o riachense

Quinta,
22 de Junho de 2017
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A queda da Europa

O actual Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, quando era Primeiro-Ministro de Portugal, em 2002, afirmou que a Europa se assemelhava a um avião sem piloto nos seus comandos. Hoje, passada mais de uma década, a Europa está em queda vertiginosa e em risco de se despedaçar.

Os movimentos nacionalistas, xenófobos e de extrema-direita, que defendem o fim da União Europeia, ameaçam ganhar as próximas eleições para o Parlamento Europeu em países com a importância real e simbólica da França, do Reino Unido e da Holanda. Noutros países, como na Alemanha, na Áustria, em Itália, na Grécia, na Bélgica, na Hungria, na Suécia ou na Eslovénia, atingirão elevados níveis de votação.

As taxas de abstenção em Portugal e na Europa serão muito significativas, revelando o alheamento e o desinteresse cada vez maior dos seus cidadãos no projecto europeu.

A campanha eleitoral em Portugal transformou-se numa espécie de ensaio para as eleições legislativas (num plebiscito ao governo, como alguém afirmou recentemente) e pouco ou nada se discute sobre as causas desta queda da Europa, sobre os riscos da sua desintegração e sobre as alternativas a este moribundo projecto europeu.

Os temas europeus continuam longínquos e ocultos para a generalidade dos cidadãos, que se sentem afastados dos centros de decisão e sem capacidade de influenciar a política europeia. E têm razão, diga-se. A falta de democracia na União Europeia, com a imposição de muitas decisões políticas construídas sem a participação dos cidadãos e dos seus representantes eleitos, bem como a falta de transparência dos objectivos políticos europeus, levou muita gente a considerar que a União Europeia era uma instituição não influenciável, nem controlável democraticamente. Se a isto associarmos a imposição diária e unilateral de musculadas políticas uniformizadoras em todos os sectores da vida e as rígidas exigências económicas, orçamentais e fiscais, estão criadas todas as condições para o crescimento da abstenção e do desinteresse, numa primeira fase, e das ideologias nacionalistas e xenófobas, num segundo momento.

Apesar da grave crise política, económica e financeira, a Europa ainda é a região do mundo com mais bem-estar económico, com mais democracia, com mais respeito pelos direitos humanos, com mais direitos sociais e com melhores políticas ambientais.

Se vier a verificar-se, a desintegração europeia será uma tragédia económica para os seus povos e meio caminho para um novo conflito armado de grandes proporções.

Perante este cenário preocupante, é no mínimo estranha a desfocagem dos temas da campanha eleitoral das eleições europeias para os assuntos nacionais. O desastre está iminente e a orquestra continua a tocar alheada da realidade. Tanto mais que a solução da maioria dos problemas nacionais depende neste momento de políticas da União Europeia.

Partindo da tragédia da queda da Europa e da insustentabilidade da sua actual arquitectura institucional e política, João Ferreira do Amaral (JFA) e Viriato Soromenho-Marques (VSM) publicaram agora respectivamente os livros «Em Defesa da Independência Nacional» e «Portugal na Queda da Europa», onde abordam com rigor e profundidade esta problemática, procurando soluções e caminhos distintos para Portugal e a Europa.

João Ferreira do Amaral, mais pessimista e com menos esperança em qualquer rasgo ou golpe de asa político europeu, defende a reconfiguração da União Europeia e a recuperação total da soberania de Portugal, com a saída do euro e o reforço de competências e poderes políticos de cada Estado individualmente considerado.

Viriato Soromenho-Marques, mais optimista e exigente, reclama e mantém a esperança que a saída deste impasse seja efectuada com um aprofundamento da democracia da União Europeia, propondo uma solução federalista. Com a definição clara de um conceito de federalismo inovador, democrático e republicano, com Estados com iguais direitos e deveres e em que a Federação prossiga realmente o bem comum do Estado Federal.

Para VSM a solução que pode evitar a desintegração da Europa será, pois, a adopção de um sistema político europeu que não regrida para o nacionalismo soberanista dos Estados individualmente considerados, que apenas beneficiará os Estados mais fortes, e que, simultaneamente, ultrapasse esta solução de meias tintas e bloqueada em que nos encontramos, a meio caminho do individualismo estadual e de uma solução federal. A solução de regresso à soberania ilimitada (defendida por JFA) apenas seria válida no caso de fracasso ou impossibilidade da solução federal.

Os resultados eleitorais do próximo dia 25 de Maio ajudarão a entender melhor o destino desta queda da Europa, mantendo acesa a esperança ou oferecendo-nos apenas o cepticismo.

http://www.youtube.com/watch?v=XkqAAl9cW-k 

Actualizado em ( Terça, 20 Maio 2014 11:09 )  

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