o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Jo√£o Moreira

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E agora?

De médico e de louco

O Pa√≠s foi √†s urnas e escolheu o seu novo Parlamento liderado pela mesma for√ßa pol√≠tica. N√£o vou comentar se se trata de uma boa ou m√° op√ß√£o, este n√£o √© o ‚Äúlocal‚ÄĚ para isso. Posso no entanto fazer um outro exerc√≠cio: que consequ√™ncias ter√° esta elei√ß√£o na Sa√ļde portuguesa?

Em 2011 foi nomeado para o cargo de o Ministro da Sa√ļde - sucedendo √† m√©dica pediatra Ana Jorge - um gestor de empresas e ex-Director Geral de Impostos sem qualquer experi√™ncia pr√©via de trabalho no SNS. Isto preocupou muita gente e com raz√£o. O natural seria ter algu√©m da Sa√ļde bem assessorado por gestores mas optou-se por um gestor assessorado por gente da Sa√ļde. Provavelmente tratou-se de um alerta √†s tropas para o que se iria passar a seguir.

Paulo Macedo cortou. Cortou urg√™ncias e servi√ßos, cortou recursos humanos, cortou or√ßamentos. Cortou gorduras e ainda bem, depois cortou m√ļsculo e ainda mal, por fim at√© o osso tentou cortar. Vulgarizou-se a figura do ‚Äúm√©dico a recibo verde‚ÄĚ ao obrigar √† contrata√ß√£o de muitos servi√ßos atrav√©s de empresas, num regime quase mafioso em que estas cobram uma parte significativa dos honor√°rios a troco de absolutamente nada. Exigiu que os m√©dicos de fam√≠lia admitissem muitos mais utentes, exigiu mais consultas, mais resultados e menos dinheiro gasto em exames complementares e medicamentos. √Č o milagre da multiplica√ß√£o dos p√£es sob a forma de decreto ministrial.

Os m√©dicos sentiram-se atacados por toda uma s√©rie de indignidades extensas demais para discutir aqui. N√£o eram os √ļnicos: alguns dos novos enfermeiros que conseguiram trabalhar em servi√ßos p√ļblicos fizeram-no a recibos verdes atrav√©s de empresas e a ganhar pouco mais do que o ordenado m√≠nimo e os restantes t√©cnicos como fisioterapeutas, assistentes sociais, psic√≥logos, nutricionistas ou terapeutas da fala deixaram pura e simplesmente de ser contratados.

Os m√©dicos portugueses avan√ßaram para uma greve, coisa in√©dita ou l√° perto. Sobre isto a √ļnica coisa que o Governo teve a dizer, atrav√©s do Secret√°rio de Estado Adjunto da Sa√ļde, Leal da Costa, foi que era uma pena que uma classe com tanto trabalho para fazer n√£o quisesse trabalhar. Quase me esquecia, este senhor √© m√©dico. Podia n√£o se ter dito mais nada durante toda a legislatura que a malta j√° tinha percebido o que podia esperar.

Durante 4 anos viveu-se e trabalhou-se em sobressalto. Novas regras em tom ameaçador foram uma constante. Nunca percebi como se pode levar uma empresa ao sucesso (seja o SNS ou qualquer outra) enquanto se declara abertamente guerra a quem aí trabalha todos os dias. Sempre que houve um sinalzinho de descontentamento por parte dos profissionais a imprensa foi inundada com notícias sobre casos de médicos corruptos, negligências médicas e, já agora, sobre como o SNS estava cada vez melhor.

N√£o pensem que o que escrevo est√° associado a prefer√™ncias partid√°rias. A alternativa parece n√£o ser melhor. Diz a imprensa que aquele que seria muito provavelmente o pr√≥ximo ministro da Sa√ļde de um governo PS, √Ālvaro Beleza, m√©dico imunohematologista no Hospital de Santa Maria, ganha perto de vinte mil euros por m√™s por se escalar a si pr√≥prio como m√©dico de preven√ß√£o quase todos os dias. Aparentemente n√£o √© ilegal, apesar ser pouco moral‚Ķ Tudo isto enquanto defende publicamente que um m√©dico do SNS deveria ser proibido de trabalhar em medicina privada. Talvez o colega √Ālvaro Beleza pense que ganhamos todos o mesmo que ele.

O futuro assusta-me. O SNS n√£o resiste a outra legislatura como esta. Mais tarde ou mais cedo vamos ter que contratar pessoas, comprar m√°quinas e material. Vamos ter a Sa√ļde que pagarmos. Ou reinvestimos no SNS ou vamos criar uma Sa√ļde a dois tempos, de qualidade para quem a possa pagar e outra, de terceiro mundo, para quem n√£o possa. J√° agora poder√≠amos tentar criar um ambiente de trabalho saud√°vel e com condi√ß√Ķes que permita que m√©dicos e enfermeiros parem de emigrar aos milhares.¬†

Pois, eu sei . Parvoíces, não é?

Actualizado em ( Quarta, 21 Outubro 2015 16:14 )  

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