o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Pedro Barroso

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Esta coisa complexa de viver

Amigos,

Não sei o que vem para aí em 2015 - ninguém sabe. Mas o que passei em 2014 deu-me uma condição diferente para prosseguir. E acrescentou-me dados para outro pensar, outro viver, outro sentir.

Perder o dom√≠nio de n√≥s mesmos e criar depend√™ncias t√£o profundas como as que tive e sofri, ensinou-me que as coisas do viver devem estimar-se bem acima das frivolidades e valores ef√©meros que diariamente nos prop√Ķem.

Fiquei sem falar; desejei a morte; fiquei sem consci√™ncia; fiquei sem andar. Reaprender tudo isso foi um acto de insist√™ncia e de coragem que me servir√£o de paradigma para todo o futuro que ainda possa acalentar. Desejo a mesma for√ßa - que hoje me permite andar quil√≥metros - a todos os que das adversidades da vida retirem o lado pedag√≥gico e epif√Ęnico desse Conhecimento.

N√£o √© esoterismo - √© a mais sincera realidade. √Č essa for√ßa, e s√≥ ela, que nos pode ajudar a superar a tanta nulidade que nos rodeia. E por isso devemos dar import√Ęncia apenas ao que a mere√ßa.

Perdi a paci√™ncia para as min√ļcias indagadas e perscrutativas do tost√£o. Perdi a toler√Ęncia a chatos, imbecis, te√≥ricos da treta e comentadores or√ßamentistas, em geral. Valorizo hoje muito a vida e os amigos. Corto a direito quando sou incomodado por vendedores de banha da cobra; eles atacam na pol√≠tica, com√©rcio, media, informa√ß√£o, bancos, seguros, etc.¬†

Valorizo a Arte e a Cultura como expoentes maiores do significado de existir. Valorizo a qualidade do que me sobra e a amizade dos que ainda ma saibam transmitir. Valorizo a memória dos momentos bons. A boca de todas as mulheres que amei e que beijei. Todos os versos que li, todas as pinturas que gostei. Todas as esculturas que me seduziram e clandestinamente afaguei.

Viver tem de ser uma orgia de sabores e de saberes. E nunca um estar amanuense e cívico, de manga-de-alpaca bem comportada, contabilizando lantejoulas e outras imundices da maledicência.

Viver tem que ter magia e sedu√ß√£o. Eu quero l√° saber dos que n√£o sabem apreciar um p√īr-do-sol. Um poema. Uma melodia, uma paisagem. Um qualquer sabor cozinhado com amor, no forno a lenha dos av√≥s.

Sou poeta, sou um deslocado no tempo e na história. Sim. Sou um homem de quinhentos; sem passaporte nem destino previsto. Mas é assim que acredito que valha a pena. 

Os dias devem ser azuis, mesmo os cinzentos. Porque dentro deles habita uma flor e um beijo. Uma descoberta e um novo despertar.

Só assim devemos viver. Com esse sentido maior de desfrute e da raiva de existir. Senão, amigos, estar vivo não valeria a pena. 

Só assim vos desejo Bom Ano 2015 - E todos os anos dos anos que hão-de vir!


Actualizado em ( Ter√ßa, 27 Janeiro 2015 23:20 )  

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