o riachense

Terça,
23 de Abril de 2019
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O Lagar Novo e os limites para sul

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Carlos Manuel Pereira 

Por volta de 1754,o doutor Francisco António de Sousa Cid, da quinta do Minhoto, terá mandado fazer um lagar no sítio que, por acaso do destino, conserva ainda o topónimo de Lagar Novo . Eu sei que acaso e destino são a mesma coisa. Mas, segundo me disseram, terá sido mesmo por um acaso, um acaso do destino, que um nome com mais de duzentos anos não foi parar ao lixo. Adiante, vamos ver como surgiu o nome.
 
“Em os doze dias de Março de mil setecentos e cinquenta e quatro anos baptizei... a José filho legítimo de Luís Antunes e de sua Mulher Maria Rodrigues naturais desta freguesia e moradores ao Lagar novo...”  e, à margem do assento, o padre acrescentou “Casal do Lagar”. Não diz o registo aonde fica este Lagar novo e no assento do baptismo de mais um filho daquele Luís Antunes, em 1762, aparece simplesmente “... moradores no Casal novo...”. Finalmente, no ano seguinte, aquando do casamento da filha mais velha do mesmo Luís Antunes, o assento diz que “... se receberam José Rodrigues [Castelo]... do lugar dos Riachos... com Isabel Maria filha de Luís Antunes e de sua mulher... moradores no casal do Lagar novo, limite do lugar dos Riachos e também desta freguesia...”. 
 
Ficamos, sem qualquer dúvida, a saber que se trata do mesmo Lagar Novo que nós conhecemos, ali junto à estação, confirmado em 1765, “... baptizei... Ana filha de Manuel António natural da quinta do Melo junto aos Riachos... foram Padrinhos António Lopes Sapateiro morador no seu casal novo junto ao Lagar do Dr. Francisco António...” e em 1773, “... baptizei a José filho de António Lopes [Sapateiro] e de sua Mulher Venância Maria... moradores no seu Casal junto ao Lagar Novo por baixo dos Riachos... foram Padrinhos Manuel Rodrigues dos Riachos e Maria Joaquina Mulher de Manuel Pereira da quinta do Minhoto...”.
 
Até cerca da década de 1830 apenas se registam eventos relacionados com descendentes das famílias dos ditos Luís Antunes e António Lopes. A partir de então, com a chegada do comboio, o lugar cresceu rapidamente até atingir cerca de 30 famílias nos finais daquele século.
Para além das quintas do Minhoto e do Melo, aparecem referidos para as bandas do sul, os seguintes casais (entre parêntesis a data da primeira ocorrência nos registos paroquiais da freguesia de Santiago):
 
• Castelo Velho (1539) e Porto da Várzea (1540).
• Casal da Raposa “ao porto da Várzea” (1674).
• Casal do Seco“que era o dos Apóstolos junto à quinta do Minhoto” (1668).
• Casal da Fonte do Pote (1671), Casal do Magro (1690) e Casal da Volta (1756).
• Casal do Lavra (em 1704 designado por casal do Desembargador e em 1722 chamado casal de Manuel Lopes do Lavre).
• Casal dos Pinheiros (1638) e Casal das Maias, “junto ao casal dos Pinheiros” e que veio a ser incluído no Lagar Novo (1728).
 
Voltando às famílias que “inauguraram” o Lagar Novo. Lembram-se do artigo do mês passado que falava nos nomes dos filhos de Manuel Lopes e Sebastiana Nunes? Este Manuel Lopes foi o filho mais velho do sobredito António Lopes.
 
Dos descendentes de Luís Antunes e Maria Rodrigues , vou destacar o filho Tomé Rodrigues que foi pai de Manuel Rodrigues Tomé que foi pai de António Tomé (repare-se na evolução do apelido, de Antunes e Rodrigues até ficar apenas Tomé). Deste António Tomé, em linha recta, sucederam-se três gerações de barbeiros, o filho José Luís Tomé, o neto Manuel Tomé e o bisneto  que continua em actividade). Do mesmo António Tomé descenderam, por via da filha Maria Amada casada com José Madeira), os netos José e Manuel Tomé Madeira, igualmente barbeiros e que partilhavam o mesmo estabelecimento, do qual fui freguês. Lembro-me perfeitamente de ver o Manuel, que era mudo, a “discutir” acaloradamente os resultados do futebol ou do ciclismo, enquanto o irmão José, com uma atitude sempre compenetrada e um ar circunspecto, o mandava, insistentemente, calar...

1- Ver opinião de A. Chora Barroso: 1954, Riachos – Terra do Ribatejo, monografia, p. 13.
2- As frases em itálico são extractos dos registos paroquiais.  
3- Deles descende a minha bisavó Maria Quitéria, mulher de Francisco Pereira Singeleiro. 
4- Todos saberão de quem se trata. Porém, devo omitir o nome pelo direito à privacidade. 

Actualizado em ( Quarta, 07 Maio 2014 11:37 )  
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