o riachense

Quarta,
24 de Julho de 2019
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A falácia da cidade e “a arte da política”

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A política não é nada uma arte. Porque é que deputados municipais e líderes locais de partidos políticos continuam a dizer que a política é uma arte? A política é um trabalho. A política não é o jogo do debate, é o trabalho da discussão das melhores medidas, que nunca são consensuais por causa da subjectividade das análises e das ideologias subjacentes à visão política dos diferentes partidos, por causa dos diferentes interesses que se confrontam, por causa dos objectivos que se pretendem alcançar, e não por causa das camisolas que se vestem ou dos jogos florais a que dá origem.
 
Dizer que não se pode aumentar os valores da delegação de competências é ludibriar a “plebe” porque, apesar destes valores serem apurados com base em parâmetros técnicos, são os superiores políticos dos “serviços” municipais que decidem se esses parâmetros são medíocres, mínimos ou adequados para um país da CE. Como se justifica que, como ilustrou o presidente da Junta riachense, uma freguesia do Cartaxo (que é um município em piores lençóis do que Torres Novas), tenha à disposição 60 mil euros para as mesmas competências e Riachos tenha 18 mil? E o caso dos 15 mil euros para a poda dos castanheiros da Avenida vs 847 euros para as 583 árvores que há em Riachos (não incluindo os Casais Castelos)? Não é uma questão técnica dos “serviços”, certamente, por mais malabarismos com contas e critérios com que nos queiram entreter.
 
Se a lei é má para a autonomia das freguesias é, por outro lado, bastante benevolente para os municípios, porque dá-lhes a liberdade de escolher a quantidade de autonomia que as suas freguesias têm. E o que acontece é que estes acordos de execução esvaziam qualquer discurso que a maioria de Pedro Ferreira e Luís Silva possa ter sobre a valorização das freguesias e dos presidentes de junta, que por acaso até são quem tem o poder de lhes aprovar as medidas na Assembleia.
 
E se a Freguesia de Riachos não aceitar o contrato de delegação? A Câmara tem “serviços” operacionais suficientes para acrescentar à manutenção da cidade – que parece ser o seu único interesse - a manutenção de uma freguesia com seis mil habitantes? Vai ser bonito, vai…
 
É inacreditável ver como é que continuam a utilizar o argumento “querem qualidade de vida, venham para a cidade”, cunhado por Rodrigues. Manuel Filipe disse, na Assembleia Municipal, que não é preciso fazer nada nas “aldeias” porque a cidade já tem tudo! Mas que visão ‘holística’ tão bonita do concelho. Seria preciso acrescentar mais alguma coisa a este olhar política e territorialmemte vesgo?
 
Mas se a posição do PS é esta, então porque continuam a manter o projecto da Casa da Cultura em Riachos, orçamentado (falaciosamente) para 2016, se já há cinco estruturas com os mesmos fins na cidade - que servem toda a gente?
 
Não, qualidade de vida não é ter um pólo com tudo e um deserto à volta sem nada. Esse é o modelo que está a ser implementado em Portugal há 30 anos e o resultado está à vista no país mais desequilibrado da UE.
 
A cidade é boa e a vila e as aldeias também são boas. Não são as tricas das “arte da política” cidade vs “aldeias” que estão em causa. É a gritante disparidade que existe na distribuição proporcional de recursos entre uma e outras, ditada por um imaginário megalómano que tem resultado em vários desperdícios escandalosos de dinheiro. 
 
Vamos lá então agora gastar 700 mil euros para comprar terrenos para fazer um jardim à beira-rio e mais 3 milhões para um parque de estacionamento (que, por acaso e certamente com muitos “estudos técnicos”, não só não serviu para absolutamente nada como até estragou uma paisagem beira-rio única na cidade), e não alcatroemos as estradas que ligam as “aldeias” que restam. Vão mas é andar de carro para a cidade...

Actualizado em ( Quinta, 18 Dezembro 2014 13:11 )  
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