o riachense

TerÁa,
26 de Setembro de 2017
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Polícia ou bombeiro. Professora, enfermeira ou bailarina

Viver neste mundo 
 
Quando se pergunta aos mais pequenos o que querem ser quando forem grandes as respostas s√£o tradicionalmente estas. Os meninos querem ser super-her√≥is e salvar as pessoas dos maus e de todos os perigos. Escolhem profiss√Ķes onde possam ser protectores e cuidar dos mais fr√°geis. As meninas tamb√©m querem ser cuidadoras, mas para al√©m disso, educadoras e delicadas. A imagem que t√™m dos pais reflectida numa profiss√£o.
 
Homens fortes, íntegros, salvadores e protectores. Mulheres doces, delicadas, graciosas, como bailarinas, que também educam, cuidam e protegem. Não é muito comum encontrar entre a pequenada aspirantes a consultores informáticos, a web designers, a instaladores e gestores de redes, a engenheiros biomédicos, a auditores financeiros ou a um grande conjunto de novas possibilidades que foram surgindo a par da evolução tecnológica e da globalização.
 
N√£o quer isto dizer que estas novas profiss√Ķes sejam menos importantes, antes pelo contr√°rio, a sociedade e a economia reconhecem o seu valor. S√£o prestigiadas e bem remuneradas.
 
O mesmo já não se pode dizer nos nossos dias a propósito dos professores, dos polícias, dos bombeiros, dos enfermeiros e dos artistas. Se actualmente é comum registarem-se queixas a propósito de baixos salários e cortes salariais já não é tão comum ver-se discutida a relação (que devia ser directamente proporcional) entre o grau de responsabilidade e risco e o valor auferido numa determinada ocupação. Tendo em conta a enorme responsabilidade envolvida nas actividades de um enfermeiro será possível que o seu rendimento ronde os 800 euros? E o que dizer dos polícias e bombeiros? E da precariedade que envolve os professores e os artistas? E de um actor ou bailarino que recebe apenas quando consegue trabalhos e que tenta dar umas aulas para sobreviver aos meses em que não tem projectos? E dos artistas sem qualquer protecção na doença ou na falta de trabalho e que vêem na figura dos recibos verdes roubada quase metade dos parcos rendimentos? E dos professores contratados que em maio ainda nem sequer viram publicado o aviso de abertura do concurso para o próximo ano lectivo?
 
Quem trata da educação dos filhos dos consultores informáticos, dos web designers, dos instaladores e gestores de redes, dos engenheiros biomédicos e dos auditores financeiros? Quem cuida deles quando adoecem? Quem patrulha o bairro onde vivem enquanto vão ao teatro? E quem protege a sua vivenda do avanço dos fogos florestais durante o Verão?
 
Como sociedade temos que exigir mais reconhecimento, e obviamente mais direitos, a estes profissionais. √Č poss√≠vel devolver o sonho aos nossos filhos. Para que possam ser pol√≠cias, bombeiros, professores, enfermeiros ou bailarinos e verem reconhecido o risco envolvido, a enorme responsabilidade, o esfor√ßo e a dedica√ß√£o da sua actividade sem terem que contar todos os tost√Ķes ao fim do m√™s.

Actualizado em ( Ter√ßa, 20 Maio 2014 11:14 )  

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