o riachense

Quinta,
05 de Dezembro de 2019
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Deixem o pimba em paz

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A aposta que a maior parte dos municípios faz hoje em dia para promover os seus momentos festivos altos do ano é absolutamente degradante. São meia dúzia de horas televisivas e uma impositora estrutura implantada no centro dos recintos. Durante a tarde ou manhã em que se passam, tornam-se a atracção principal do evento. Todos querem ir ver o que se passa, e para muitos a festa é ficar ali todo o tempo a ver o Baião, a Iva Domingues, o Zé Figueiras, a Merche Romero, o Nuno Eiró e outras estrelas cor-de-rosa que se especializaram na apresentação de programas para encher chouriços. 
 
Com o pacote que as câmaras compram às televisões, vêm as várias horas em directo, a entretém e a divulgação da terra, para chamar os turistas em massa. São uns milhares valentes de euros que se gastam todos os anos (mesmo que a conta seja ‘apenas’ as estadias e refeições de umas 30 ou 40 pessoas durante dois dias) em apresentadores que infantilizam os locais com entrevistas de “ora-diga-lá-mas-despache-se-que-isso-interessa-pouco”. Não são jornalistas nem guias turísticos, são profissionais do espalhafato que exibem os locais como se fossem aldeões castiços que despertam uma passageira curiosidade exótica, mas que são absolutamente atrasados na escala do interesse metropolitano ideal para o mundo globalizado e inócuo em que eles imaginam que vivem. 
 
Normalmente, as vilas e cidades para onde são convocados os batalhões dos canais televisivos são orgulhosas das identidades e regionalismos próprios que as festas anuais, os momentos mais altos do bairrismo e orgulho locais, exibem como uma grande exposição ao mundo. Os ‘apresentadores’ do Portugal em Festa e do Somos Portugal (mudam de nome de vez em quando) deambulam por essas terras fazendo entrevistas nos pontos de interesse turístico indicados. Mas nas entrevistas passam para segundo plano o folclore, o artesanato, o comércio, a história e as iniciativas locais, perante a exuberância colorida e a maquilhagem brilhante das apresentadoras que se aventuram por esse Portugal profundo adentro, levando consigo a oferta de… os piores espectáculos musicais que existem. Aliás, o grosso do tempo do programa é gasto com esses concertos de terceira linha, indicados para encher o tempo vazio que assim é criado.
 
Os nomes destes tocadores a metro que a SIC e a TVI trouxeram à Expoégua da Golegã e à Ascensão da Chamusca, ao fim e ao cabo, não interessam a ninguém. A música pimba em si não é o problema, note-se (o espectáculo de Bruno Nogueira e Manuela Azevedo apenas dá o título a este texto). Ganhou o seu lugar nos bailes de verão, não há melodias mais adequadas para os pares se agarrarem a dançar, porque gostam de dançar sem condicionalismos, sem preocupação em acertar o estilo, apenas por pura diversão, e têm poucas oportunidades para isso. A música de baile cumpre a sua função: som ambiente para multidões se divertirem a dançar aos pares.
 
De bailes gostamos nós, agora concertos da Rebeca, do Nelson Ritchie, da Rosinha (Eu Seguro no Pincel), do Karllos, da Quina Barreiros, do Zé do Pipo, elevados à categoria de ‘montras do concelho’?! Por que razão é que os nossos munícipes elegem como um dos momentos altos da divulgação dos seus eventos anuais a realização destes espectáculos? Porque optam pela quantidade e não pela qualidade. E, mesmo assim, enganam-se.

  
Actualizado em ( Sexta, 06 Junho 2014 14:58 )  
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