o riachense

Sexta,
17 de Novembro de 2017
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E agora?

Portugal atravessa neste momento uma das maiores crises políticas, sociais e económicas dos últimos quarenta anos.

Sente-se hoje em Portugal um descrédito generalizado nas instituições democráticas e nos agentes políticos. Esta falta de credibilidade dos governantes afasta cada vez mais os cidadãos da intervenção e da participação pública.

Na história da nossa democracia nunca tivemos um Presidente da República tão pouco respeitado e ridicularizado, que está envolvido em polémicas mal esclarecidas com o escândalo do BPN, que atribuiu à Nossa Senhora de Fátima os resultados da sétima avaliação da troika, que diz nunca ter lido um livro de Saramago, que nunca usa o cravo vermelho no dia 25 de Abril, que nunca tem dúvidas e raramente se engana, que fala em Dia da Raça no 10 de Junho, que enche a boca de bolo rei para não responder a perguntas dos jornalistas, que confunde Thomas Mann com Thomas More, que enquanto primeiro-ministro recusou a atribuição de uma pensão à viúva de Salgueiro Maia (concedendo-a sem qualquer pudor a um ex-pide), que votou na ONU uma resolução contra a libertação de Nelson Mandela e que agora defende e aguenta, com unhas e dentes, o actual Governo mais troikista do que a troika.

Como resultado da sua baixa popularidade, o Chefe de Estado tem pavor dos assobios e apupos e medo da ira e revolta do povo, foge dos contactos próximos com as populações, fazendo as raras aparições públicas rodeado de seguranças. Para além da falta de sentido de Estado, da mediocridade e da figura de pacóvio (só comparável a Américo Tomás), revela uma latente cobardia política.

Os próximos tempos serão decisivos e terão uma importância sem paralelo nos últimos anos.

Está em causa o futuro do nosso regime democrático tal como o conhecemos, composto de democracia política, económica, social e cultural. Sem uma democracia económica, social e cultural não poderá haver uma democracia política forte e consolidada.

O mal está aí outra vez. A fome, o frio e o medo voltaram. Voltaram os dogmas e o pensamento único. Instalou-se o economês neoliberal dos talibans da Goldman Sachs e da Escola de Chicago.

Os indicadores sociais agravam-se diariamente, com destaque para as elevadas taxas de desemprego. Os níveis de pobreza aumentam assustadoramente. A classe média perde cada vez mais poder económico, ao mesmo tempo que crescem as desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres. Somos o país da Europa com a maior desigualdade social. A economia não alcança os níveis de competitividade e eficiência necessários para um crescimento sustentado. A situação orçamental continua muito grave. A geração mais jovem não tem esperança nem perspectivas de futuro. Os mais idosos, que representam uma parte cada vez mais significativa da população, vivem maioritariamente com reformas que não chegam para as necessidades básicas.

Assistimos agora em Portugal ao maior ataque de sempre à Escola Pública, à Segurança Social e ao Serviço Nacional de Saúde.

É preciso moralizar o Estado e as funções públicas dos governantes. É preciso credibilizar as instituições democráticas e dar seriedade e sentido ético à actividade política. É preciso combater a pobreza e a exclusão social.

Portugal precisa de recuperar a confiança, o optimismo, a coragem e o respeito por si próprio.

É preciso uma mais justa repartição da riqueza, solidariedade e coesão social, preservação e consolidação dos serviços públicos.

Portugal precisa da subordinação efectiva do poder económico ao poder político.

Ninguém quer que o 25 de Abril seja uma data inofensiva no calendário…

Actualizado em ( Quinta, 24 Abril 2014 12:37 )  

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