o riachense

Sexta,
30 de Setembro de 2022
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Gustavo Faria

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Vai-se andando... ou correndo!

 

Quem me conhece desde sempre sabe que sempre gostei de desporto, praticante de judo e mais tarde voleibol, e que a Educação Física era uma das minhas disciplinas favoritas na escola; que cresci numa outra escola – a do Escutismo – rodeado de bons amigos a descobrirmo-nos enquanto descobríamos o mundo que nos rodeava; que sou uma pessoa crente em Deus e num mundo melhor. Quem tem estado mais próximo nos últimos tempos, percebe que o atletismo, mais propriamente na modalidade de trail (trilhos em português), é algo grande na minha vida.

Começou assim: há poucos anos, com o meu amigo Carlos Estevães, saímos para correr. O desafio era este: correr até um sítio e voltar pelo mesmo caminho. Foi das piores experiências que o meu corpo já sofreu, desde o coração a querer saltar do peito, o estômago todo revoltado, os pulmões em modo “arfar”, a cabeça a andar à roda e as pernas desengonçadas. Durante vários dias senti dores e na semana seguinte fui correr no mesmo percurso: surpresa das surpresas, fomos e viemos sem parar e as dores duraram menos dias. Quando pusemos a hipótese de correr uma das minimaratonas da Ponte 25 de Abril, as nossas corridas passaram a chamar-se treinos e as nossas distâncias aumentavam ligeiramente. Chegou o dia da corrida e lá fomos participar na festa com milhares e milhares de pessoas. Uns meses de treinos desenvolvi uma tendinite, parei de correr. Decorria o ano de 2012.
 
Segundo passo: o Élio Batista e o meu irmão (Nelson Faria!) desafiaram-me para ir à Corrida da Liberdade no Entroncamento do dia 25 de Abril de 2013, o dia dos meus 30 anos. Sinceramente, como a minha referência era a das minimaratonas, pensei que esta seria mais um passeio não cronometrado, daqueles de pais e filhos, avós e netos e pessoas sem treinos nenhuns (como eu… que já não ia à estrada há meses…). Enganei-me! Foram 9 km de corrida a sério, cheio de atletas com camisolas de clubes e que, assim que deram o tiro de partida, deixei de os ver. Resultado dessa brincadeira: os três atletas da Rua Aldeia do Ribatejo seguidinhos na tabela classificativa, à frente de todos os que se lesionaram e de um ou outro atleta, talvez com tantos treinos como nós. 
 
Terceiro passo: falaram-me do trail, como uma modalidade do atletismo que implicava correr em trilhos no meio da natureza, montes acima e montes abaixo, da entreajuda entre os atletas, das proezas sobre-humanas que alguns iam arriscando e inscrevi-me no Kayak Trail do Tejo em Julho de 2013. Corri tudo com um sorriso, por dentro de água, pela areia, pelo pó, à esturra do sol… foi lindo! Juntei-me ao CASPA/Green Roc, equipa organizadora dessa prova, e fui com eles a sítios onde não imaginava que se podia correr, vivi experiências significantes, conheci muitas pessoas maravilhosas, corri com muita alegria, cheguei ao fim de provas com distâncias que nunca sonhei alcançar.
 
Dizer que a minha vida mudou é estranho, talvez a expressão mais fiel ao que vivi no último ano é que passei a ser mais eu próprio. Como disse no início, sempre gostei de desporto e nunca me senti tão bem a praticá-lo como agora. E o Escutismo nunca sai propriamente de quem foi escuteiro e percorrer os trilhos deste mundo, com paciência, e ser um Homem Novo num Mundo Novo é o que Baden Powell havia de querer para os seus escuteiros. Vivi também experiências religiosas profundas, quando me magoei na serra da Lousã, quando corri sozinho e à chuva e ao frio na serra d’Aire, quando fiz uma prova quase sozinho na serra da Estrela (que até se chamava Oh Meu Deus!). Conheci pessoas que encontraram um sentido para a sua vida e seguramente mais felizes do que eram. Tudo isto me faz sentir que estou também no caminho certo e que as alegrias que me foram dadas, as pessoas que surgiram, mas também as dificuldades que vivi a correr desde aquele primeiro dia com o meu amigo me tornaram uma pessoa mais forte, consciente e preparada para enfrentar o mundo com um sorriso.
 
 
 
Actualizado em ( Quinta, 24 Julho 2014 14:32 )  
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