o riachense

Quarta,
24 de Julho de 2019
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E a população de Riachos, também vai renunciar?

É verdade que a malta de Riachos nunca foi muito coerente a votar. Umas vezes opta por uns e noutras escolhe outros e na maior parte das ocasiões sem que algo justifique a reviravolta. É também verdade que essa coisa do bairrismo já foi chão que deu uvas e os tempos actuais tornam tudo da mesma cor, um cinzento pardo. É verdade que a maltosa foge das coisas da política como o diabo da cruz e vai vegetando as poucas esperanças que vislumbra e carpindo as mágoas que lhe tolhem a vista à falta de vida verdadeira no mexerico das redes sociais. É igualmente verdade que cada vez os fenómenos são mais frequentes e já toda a gente acha tudo natural, depois de ter aparecido um porco a andar de bicicleta, dirá o mais incrédulo, já acredito em tudo.
 
Daí que quase me não cause já grande espanto observar a pardacenta naturalidade e a boçal indiferença com que se tem passado ao lado da recente renúncia do presidente da Junta de Freguesia de Riachos e de todos os membros da lista que ganhou as eleições autárquicas há pouco mais de ano e meio. Cá para nós que ninguém nos ouve, acho que esta decisão constitui a mais grave tomada de posição política autárquica em Riachos nas últimas décadas.
 
Diga-se desde logo que nenhuma situação política justifica esta renúncia. A tal “alternativa credível”, lema de campanha em Setembro de 2013 do GRUPPO, revelou-se um completo logro. Vindo do nada, o candidato caiu no goto dos eleitores e arrebanhou a maioria das vontades eleitorais. Era uma lista de independentes, ou de pseudo-independentes, dizia-se, constituída por gente fora do espectro partidário, embora contasse com o apoio explícito e implícito do PSD e figurassem nela alguns elementos conotados desde sempre com esse partido. E como se afirmavam independentes, fora desse espartilho partidário, dizia-se, eram mais riachenses que os outros riachenses e levariam por certo esta terra a um bom futuro. Isso pensaram, concerteza, os eleitores. 
 
Os fregueses apostaram na tal alternativa credível que foi sol de pouca dura, durou apenas pouco mais de ano e meio. Do GRUPPO não se dirá muito, a não ser que pretendendo ser algo de unitário e construtivo, deveria ter uma ideia qualquer para Riachos, uma só que fosse, um projecto ainda que mal-amanhado, uma contribuição por mais atarracada que fosse, para melhorar a terra. Mas nada, um silêncio sepulcral, um vazio total. Que dizer quando nunca se lhe ouviu a voz, e nem no leito de morte se lhe ouviu o mais pequeno murmúrio ou se leu um mero comunicado sobre a renúncia de todos os seus membros? A mais completa das inexistências. E assim se vê o vazio de algo que nasceu, viveu e morreu apenas para formalizar uma candidatura. Candidatura essa que, pelos vistos, era completamente artificial e vazia de princípios, ideias e vontades. 
Antes, a gestão da freguesia, cheia de imobilismo e falha de capacidade de mobilização das vontades e de ideias para a melhorar a vida dos riachenses, e agora a renúncia total e incondicional, irresponsável, sem brio nem honra, constituíram um mau exemplo no poder local, contribuindo de modo profundo para descredibilizar ainda mais a política, e deram um péssimo serviço a Riachos e à sua população que acreditou numa ilusão de vida curta. 
 
Apenas consigo retirar um aspecto positivo desta renúncia colectiva: os chamados grupos de independentes ou de cidadãos, que surgem como moralizadores da política e como verdadeiras alternativas credíveis, não passam as mais das vezes de grupúsculos sem projectos políticos, criados apenas para a conquista do poder pessoal, sem que se possa responsabilizar alguém ou alguma entidade pelas suas posições políticas. Este caso prova isso mesmo, se é que a evidência precisa de ser provada.   
 
Está bem, dirão alguns, mas bateram o pé à Câmara que estava a asfixiar esta terra, lutaram contra o poder municipal, tinham boa vontade, mas não os deixaram fazer. Está bem, dirão outros questionando, mas o que conseguiram de palpável para Riachos, o que ganhou esta terra com isso neste ano e meio de alternativa credível? E o que ganha com a renúncia? Claro que a resposta a ambas as questões só pode ser uma: um rotundo nada. 
 
Dizem que a renúncia se ficou a dever à falta de respeito da Câmara por esta terra. Até pode ser, mas essa postura já existe há longos anos. Ou foi preciso chegar-se agora, muitos anos depois, a essa conclusão para justificar a renúncia? É que a desculpa de sacudir as culpas para a Câmara e atirar a toalha ao chão perante as primeiras dificuldades, não é uma postura política aceitável nem no poder local nem em lado algum. A novidade não é a Câmara não passar cartão a esta terra, como não passa a outras, isso é coisa antiga, a novidade é alguém estar a dirigir os destinos desta freguesia durante um ano e meio, pensando certamente que a vida política de um presidente de junta, qualquer que ele seja, seria coisa fácil, e quando se apercebe de que a realidade autárquica é muito diferente da que imaginava, dá-lhe uma veneta e renuncia ao mandato que a população lhe havia conferido. 
 
Embora a Câmara tenha muitas culpas pela situação que tem sido criada nesta freguesia, a responsabilidade a que isto chegou deve também ser repartida por quem foi eleito para gerir uma freguesia e não consegue fazer algo de visível, perceptível, ou ao menos algum trabalho de sapa, para contrariar a situação de domínio municipal. A responsabilidade da situação deve também apontar-se às Juntas de Freguesia que nunca conseguiram tomar posições concertadas com as respectivas populações para conseguirem contrariar o negro panorama. E já agora, parece-me que a responsabilidade não pode também deixar de ser assacada a quem vota. Com quarenta anos de experiência eleitoral, ninguém pode ser virgem ou inocente nestas coisas. 
 
De vez em quando, como agora, fala-se na mudança de concelho, como se isso resolvesse alguma coisa e não fosse um sinal de fraqueza e uma fuga para a frente. Aliás, a perspectiva é de tal modo ridícula que não merece grande perda de tempo a pensar nela, e é fruto de alguma desorientação sobre a realidade e o futuro que se deseja, que grassa na população de Riachos, a qual, a avaliar pelos resultados eleitorais, tem um estranho prazer que parece ser da ordem do masoquismo político. 
 
Os representantes de uma população, eleitos por ela para gerirem a freguesia, não podem renunciar ao mandato com esta ligeireza e esta irresponsabilidade, sob pena de traírem essa mesma população. 
 
“As pessoas têm que fazer qualquer coisa. As pessoas que gostam disto. Eu gosto disto. Não sou de cá, mas gosto.” dizia Alexandre Simas em Setembro de 2013, em plena campanha eleitoral, ao jornal O RIACHENSE. E agora, o que vão fazer as pessoas que gostam disto? Vão responsabilizar quem foi irresponsável ou vão renunciar também?

Actualizado em ( Quinta, 30 Julho 2015 11:09 )  
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