o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

As palavras não podem morrer

E tu, estás a escrever o quê? Já não via o José-Alberto Marques há mais dum ano. Fora operado à vesícula, estava muito mais magro. Tenho um livro a sair em Novembro. Encontro outro amigo de há muito, há muito que só o encontro nas páginas deste jornal - o Joaquim Alberto. Trocamos um abraço, a cumplicidade duma luta comum contra o que, infelizmente, se moldou numa democracia de vigaristas, após o 25 de Novembro de 1975.

Outras pessoas, outras palavras, outros amigos, outras memórias. 

Rostos cercados numa tristeza, a que não falta serenidade. A vida continua, mesmo com o desalento e a perda. A minha geração encontra-se de repente a trocar abraços, a confidenciar outros tempos, numa tarde de sol de Agosto, e mesmo sem narrativas, sabe as razões de se encontrarem, vindos de todo o lado, em nome dum tempo em que as palavras necessárias tinham o peso da clandestinidade e, para os mais dignos, da prisão, da tortura, do combate por, sei lá, um sonho solidário, uma utopia dum mundo menos desigual e mais humano. Gente. Hoje, frágil, cansada, com o peso visível dos anos nos rostos enrugados, com muitas décadas de associativismo, de actividade política e sindical, com mais memórias do que futuro, com a viagem da demanda das suas vidas na inevitabilidade do envelhecimento e da saída da estrada, sem saber bem a quem passar a mensagem, que é preciso passar, dos homens contra a destruição da sua dignidade pelos abutres que, com outros nomes, outras mordomias, outros títulos, outros cargos, formam elites poderosas que destróem, manipulam, massacram, assassinam, violam, traficam, em nome do direito sobre a vida e a morte dos outros, que nunca são culpados, nem presos, e até se pede desculpa, quando se tornam, por acidente, arguidos. Os Espírito Santo são apenas a ínfima parte emersa dum icebergue de corrupção em que se transformaram as democracias neo-liberais do planeta.

Estão aqui, numa tarde de sol de Agosto, os que se recusaram e recusam, os que receberam a palavra subterrânea de que a luta é sempre, mesmo quando tudo, a própria vida cessa.

Viemos aqui para continuar a luta, enorme e empenhado cidadão, meu caro amigo Francisco Canais Rocha. Até sempre. Obrigado.

 

14 de Agosto de 2014 
Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt 

Actualizado em ( Quinta, 14 Agosto 2014 13:25 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições