o riachense

Domingo,
30 de Abril de 2017
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António Mário Lopes dos Santos

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Para evitar mal entendidos

 Era inevitável que acontecesse. Quando se tomam posições críticas em relação a partidos de que fizemos parte ou a que demos apoio, surgem logo os dedos apontados dos veredictos inquisitoriais, de que se pretende acabar com os partidos. Quando isto se afirma, parcializam-se os partidos, pensando apenas nos que, à esquerda, têm assento parlamentar. Não se aceita, mesmo à esquerda, a discordância, a alternância, fora deles. Como se a esquerda portuguesa se identificasse por inteiro com o PCP ou o Bloco de Esquerda, e não existissem outras forças como, por exemplo, a Renovação Comunista, o Livre/Tempo de Avançar, o Agir, só para citar partidos que nasceram de dissidências dos indicados. Há mais partidos à esquerda no século XXI do que existiam no século anterior. É um facto. Será que todos existirão daqui a uma década? Será que uns terão mais razões que outros, mais verdade que outros? Qual será, então, a posição e a força da(s) esquerda(s)? Certamente, haverá mudanças, possibilidades de unificação, novas personagens políticas.

Defensor que sempre fui da democracia pluripartidária, não defino é que os partidos legítimos são apenas A, B, C, D, nem que a democracia comece e acabe só nos partidos. 

Admito que os partidos apresentem os seus candidatos, como admito que os resultados eleitorais sejam o modo como a sua actuação política é avaliada pelo eleitorado. Mesmo conhecendo os condicionalismos e a manipulação da informação pelos meios de comunicação nacionais e regionais, não duvido que há, hoje, um maior esclarecimento, um melhor conhecimento, do que cada partido representa, do que defende. Por isso o voto é cada vez mais um voto consciente. E não defendo nunca a abstenção, porque vivi tempo demais em ditadura, para não perceber a importância do voto na definição da política do país. 

Mas, se as votações não corresponderem aos desejos desses partidos, há que procurar a resposta desses «desaires» nos caminhos tomados, nos meios utilizados, nas opções definidas. Saber as razões que levam as esquerdas a divisões, abandonos, acusações, excomunhões, a afastarem-se em vez de se unirem. Para gozo e gáudio da direita neo-liberal e empreendorista.

E também não defendo que todos os partidos são os mesmos, porque o meu voto, ou a minha participação no passado, nunca ultrapassaram as fronteiras do MDP/CDE, do PCP, do Bloco de Esquerda, com duas excepções, de que me arrependi: uma em Mário Soares, por indicação de Cunhal; outra, autárquica, para retirar o PSD da Câmara de Torres Novas.

Há diferenças essenciais, nestes, de outros, que defino como do arco da governação, o CDS, O PSD, o PS, embora considere este último um partido social-democrata, com diversas sensibilidades, algumas, ainda que minoritárias, mais de esquerda que do centro.

Mas o meu voto, o meu empenhamento, a minha actividade cívica e política de muitas dezenas de anos, é que me obrigam a questionar esses partidos, independente de os apoiar e neles votar. Nas próximas legislativas, o meu voto irá pertencer a um deles. E lamento não votar em Riachos para a freguesia, porque o meu voto seria na lista apresentada pelo Bloco de esquerda, encabeçada pelo João Luz.

Defendo, há décadas, uma coligação de esquerda partidária, que una tanto quanto possível, todos os partidos de esquerda. Sem vozes de 1ª, de 2ª e de 3ª. Que consiga demonstrar ao PS que a alternativa ao neo-liberalismo também passa por ele. É difícil, reconheço-o, mas a política, além de luta, também é compromisso. Em nome da democracia, da justiça social, da liberdade, do 25 de Abril.

Por outro lado, sendo um defensor de novos tempos, novas gentes, novos programas, satisfaz-me que novos rostos, novos nomes, surjam como representantes dos partidos de esquerda. 

Na parte que me cabe, sempre soube quando era tempo de sair da vida partidária, e nunca o fiz sem apresentar as razões que me levaram a essas posições. 

Continuo firmemente empenhado na defesa da democracia onde os partidos políticos, mas não só, intervenham com toda a legitimidade.

Isto para evitar mal entendidos.

3 de Setembro de 2015
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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt

Actualizado em ( Quinta, 03 Setembro 2015 12:11 )  

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