o riachense

Quinta,
29 de Junho de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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Outubro está perto? Ou nunca será?

Começa o filme político do tempo presente a parecer-me repetição do já conhecido.

Vejamos:

1- PSD/CDS, mau grado as diferenças, aparecem como irmãos siameses. Programa comum, listas comuns, com predomínio do primeiro e submissão total do segundo. Para Portas, o reconhecimento de que sem a aliança com o PSD, o CDS está a caminho de não ser. Para Passos Coelho, o reconhecimento da inferioridade do PSD sozinho, em relação ao PS. A noção muito clara à direita que a esquerda é maioritária no país.

2 - As tentações suicidárias do PS, que inicia o prélio eleitoral em maioria, mas cada vez que, fora da orientação de António Costa, toma posição, as sondagens diminuem-lhe o apoio. E com razão. Os cartazes foram uma foleirice esparvoada, de quem do país só conhece a sede do e os cargos partidários e a azelhice do feiticeiro aprendiz.

 António Costa, cada vez que aparece, lembra uma corporação de bombeiros a apagar, um pouco por todo o lado, fogos que parecem propositadamente postos.

E se formos ao fundo da questão, os incendiários são outros quadros (ditos) responsáveis desse partido. Se fosse a António Costa, acabava-lhes com a autonomia da intervenção, mandava-os ler a história da Primeira República, do Sidonismo à Ditadura, para ver se aprendiam de vez que foi graças ao seu impudor, viragem à direita, transformação de interesses pessoais em partidários, que O PRP, maioritariamente eleito no país, já nada tinha com o PRP da implantação da República, muito menos com o de Afonso Costa, e valia muito menos que a Esquerda Democrática de José Domingos dos Santos.

O divisionismo interno, a corrupção, os compromissos com os interesses económicos, o conservadorismo latente, conduziram, durante cinquenta anos, a uma sistema fascista, no exterior uma República, que destruíra em si mesmo o sentido desse conceito, ao ponto de serem presos os que, em público, até na efeméride, lançavam vivas à República.

Em 2015, as brechas que se sentem no Partido Socialista, exteriorizadas ultimamente na apresentação da candidatura presidencial de Maria de Belém, podem levar a um cada vez maior divórcio entre aquele e o seu , não só o natural, mas também o desejado, eleitorado. O problema é que, nas entrevistas, António Costa corta rente com uma possível aliança com o PSD/CDS, o que parece não ser a opinião dos incendiários. Ninguém é ingénuo ao ponto de negar que o lançamento de candidatos presidenciais partidários em tempos de legislativas, no momento histórico presente, prejudica, intencionalmente, a possibilidade duma maioria, se não duma vitória, do próprio partido nas eleições de Outubro.

José Sócrates, seja ou não culpado, a justiça o dirá, é apenas a ponta dum icebergue, onde se camuflaram muitos interesses que, no país que temos, geralmente são arquivados, ou por prescrição, por tempo ultrapassado, ou por falta de provas.

Quem não conhece o filme, anda distraído com as picarias do Jesus…que nunca trabalhou para a derrota da direita.

3 - A esquerda à esquerda do PS, exceptuando as dissidências, sempre interessantes na teorização, sempre frustrantes na influência, sempre grupos de elite da capital e centros universitários, reduz-se ao PCP e ao Bloco de Esquerda. Garantem mais ou menos, entre 15 a 18 por cento do eleitorado. Estão na política como se houvesse mundos alternativos ao mundo real em que vivemos. Ao declararem nenhuma aliança com o PS, por este ter uma política igual à direita, escamoteiam uma questão fundamental: quando derrubaram o PS de José Sócrates, não causaram a tomada do poder pela direita? A vinda da Troika? A parcialidade de Cavaco Silva?

Fica no ar uma questão, que não pode ser escamoteada: um governo do PS é igual, melhor ou pior do que um governo do PSD?

A política da esquerda na Grécia, e não só do Syriza, está à vista. Ou há uma forma de tirar o Trotsky da clássica fotografia das chefias gloriosas? Em palavras mais simples: se não vão governar, se não fazem acordos de esquerda com o partido que, social-democrata, irá ter a possibilidade duma maioria, vão fazer o quê? Oposição, deitando esse governo abaixo, para que a direita continue a governar e a esquerda além do PS continue só e unicamente como força de protesto? Até aos amanhãs que cantam?

4 -O meu voto tem sido exercido sempre à esquerda, no PCP e/ou no Bloco de Esquerda. E desejava continuar a fazê-lo. Mas que raio, o que que pretendem, neste canto do mundo europeu, num planeta casa vez mais destruído, cada vez com mais dogmas postos de lado, com mais crimes contra os seres humanos concretos em nome das ideologias, politicas, religiosas, económicas, cada vez mais desigual? Virar as costas à Europa? Ir pescar para o Atlântico? Meter a história do século XX numa garrafa e lançá-la ao oceano, com um pedido de socorro contra a desumanidade humana?

4 - Outubro pode estar perto. Ou, pelo contrário, nunca o será?

19 de Agosto de 2015
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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt

Actualizado em ( Quarta, 19 Agosto 2015 21:45 )  

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