o riachense

Quarta,
08 de Fevereiro de 2023
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A União Europeia

FARPADAS

Durante mais de mil anos, os dirigentes das pessoas que foram habitando a Europa mobilizaram os respectivos povos para a competição, para o domínio sobre os povos vizinhos, para a constituição de estados soberanos e dominadores. Durante mais de mil anos sucederam-se as guerras, morreram muitos milhões de pessoas da maneira mais estúpida que há para morrer, em guerras sem fim, quase sempre incompreensíveis, que apenas serviam para reduzir à miséria e à escravatura povos inteiros. Durante mais de mil anos, em guerras sucessivas, chegámos às duas grandes guerras do século 20. As mais destruidoras de todas. Destruíram as nações e os povos que as perderam, mas também destruíram as nações e os povos que as ganharam.

Foi assim que se foram constituindo os estados que hoje estão organizados na Europa. 

Até que, há cerca de 70 anos, um grupo de dirigentes com inteligência e coragem suficientes resolveu dizer que o tempo da competição tinha acabado. Uma nova era iria começar: O tempo da colaboração, o tempo da solidariedade. O tempo da igualdade, da liberdade e da fraternidade. Viver humanamente é viver colaborando com os outros, não é viver esmagando os outros. O tempo da competição, da imposição/submissão, deve ser substituído pelo tempo da colaboração, da solidariedade, da democracia.

Mas se o tempo da discórdia durou mais de mil anos, para construir a concórdia vão ser precisos também muitos anos.

Foi esta a principal lição que eu tirei das últimas eleições europeias. As pessoas nem sequer estão mobilizadas para irem votar. E votar é o mínimo de democracia. Sem votar não se pode construir a democracia. Se uma grande maioria dos eleitores nem sequer se dá ao trabalho de pôr o voto na urna, é porque os dirigentes políticos não estão a fazer o seu trabalho. Poucas pessoas vão votar quando estão convencidas que estão a perder tempo. As pessoas votam quando pensam que o seu voto tem algum efeito. Quando as pessoas pensam que o seu voto não serve para nada, não se dão ao trabalho de ir votar. Por outro lado, uma grande parte daqueles que foram votar votou contra a união europeia que temos. Dos eleitores inscritos, só uma pequena parte está disposta a construir a Europa. A maioria não se interessa, e uma grande parte dos que se interessam é para votar contra esta Europa que estamos a construir.

O que mais me preocupa é que eu não vejo da parte dos actuais dirigentes nenhuma preocupação em mudar as coisas. Não é possível construir a democracia sem a participação das pessoas. Não é possível construir a União Europeia sem a mobilização dos europeus. Se os dirigentes e as estruturas actuais servem para desmobilizar, temos que os mudar. Não podemos é continuar como se não tivessem havido eleições.

Para construir a União Europeia é preciso saber que todos nascemos e todos morremos. Mas não nascemos iguais, nascemos diferentes e diferentes morremos. Não é o mesmo nascer rico ou pobre, nascer na Alemanha ou em Portugal, nascer na Europa ou na África. Nascer numa grande cidade ou numa aldeia longe de tudo. E o que é diferente deve ser tratado de forma diferente.

Quem nasce numa família rica não precisa de se endividar para ter uma casa onde viver. Recebe-a em herança, sem o menor esforço. Quem nasce numa grande cidade, tem muito mais facilidade em estudar ou arranjar um emprego do que quem nasce numa aldeia que nem sequer tem escola primária. 

Não é possível construir um país, e muito menos a União Europeia, quando se tira tudo aos que já têm pouco, para dar tudo aos que já têm muito.

Um exemplo: os dirigentes europeus dizem que é preciso lutar contra os paraísos fiscais. E para dirigir essa luta, vão nomear para presidente da Comissão Europeia um senhor que, enquanto foi primeiro-ministro, fez do Luxemburgo um paraíso fiscal.

Não acredito que assim seja possível mobilizar os cidadãos a interessarem-se pela construção da União Europeia. Só com dirigentes que acreditem na União Europeia é possível mobilizar as pessoas para, em conjunto, construirmos a Europa democrática de que todos precisamos. Com estes dirigentes, não creio que possamos avançar muito. Até que um dia...

Actualizado em ( Quarta, 18 Junho 2014 16:46 )  
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