o riachense

Quinta,
22 de Junho de 2017
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Política e religião

FARPADAS

Apoio completamente as decisões da Junta e da Assembleia de freguesia em relação à Câmara Municipal. Espero que vão até ao fim. Desejo a todos que este ano seja melhor que os anteriores.

Em França o ano começou com o ataque ao jornal Charlie Hebdo. 

Foram assassinadas doze pessoas. No dia 7 de Janeiro de 2015. Quatro eram dos melhores desenhadores de caricaturas que havia em França. Os assassinos disseram que assim vingavam o Profeta e acabavam com o jornal. No dia seguinte foi assassinada uma rapariga que pertencia à policia municipal e que nem sequer estava armada. Depois foi o assalto ao supermercado onde foram assassinados 4 judeus. Tudo em nome de Deus e do Profeta. 

Alguns chefes dos muçulmanos acusam os jornalistas de blasfémia. Porque publicaram alguns desenhos que são caricaturas onde se brinca com o Profeta Mahomet. E para alguns muçulmanos falar do Profeta a brincar é uma blasfémia. Os judeus também não pronunciam o nome de Deus. Sempre que lêem a Bíblia e está escrito o nome de Deus (Yhavéh) eles dizem Senhor (Adonai). Porque para eles os lábios humanos são impuros e por isso pronunciar o nome de Deus é uma blasfémia. 

Em França foi preciso muita luta, muita guerra, muitos mortos, para haver total separação entre política e religião. Mas há 110 anos que está na lei a separação da igreja e do estado. O estado é laico, não se mete com as religiões mas garante total liberdade de religião, qualquer que ela seja, ou total liberdade para quem não segue religião nenhuma ou para quem é ateu. Foi muito difícil conseguir esta clarificação, mas depois a evolução das mentalidades foi enorme. Por isso, quando se fala de liberdade de imprensa em França, não se quer dizer exactamente o mesmo que fora de França. Por isso há aqui jornais satíricos  que brincam com tudo, mesmo com as religiões, como não há em mais país nenhum.

Claro que isto traz por vezes incompreensões de tal maneira grandes, que exploradas por líderes oportunistas e cheios de má vontade, podem conduzir aos assassinatos do dia 7 de Janeiro.

O último número do jornal satírico Charlie Hebdo traz na primeira página uma caricatura do Profeta dizendo que ele é pacífico, justo, compassivo. Mas como a paixão por vezes mata a razão, as manifestações contra o jornal não se fizeram esperar. Parece um jogo de futebol em que o árbitro marca um penálti contra a equipa da casa. A paixão por vezes mata a razão. 

Muitos dizem que nestes casos o melhor é ficar calado para não provocar. Mas eu pergunto: será possível viver em democracia como se vivêssemos em ditadura? Em democracia, quem não diz o que pensa acaba por não pensar, quem não defende as suas ideias acaba por nem ter ideias. Como alguém que cai ao mar, sabe nadar, mas decide não mexer nem os pés nem as mãos. Acaba por morrer afogado. Viver em democracia como se fosse uma ditadura é caminho aberto para a ditadura. A democracia constrói-se todos os dias. Mesmo com perigo da própria vida. Porque quando o medo nos vence, é a ditadura que se instala.

Por isso os desenhadores e os jornalistas do Charlie Hebdo, mesmo com medo, continuam a brincar com tudo. Porque eles preferem morrer de pé do que viver de joelhos. Quem tem mentalidade de democrata acha piada e ri. Quem não tem mentalidade de democrata não acha piada nenhuma. Alguns transformaram-se mesmo em assassinos.

Nunca há democracia sem separação da religião e da política. Nem quando manda a religião nem quando manda a política. Eu penso que blasfémia é assassinar em nome de Deus. Porque Deus é a perfeição, não pode nunca ser assassino.

Não é por causa do Charlie Hebdo que há guerras civis em muitos países muçulmanos. Não é por causa do Charlie Hebdo que há guerra entre judeus e palestinos. Não é por causa do Charlie Hebdo que a América e a França bombardeiam a Síria e o Iraque.

Felizmente que a resposta dada pelas pessoas que vivem em França, francesas e estrangeiras, tem sido à altura. Com as maiores manifestações que alguma vez houve em França, mas também com a compra do jornal. Antes dos assassinatos, o jornal estava quase morto porque não tinha dinheiro para continuar. Agora não consegue imprimir todos os que são necessários. Se as pessoas continuarem a vencer o medo, a democracia continuará a ser cada vez mais forte. Eu espero que as pessoas continuem a vencer o medo. Quando passar o tempo da emoção espero que as pessoas consigam discutir os verdadeiros problemas para tomar as decisões necessárias à construção da paz.

Actualizado em ( Quarta, 21 Janeiro 2015 10:42 )  

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