião, que nunca serviu senão para os seus caprichos amanteigados pelo jesuitismo. 

Marcelo Rebelo de Sousa, no domingo passado, no seu monólogo de pitonisa com a cada vez mais jovem Judite de Sousa - se não se precata, após o divórcio, ainda chega à adolescência - teve o rebate de consciência, ao vir ao tema a palavra desemprego e empobrecimento da classe média, de se autoconsiderar um privilegiado, a quem as mexidas no bolso do Governo laranja não incomodam. Pudera! Quanto ganha e onde, por mês, além do seu vencimento do professor universitário, Marcelo Rebelo de Sousa? Quantos da sua família, por necessidade, emigraram? Quantos estão inscritos nos centros de emprego? Fica-lhe bem reconhecer o estigma da diferença, num país adiado, também á sua custa. Mas nada remedeia. O povo vive noutras tabernas, a sua universidade foi a do esforço, desde a saída da infância por um salário de sobrevivência. Como podem os Marcelos empobrecer?

Regresso ao início. Foram, senhores autarcas do meu concelho, nessa reunião, declarar-se culpados, por mediocridade, por salve-se quem puder, do que destruíram?

Trazemos nos pulsos as marcas das algemas com que nos levam ao mercado de escravos, que é a indigência, a misericórdia, a desfaçatez, a sobranceria, o autismo.o que os leva mais céleres a Cabo Verde, à Roménia, a Timor, à volta ao mundo, que à consciência crítica do falhanço e fraude locais.

Com que percentagem se declaram poder absoluto e continuam a mesma senda que, nacional, Coelho e Portas desejam, e pangermanista, Merkl inscreve o seu novo Mein Kempf para os países do Sul da Europa, à custa da exploração da pobreza e do sofrimento desses povos?

O meu desejo já não é um 25 de Abril, mas outra coisa, mais dura, mais agreste, mais incomodativa. 

Não é possível perdoar a quem nos humilha e explora. Não é possível, povo.

3 de Abril de 2014 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 03 Abril 2014 14:06 )  

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