o riachense

Quinta,
05 de Dezembro de 2019
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A gestão autónoma da freguesia e a política local

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1 - Riachos é uma terra grande. O tema dos jardins e dos espaços públicos sempre foi uma preocupação da população, habituada, infelizmente, ao desconsolo e à falta de aprazibilidade dos nossos espaços colectivos. Como tal, o grande desígnio do actual executivo da Junta de Freguesia é precisamente esse: a limpeza e a conservação da vila.
 
O contraste no que respeita à manutenção dos jardins (não em todos, mas a promessa que se tem ouvido é a de que ‘ainda a procissão está no adro’) com o que se viu nos anos anteriores é absoluto. As razões podem ser fáceis de encontrar: havia muito trabalho para um único funcionário e zero euros para investir. As máquinas estavam todas avariadas e não havia verba sequer para os herbicidas e renovação de ferramentas. No segundo semestre do ano passado, com o pagamento da dívida da Câmara através dos dinheiros do PAEL, assim como com a chegada dos desempregados do Centro de Emprego já este ano, graças a uma aposta da nova Junta, chegou-se a uma situação em que nunca a autarquia teve tantos recursos, humanos e financeiros.
 
Mas a verdade é que, tendo em conta o historial e as perspectivas de futuro em termos de desenvolvimento e economia, podemos dizer que estamos numa situação excepcional e extraordinária e que, dentro de algum tempo, poderemos voltar a ser uma vila que tem espaços públicos, em quantidade, ‘acima das suas possibilidades’ (os espaços verdes são mais de 16 mil m2), porque não tem recursos próprios, os programas do IEFP extinguem-se e porque o município não cumpre com as suas obrigações nos locais que são da sua responsabilidade.
 
Mas não vale a pena sofrer por antecipação, até porque a aposentação de dois dos três funcionários da Junta (administrativa e coveiro), que representam encargos enormes e estão de baixa médica há muito tempo, permitirão eventualmente contratar outros operacionais qualificados.
Na mesma medida, o futuro incerto desta nossa ‘vila feia de que tanto gostamos mas que precisa de ser cuidada’, também dependerá das negociações com a Câmara na transferência de competências para manter os espaços que são da sua responsabilidade mas que negligencia (por exemplo, o jardim do Centro de Saúde, as rotundas). A acção da Junta neste ponto tem vindo a dar frutos, por exemplo no aumento dos tempos de rega de espaços como o Jardim da Vila e a rotunda dos bois, mesmo que esta já pareça ter vindo tarde demais, mas é sobretudo visível na expectativa criada em torno do aguardado acordo de execução das competências.
Feita uma análise, agora outra.
 
2 - Os espaços bem arranjados só interessam se houver pessoas a usá-los, a gostar deles, a viver nesta terra e nesta região. Se as pessoas se sentirem aqui bem e com serviços... que as sirvam. Não se percebe, por isso, por que é que o presidente da Junta ameaça não ir defender a proposta de articulação dos horários dos TUT com os horários dos comboios, apresentada e aprovada na Assembleia de Freguesia. Tem alguma lógica os autocarros municipais saírem da estação poucos minutos antes da chegada dos comboios de Lisboa, obrigando os passageiros, que se dirigem a todo o concelho, a chamarem táxis ou a pedir boleias? Não tem, e toda a gente de todos os partidos presentes na Assembleia percebeu isso, votando a favor da proposta, independentemente de quem a apresentou. Excepto Alexandre Simas que, por picardias políticas com o autor da proposta (João Luz, do BE), deu a entender que não a vai defender nos órgãos municipais, apesar de estar obrigado a aí a apresentar.
 
Já agora, podendo aproveitar a oportunidade para lançar o debate urgente sobre a questão da intermodalidade dos transportes públicos e a articulação com as freguesias e concelhos vizinhos.
 
3 - E se o futuro próximo de Riachos passa por todas estas questões, a celebração do seu passado ganhou recentemente uma visibilidade acrescida, com as comemorações do 30º aniversário da elevação a vila e, na ocasião, a homenagem a Manuel Carvalho Simões, aproveitando o lançamento de mais uma obra deste depositário vivo da memória e da história riachense. 
 
Se, felizmente, muitas outras pessoas entre nós ainda podem ser consideradas como testemunhos e transmissores do que foi Riachos de outros tempos, e muitos deles igualmente têm construído obra e assumido responsabilidades nessa tarefa, é justo destacar o modo como o popular Manel Pé Leve meteu há décadas mãos, e cabeça, à tarefa de ir colhendo e organizando histórias e historietas, episódios caricatos, exemplares ou simplesmente anedóticos, nomes, lugares, trabalhos, canseiras, lutas, recordações e reacções quotidianas, toda a massa de que temos vindo a ser feitos, gerações atrás umas das outras de riachenses.
 
Mas importante, mesmo, é que a revisitação e a celebração desse passado colectivo não seja para lá nos prender os pés, dificultando-nos o caminho para o futuro...

Actualizado em ( Sexta, 06 Junho 2014 14:55 )  
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