o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Crónica futebolística a pedir um milagre para a Ibéria

No dia em que Juan Carlos promulga a sua abdicação, a Espanha verga o joelho ante o Chile.

A Holanda já transformara os campeões do mundo num fanico, o Chile perdeu-lhes o respeito.

É triste ver ruir a Ibéria, a sua basófia de senhora futebolística do mundo, no seu regresso a um Quixote abandonado por Sancho Pança, enxotado pelo sopro de Erasmo de Roterdão e o renascer dum mundo cantado por Neruda. Ninguém me tira da cabeça que anda por aí mãozinha de reaça da TroiKa, ou do FMI, para impedir que os países do catolicismo do sul consigam um milagre das senhoras de Lurdes e de Fátima, pela conversão dos países do centro e norte europeu às imagens publicitárias da renda miudinha do futebol espanhol ou do nosso topa tudo Ronaldo, colocando-os numa final da FIFA. Lá que se tenha feito tudo para conseguir a conversão da Rússia, e Salazar, esticando o indicador, nos definia. como «orgulhosamente sós», enquanto se encostava ao rubicundo fascista general Franco, para não ter nenhum sobressalto caseiro, foi histórico , já não se repete. A Ibéria, talvez, breve, venha a ter uma nova equipa de futebol, a da Catalunha, mesmo com reis novos a tentar manter o que nunca se deixou unir, e do lado de cá, junto ao oceano, um povo campeão em tudo, menos no importante - a coragem, a lucidez, a exigência da mudança. 

 Portugal, com os quatro que levou da Alemanha sentiu na pele de espectador-actor o medo-respeitinho que o nosso primeiro Coelho tem da senhora Merkl, como, quando eu era puto, o medo que se tinha da cana da índia na escola primária, quando me enganava nos apeadeiros dos caminhos de ferro ou dos afluentes das margens esquerda e direita dois rios do mapa da parede.

 A verdade é que logo que a equipa lusa cantou a Portuguesa do Alfredo Keil como se fosse para a guerra, com a ajuda e apoio dos brasileiros nossos irmão, perdeu o gás da publicidade dos cachecóis e das adolescentes à procura de autógrafos. 

A lição do medo que tem sido a vida deste povo, desde que o socialista Sócrates entregou o cartão de crédito primo-ministerial a Passos Coelho, colocou os nossos magriços coevos a queixar-se da crónica doença das brigadas do reumático ante a objectividade teutónica. Façam o favor de passar. Sua Excelência a primeira-ministra, está a lançar-nos figas do camarote dos políticos, onde nem Cavaco, nem Passos, nem o Portas das feiras, nem o Seguro das contrariedades, nos espevitam. Por favor, caríssimos teutónicos, não abusem muito, senão a União Europeia corta-nos os fundos e só nos ficam os fundilhos e os estádios para concertos de bandas de música. E os alemães, diga-se a verdade, encheram-se de pena, ou por ordem de quem, no fundo, manda, ou por solidariedade com um povo onde a sardinha é única, o Algarve uma província para turismo estrangeiro, recomeçaram a 2ª parte como um treino, mas nem assim, a fúria guerreira lusa passou dum Ronaldo sempre preocupado com a melena fora do sítio, um Pepe a fazer o que mais gosta em relação ao adversário, um moicano saído dum filme de terror americano a vê-los passar sem medo, nem vergonha, uma fornada de gente com falta de ar num estádio de luxo, enquanto nas ruas das cidades do futebol se grita, se persegue, se destrói, se invectiva, se morre.

A confiança lusa transformou-se, de imediato, em sofrimento e resignação. Quatro a zero são como os resultados das provas de matemática, as consultas de especialidade nos hospitais públicos, o preço da electricidade mais cara da Comunidade, o número um europeu em percentagem de pagamento de impostos, o povo com mais países no passaporte da sobrevivência. O fado diz-nos que é o destino, o fatalismo a nossa marca emblemática. O futebol o terceiro efe da nossa ilusão desenganada.

Sábado, se os americanos levarem as espingardas com que fazem a justiça no mundo e treinam a pontaria nas suas escolas, já não seremos os primeiros a meter o cu entre as pernas e a voltarmos ao cantinho da Europa, a pedir que daqui a quatro anos, se deus quiser, lá estaremos outra vez a sermos os melhores do mundo. Talvez nesse dia futuro, o milagre venha ao de cima, como a salvação da Rússia…

19 de Junho de 2014 

  Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 19 Junho 2014 15:08 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições