o riachense

TerÁa,
24 de Abril de 2018
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Ana Paula Lopes

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Obsolescência programada

Viver neste mundo 

Parece uma express√£o confusa mas o seu significado √© muito f√°cil de entender e de identificar em variadas situa√ß√Ķes da nossa vida.
 
¬†O nosso computador fica lento, fazemos actualiza√ß√Ķes sistem√°ticas de software, que infelizmente a m√°quina j√° n√£o suporta (mesmo quando tem apenas meses); o nosso telem√≥vel deixa de suportar todas as funcionalidades que lhe queremos dar (compramos modelos novos); mudamos o tinteiro da impressora mas temos a sensa√ß√£o que o velho ainda tinha tinta; as pilhas nos brinquedos dos mi√ļdos gastam-se rapidamente; a m√°quina de lavar roupa da nossa m√£e durou mais de 20 anos mas a nossa avariou em meia d√ļzia de anos‚Ķ Somos mais estragados? Mais consumistas? S√≥ pensamos em actualizar os equipamentos? Queremos ter tudo mais moderno? S√≥ por capricho?¬†
Talvez… ou talvez não.
 
Obsolescência programada é simplesmente o que a própria expressão indica: uma obsolescência que é programada. Neste caso pelos próprios fabricantes. Os equipamentos são deliberadamente concebidos e fabricados de forma a se tornarem, num espaço de tempo programado, obsoletos, ultrapassados, ou não funcionais.
 
Fui alertada para a obsolescência programada através de uma série de reportagens que passam numa estação de televisão portuguesa. Fiquei curiosa e ao mesmo tempo indignada. Fui procurar informação sobre o assunto.
 
Esta pr√°tica de manipular o envelhecimento de um equipamento, de forma a conseguir levar o consumidor a adquirir novos produtos ou vers√Ķes mais recentes, √© algo presente em alguns sectores da ind√ļstria e n√£o √© um fen√≥meno t√£o recente quanto se possa pensar. √Č um elemento estrat√©gico para algumas empresas que conseguem assim promover a insatisfa√ß√£o e a necessidade de substitui√ß√£o de produtos desactualizados ou que simplesmente deixaram de funcionar.
 
As l√Ęmpadas s√£o outro exemplo flagrante pois a sua durabilidade tamb√©m √© manipulada pelos fabricantes.
 
O lado bom desta questão é que, quando uma boa parte dos habitantes do planeta já tem acesso a todos estes bens, é preciso continuar a produção pois eles vão deixar de funcionar ou então vão ficar lentos e desactualizados. Precisamos de continuar a consumir. Os fabricantes garantem a continuidade da marca. Os empregados mantêm os empregos. Os vendedores continuam a vender. A economia continua a crescer.
N√£o podemos combater esta t√£o complexa din√Ęmica e temos que nos resignar a substituir os produtos. Mas podemos ser mais conscientes, exigentes e pr√≥-activos em rela√ß√£o ao lado mau desta realidade.
 
O lado mau √© a quest√£o do lixo eletr√≥nico. Como habitantes deste planeta ainda n√£o definimos uma forma eficaz de lidar com estes res√≠duos. E o pl√°stico √© o menor dos problemas. Televis√Ķes, telem√≥veis e computadores incorporam tamb√©m metais e componentes como o chumbo e o merc√ļrio, muito prejudiciais √† sa√ļde, especialmente se tivermos em conta o fen√≥meno de contamina√ß√£o dos solos e dos len√ß√≥is fre√°ticos.
 
Existem imagens de gigantescos dep√≥sitos de lixo eletr√≥nico em pa√≠ses em vias de desenvolvimento, especialmente na √Āsia. A√≠ os equipamentos s√£o ‚Äėreciclados‚Äô por m√£o-de-obra barata e sem qualifica√ß√£o.
 
www.flickr.com/photos/basel-action-network
D√° que pensar, n√£o?
 
Uma organiza√ß√£o sem fins lucrativos que monotoriza este fen√≥meno (a Basel Action Network) tem no seu site uma galeria de fotos impressionante sobre estes ‚Äėcentros de reciclagem de lixo eletr√≥nico‚Äô. Vale a pena dar uma espreitadela.
 
√Č neste dom√≠nio que podemos fazer a diferen√ßa. Exigir aos dirigentes legisla√ß√£o eficaz sobre este assunto. E ac√ß√Ķes eficazes. Ac√ß√Ķes que s√≥ ser√£o significativas se se revistirem de car√°ter de conserta√ß√£o internacional. E como pertencemos a uma institui√ß√£o (UE) com significativa relev√Ęncia no decorrer da hist√≥ria do mundo, √© necess√°rio trazer para a discuss√£o p√ļblica a emerg√™ncia de co-responsabilizar os fabricantes e os agentes econ√≥micos pela reciclagem efectiva e tratamento adequado deste tipo de res√≠duos.
 
E como consumidores também temos uma missão a cumprir. Não podemos contornar a obsolescência dos produtos mas podemos fazer escolhas conscientes quando adquirimos novos produtos. Será uma atitude ecologicamente sustentável comprar um eletrodomesticozeco num hipermercado com garantia de três meses? Estamos à espera que dure quanto tempo? Três meses e meio?
 
Podemos preferir marcas com uma atitude de maior responsabilidade e preocupa√ß√£o com a sustentabilidade. De facto existem empresas com uma atitude ecol√≥gica e social mais respons√°vel, n√£o s√≥ no que respeita ao tratamento dos res√≠duos mas tamb√©m ao processo de fabrico. Podemos fazer escolhas n√£o s√≥ baseadas no pre√ßo mas tamb√©m atendendo a outras din√Ęmicas e escolher companhias de produtos eletr√≥nicos que sejam, na medida do poss√≠vel, empresas mais ‚Äėverdes‚Äô.
 
Actualizado em ( Segunda, 22 Setembro 2014 15:07 )  
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