o riachense

Quinta,
19 de Outubro de 2017
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Vá lá, o Ronaldo meteu mais um golo

Seguro pergunta-se: porque não consegui? Se ele, com tanta gente inteligente, da universidade, à igreja e à maçonaria, em seu redor, não atinge as razões duma abstenção recorde, e os votos possíveis do centro-esquerda desviados para o PCP e para a figura populista de Marinho Pinto, que posso eu dizer-lhe, além de lhe contar a velha história do espelho da madrasta da Branca de Neve, que não vê no espelho o que a desfeia, empurrando para os outros os defeitos que nela existem? Este país sobrevive, não vive, o contrário duma certa esquerda partidária que, devido aos seus cargos, aos seus subsídios, à sua promiscuidade, vive, não sobrevive. Admira-se Seguro que os votos esperados fossem para a abstenção? Quem sobrevive, não acredita numa esquerda que se senta à mesa do poder com a mesma à-vontade com que o tenta destruir. E isto, infelizmente, serve a toda a esquerda partidária portuguesa.

Quando se fala de corrupção, o povo sabe que ela se agita, tanto à esquerda, como à direita. È uma questão de ganância, não de ideologia. 

Creio que o PS nunca quis aprender isso, daí que a justiça seja esta coisa estranha em que tudo o que toma conta dos bens dos outros, até gosta dos tribunais portugueses, porque as suas vigarices prescrevem, em nome das leis que os seus representantes na Assembleia da República e no Governo fizeram aprovar para que os submarinos continuem na chacota da anedota, os Bancos uma telenovela onde amores e traições se substituem por contas por baixo da mesa e gordos cifrões em qualquer Suíça às ordens. 

 O povo sabe-o. Por isso deixou de votar nessa aliança de mercadores de contas falidas que é a Aliança Portugal, onde não sei quanto vale um PSD, nem um CDS que, nos cálculos que outros fizeram, vale pouco mais de dois por cento. E isto sem ignorar - só os políticos assobiam - que cerca ou mais de 75% se abstiveram, votaram branco ou nulo. Aos outros 25% cabe a vitória do PCP, a derrota do Bloco de Esquerda, um PS ganhador que, mal assentou a poeira do ridículo, se viu confrontado com uma dura reprimenda de Mário Soares e o avanço de António Costa a candidato a seu secretário Geraldo. 

Isto frente a uma direita a cair de podre em toda a Europa ante o avanço das trompetas do neo-nazismo a ganhar vitórias ou subidas de arrogância, em países bombardeados num passado não muito longínquo, pelo nazismo hitleriano, como a Inglaterra, ou praticamente ocupados e destruídos, como a Bélgica, a França e a Holanda. 

Não sei o que fazer à história, não sei como responder no futuro a esta desrealidade, eu que votei por protesto Bloco de Esquerda, mas o meu desejo era votar livre - não no LIVRE - numa esquerda unida que viesse do PS até ao MAS, que apresentasse um programa baseado em três pontos elementares: democratizar, desenvolver, distribuir.

 O desemprego, a emigração actual, diferente da do estado fascista-clerical de Salazar e Caetano, a dignidade da pessoa humana, seja criança, adulto(a), reformado(a), não pode estar dependente dum presidente que recusa o vencimento do cargo para que foi eleito, porque lhe não chega, dum primeiro-ministro de mão estendida à elite capitalista alemã, que escondeu sob as saias de Merkl os criminosos de guerra que, na indústria farmacêutica, na química, nas inovações tecnológicas, na especulação financeira, no mercado de armamento, continuam a reencontrar-se no clã Biedelberg, como decisores da lotaria planetária. Uma guerra além, uma fome acolá, um assassinato ali, um corte de empréstimos mais longe, um tea party com o Ku Klux Klan como açúcar, meia dúzia de idiotas a chefiar os partidos tradicionais, sob a bênção papal ubi et orbem. Países dirigidos como se fossem jogos de monopólios de trazer por casa. Anda no ar, sinto-o, o cheiro a pólvora duma possível terceira guerra mundial, entre os países ricos e países pobres, entre o Norte e o Sul, entre o Leste e o Oeste, entre as matérias-primas e as mercadorias, entre o restaurante de luxo e a miséria absoluta, entre o apelo à resignação e à desigualdade como destino e a raiva de quem se encontra no limiar da sua própria negação como indivíduo numa sociedade que o nega.

Neste Portugal dos Pequeninos, à esquerda, Seguro, o PCP, embandeiraram em arco. O Bloco meteu o cuzinho entre as pernas, o Livre fica à espera da próxima. Marinho Pinto faz de conta que percebe, mas creio que ficou mais à rasca do que contente. Os outros divertículos de esquerdas divertem-se nestes períodos e aburguesam-se nos restantes. 

O povo, que não acredita na direita, nem em Cavaco, nem em Passos, nem em Portas, mas também não nestas esquerdas que temos, as derrotadas e as vitoriosas, lembra-me as baleias, quando se suicidam. Portugal está, hoje, nas botas de Ronaldo, nas revoluções do FacebooK, nas peregrinações a Fátima, nos festivais de música, no serviço de quarto duma emigração de licenciados e doutores a fazer de Fernão Mendes Pinto nos países racistas do Norte da Europa - bem comportados, certinhos, submissos, como bons cristãos. Ou no desemprego e na sopa dos pobres que o misericordioso Santana Lopes aprova com o fervor de quem é administrador por mérito comprovado da Santa Casa.

Começo a pensar seriamente se Portugal e o mundo se não transformaram num imenso campo de concentração psiquiátrico.

28 de Maio de 2014 

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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quarta, 28 Maio 2014 17:15 )  

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