o riachense

Segunda,
18 de Novembro de 2019
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Pedro Barroso

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Breve comentário eleitoral

O povo português votou e votou maioritariamente nos mesmos de sempre, já sem surpresa. 

Duas enormes linhas de força condicionaram quem votou: o terrorismo oculto das sondagens com a insistência num empate técnico e as declarações do PR, alertando para uma ingovernabilidade do país, caso não existisse uma maioria.

Perante a primeira ameaça, cada cidadão pensou ficar, ele próprio, responsável por um desempate até ao último minuto e ao último voto; e alinhou no chamado voto útil. 

Perante a segunda ameaça os afastados eleitores da maioria existente, lá repensaram, perdoaram desgostos e fizeram as pazes, em nome do susto do tal caos sem lei, nem roque nem orçamento. Curioso, aparentemente fora do contexto, mas nem por isso menos interessante - seria sabermos todos quanto vale neste momento, avulso e a solo, o actual CDS.

Mas adiante. Com tal compressão impositiva e condicionadora de opinião, quem lucrou foi notoriamente a 3ª via, com um avanço impressionante do BE, que passou para 3º partido nacional, graças a uma lucida e meritória actuação da sua líder; e uma já habitual segurança do PCP, em traje CDU, como acontece de há muito tempo a esta parte, com o seu eleitorado fixo.

Mas, apesar da vitória celebrada, quem ganhou, afinal,… perdeu. 700000 Votos é muita coisa. E mesmo ganhando e sendo convidada a fazer Governo, a coligação que nos governou na última legislatura fica nas mãos de quem, ao centro, pode decidir, exigir e dar as cartas. 

E, deste modo, quem aparentemente perdeu, afinal, pode ter “ganho”. De facto, além de votos ganhou influência, poder e capacidade de arbitrar - ou até comandar - a governação.

Assim se poderiam ler as eleições, onde uma vez mais, a abstenção foi fortíssima, por enfarte do politicardio. Nas contas da abstenção, contudo, há que deduzir 200000 novos emigrantes que muito provavelmente continuam a fazer parte dos sempre errados cadernos eleitorais. 

A coligação, assim, mesmo ganhando - em termos de ter tido mais votos - ficou refém de uma situação que é vulgar em todo o mundo democrático e ajuda muito a vigiar excessos. Ao contrário do que sugeriu o nosso esgotado PR, - num rasgo de tentativa de influência que lhe fica mal…- raramente no quadro parlamentar das grandes democracias ocidentais se obtêm maiorias absolutas para governar. Ou é desejável, até, que tal aconteça. Numa democracia plena equilibrada e adulta, os resultados carecem a posteriori de negociações, para determinarem e comporem Governos; e nada de anormal isso indicia. Pelo contrário. 

No momento em que escrevo esta análise, as negociações continuam. E, pela primeira vez em muitos anos, existe uma maioria parlamentar de “esquerda”. Com efeito CDU BE e PS dispõem de maioria absoluta se unidos. Contudo, ao que parece, metade do PS, não tão socialista como o nome indica, não a deseja, nem a toleraria. Costa parece um nababo, adulado por todos, cônsul dúbio, com poderes plenos, embora equívocos e um futuro ainda indeterminado. 

Coelho e adjunto já lhe oferecem tudo o que antes não prescindiam para poderem ter a paz de governar mais 4 anos. O poder, apesar de tão difícil, ao que parece, embriaga e sabe bem.

Uma palavra para as alternativas, velhas e novas, que diminuíram de peso, influência e capacidade de decisão. As clivagens do BE em vez de diminuírem o bolo total promoveram-no! Acabaram por significar quase nada, e afundaram-se totalmente sem expressão, apesar de tanta imprensa a puxar pelo Livre e pelos vários partidos da senhora que se despiu. 

Dos dois partidos que se auto viabilizam, por superarem os mínimos da subvenção, há análises opostas. O PDR apresentando-se pela 1ª vez em todo o país, fixou-se num resultado muito pobre, após algumas boutades imperdoáveis do seu líder que prometeu “aliar-se nem que fosse com o diabo” Após um resultado surpreendentemente elevado para o PE agora funda um partido, fixa-o, mas perde significado. O velho MRPP também não passa o teste airosamente, embora continue a manter-se, por pouco, acima da tal linha de sobrevivência que são os 50000 votos e que garantem a tal subvenção. Garcia Pereira continua a falhar um lugar que histórica e pessoalmente talvez já merecesse. Duas derrotas a merecer reflexão.

A surpresa do voto no PAN provem de um voto inusitado, talvez errático, protector, programaticamente pouco explícito, voto assumidamente esquivo por omissão, numa forma que muitos sentiram de chamar a atenção dos animais. Face a um cansaço com os homens, deixem-me supor… com ironia.

Espero, quando este artigo já tiver sido publicado, que já haja governo indigitado. Senão, assistiremos sempre atentos aos episódios da próxima novela: 

“Tão amigos que nós somos!”

Riachos, 14 outubro 2015

Actualizado em ( Sexta, 16 Outubro 2015 17:53 )  
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