o riachense

Quinta,
19 de Outubro de 2017
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Ana Paula Lopes

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Obsolescência programada

Viver neste mundo 

Parece uma expressão confusa mas o seu significado é muito fácil de entender e de identificar em variadas situações da nossa vida.
 
 O nosso computador fica lento, fazemos actualizações sistemáticas de software, que infelizmente a máquina já não suporta (mesmo quando tem apenas meses); o nosso telemóvel deixa de suportar todas as funcionalidades que lhe queremos dar (compramos modelos novos); mudamos o tinteiro da impressora mas temos a sensação que o velho ainda tinha tinta; as pilhas nos brinquedos dos miúdos gastam-se rapidamente; a máquina de lavar roupa da nossa mãe durou mais de 20 anos mas a nossa avariou em meia dúzia de anos… Somos mais estragados? Mais consumistas? Só pensamos em actualizar os equipamentos? Queremos ter tudo mais moderno? Só por capricho? 
Talvez… ou talvez não.
 
Obsolescência programada é simplesmente o que a própria expressão indica: uma obsolescência que é programada. Neste caso pelos próprios fabricantes. Os equipamentos são deliberadamente concebidos e fabricados de forma a se tornarem, num espaço de tempo programado, obsoletos, ultrapassados, ou não funcionais.
 
Fui alertada para a obsolescência programada através de uma série de reportagens que passam numa estação de televisão portuguesa. Fiquei curiosa e ao mesmo tempo indignada. Fui procurar informação sobre o assunto.
 
Esta prática de manipular o envelhecimento de um equipamento, de forma a conseguir levar o consumidor a adquirir novos produtos ou versões mais recentes, é algo presente em alguns sectores da indústria e não é um fenómeno tão recente quanto se possa pensar. É um elemento estratégico para algumas empresas que conseguem assim promover a insatisfação e a necessidade de substituição de produtos desactualizados ou que simplesmente deixaram de funcionar.
 
As lâmpadas são outro exemplo flagrante pois a sua durabilidade também é manipulada pelos fabricantes.
 
O lado bom desta questão é que, quando uma boa parte dos habitantes do planeta já tem acesso a todos estes bens, é preciso continuar a produção pois eles vão deixar de funcionar ou então vão ficar lentos e desactualizados. Precisamos de continuar a consumir. Os fabricantes garantem a continuidade da marca. Os empregados mantêm os empregos. Os vendedores continuam a vender. A economia continua a crescer.
Não podemos combater esta tão complexa dinâmica e temos que nos resignar a substituir os produtos. Mas podemos ser mais conscientes, exigentes e pró-activos em relação ao lado mau desta realidade.
 
O lado mau é a questão do lixo eletrónico. Como habitantes deste planeta ainda não definimos uma forma eficaz de lidar com estes resíduos. E o plástico é o menor dos problemas. Televisões, telemóveis e computadores incorporam também metais e componentes como o chumbo e o mercúrio, muito prejudiciais à saúde, especialmente se tivermos em conta o fenómeno de contaminação dos solos e dos lençóis freáticos.
 
Existem imagens de gigantescos depósitos de lixo eletrónico em países em vias de desenvolvimento, especialmente na Ásia. Aí os equipamentos são ‘reciclados’ por mão-de-obra barata e sem qualificação.
 
www.flickr.com/photos/basel-action-network
Dá que pensar, não?
 
Uma organização sem fins lucrativos que monotoriza este fenómeno (a Basel Action Network) tem no seu site uma galeria de fotos impressionante sobre estes ‘centros de reciclagem de lixo eletrónico’. Vale a pena dar uma espreitadela.
 
É neste domínio que podemos fazer a diferença. Exigir aos dirigentes legislação eficaz sobre este assunto. E acções eficazes. Acções que só serão significativas se se revistirem de caráter de consertação internacional. E como pertencemos a uma instituição (UE) com significativa relevância no decorrer da história do mundo, é necessário trazer para a discussão pública a emergência de co-responsabilizar os fabricantes e os agentes económicos pela reciclagem efectiva e tratamento adequado deste tipo de resíduos.
 
E como consumidores também temos uma missão a cumprir. Não podemos contornar a obsolescência dos produtos mas podemos fazer escolhas conscientes quando adquirimos novos produtos. Será uma atitude ecologicamente sustentável comprar um eletrodomesticozeco num hipermercado com garantia de três meses? Estamos à espera que dure quanto tempo? Três meses e meio?
 
Podemos preferir marcas com uma atitude de maior responsabilidade e preocupação com a sustentabilidade. De facto existem empresas com uma atitude ecológica e social mais responsável, não só no que respeita ao tratamento dos resíduos mas também ao processo de fabrico. Podemos fazer escolhas não só baseadas no preço mas também atendendo a outras dinâmicas e escolher companhias de produtos eletrónicos que sejam, na medida do possível, empresas mais ‘verdes’.
 
Actualizado em ( Segunda, 22 Setembro 2014 15:07 )  

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