o riachense

Quarta,
20 de Junho de 2018
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Uma Europa germanofilizada

Quando a política europeia adopta o insulto como forma de propaganda, talvez esteja na altura de refundar o mundo em que vivemos. O PSD e o CDS não discutem senão o factual. Nem uma palavra para esta política de descalabro dos últimos dois anos, nem a mais breve reflexão sobre o papel de criados de servir da banca e indústria alemãs, sob a tutela da dama de ferro neo-bismarkiana com fome de poder , a cidadã Merkl. Aos candidatos da Aliança Portugal só lhes falta a Cruz de Cristo das caravelas dos escravos que vendíamos, como os restantes europeus, um pouco por todo o lado, em nome da modernidade do capitalismo. Só que, com a Inquisição perdemos a relação com o capital, ganhando em fé totalitária e cerviz curvada, o que os outros ganharam com Erasmo de Roterdão e mais tarde, Lutero ou Calvino. Não só um olhar diferente e mais plural sobre a fé, como uma modernização do pensamento científico, que em Portugal foi encerrado em masmorras , onde mais de catorze mil sofreram o suplício, a desonra, a abominação, tudo em nome duma religiosidade assente no poder não só sobre os corpos e as almas, como nos bens de mão morta e nos privilégios régios  . Ficou, desde então, um país enrodilhado na manta de trapos da resignação e do terror, as fronteiras fechadas por uma Espanha quase sempre hostil, ligada à casa de Áustria e , quantas vezes, à França, pelo nosso enredo de subserviência com a Inglaterra. Já não falo do que nos transformou em pátria pária dos grandes ,quando a Europa não passava de povos a quererem ser nações, mas o século XIX revela como , apesar do liberalismo com que se substituiu o absolutismo trauliteiro miguelista, nunca passámos da mula levada à arreata, ontem na Índia e no Brasil, naquele século em África, pelos mesmos comparsas históricos que hoje nos mandam a troika, o FMI, a Comissão Conservadora Europeia, onde Barroso traulita com toda arrogância dum MRPP convertido à conta bancária, esquecido do seu historial político na governança lusíada. E fica-nos sempre esse passado do século XX dum Salazar a assassinar um povo conscientemente analfabetizado em África, em nome dos interesses colonialistas dum grupo que soube unir, a partir do 28 de Maio, a cruz e a espada, com a bênção da bela dormecida das democracias europeias e americana. Sâo os seus descendentes, os seus lugares tenentes, os seus homens de mão, que nos venderam à Europa em nome da austeridade duma moeda , O Euro, mais falsa que Judas, pois ela é a alavanca pangermanista continuadora de Bismark, que Hitler desejava para um império de mil anos, e hoje o capitalismo neo-liberal germânico recoloca em toda a Europa de bruços como o seu feudo, com o euro, feito à imagem e semelhança do marco. Nâo há país que se aguente, nem fé que se teorize, num mundo à beira de colapso. Os países da Europa cerram-se ,abandonando os princípios da solidariedade e dos direitos sociais, como se ,ao fecharem-se no individualismo dos suas riquezas , algo mais atingissem que o seu próprio deslizar para o autismo . É isto que a aliança de Passos Coelho com Portas nos promete - é isto que Cavaco nos quer trazer da China . Um Portugal invertido. Não já a imagem decrépita do fim do império, mas uma imagem dum Portugal a brincar, um casino de Monte Carlo onde a Europa venha lavar os seus marcos, a troco dum mercado de escravos contemporâneos, para serviçais nos seus países. Duma Europa que ressuscita os campos de concentração com a mesma bonomia com que define políticas antidemocráticas, ao serviço de elites ao serviço dos ricos.

Quando no domingo for fazer a sua cruzinha no papel do voto, pense, meu caro concidadão, no que a cruzada Nun´alvares, perdão, a legião Salazar, perdão, a Aliança Portugal- Merkl, já lhe roubou,para pagar à banca alemã e francesa, aos interesses dos mercados especulativos , do seu vencimento, da sua reforma, do seu emprego destruído. E como se passou dum país duramente de Abril para um que, dizem os neo-capitalistas, angolanos, chineses, americanos, ingleses, alemães, outros menos às claras, mas na mesma vampiricamente esfomeados , é nosso, é nosso.

E vote, mais que não seja, pelos direitos cívicos ameaçados dos seus filhos. 

22 de Maio de 2014 

  Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Segunda, 26 Maio 2014 14:19 )  
{highslide type="img" height="200" width="300" event="click" class="" captionText="" positions="top, left" display="show" src="http://www.oriachense.pt/images/capa/capa801.jpg"}Click here {/highslide}

Opinião

 

António Mário Lopes dos Santos

Agarrem-me, senão concorro!

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária