o riachense

Quinta,
05 de Dezembro de 2019
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Carlos Tomé

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Como uma tatuagem

Está instalada a ideia de ter que haver solenidade no lançamento de um livro. Embora na maior parte das vezes nem de livros se trate, mas sim de meros objectos de autopromoção, coisa sem serventia alguma, produtos para esfregar o próprio ego, de empinar o nariz. 
 
Os lançamentos desses objectos são coisas a armar ao intelectual piroso, cerimónias cinzentas, palavrosas e manhosas, repletas de elogios encomendados. São coisas tristes, bafientas, insuportáveis, adequadas à intrujice que se encontra escarrapachada no papel, letras repletas de banalidades, evidências corriqueiras nas quais a única característica é a notável falta de qualidade. Ou seja, a cerimónia de lançamento do tal objecto tem que ter as mesmas características do objecto lançado. Evidentemente que se o objecto for uma trampa – o que infelizmente acontece cada vez mais - esta será espalhada por todas as paredes, o que é por si só já é uma grande chatice.
 
O lançamento do livro de João Carlos Lopes veio provar que só as grandes obras como “Nós queríamos ser artistas”, merecem uma sessão como a que se registou no Estúdio Alfa. Coisa grande, simples, honesta, humilde e fundamental para a vida da nossa terra. Foi uma festa com música. Pela primeira vez vi uma sessão de lançamento de um livro ser preenchida pelos seus verdadeiros intérpretes e autores. Alguns dos principais protagonistas do livro estiveram no palco e transformaram em música algumas páginas da sua vida e deste livro. 
 
Viva a música, gritou o vozeirão de 86 anos do João Espanhol, vocalista do Niger, antes de interpretar de forma admirável um número em espanhol e um fado que marcou a sua vida. Simplesmente espantoso. E depois o Xarepa mostrou por que razão é imparável e se mantém como o artista torrejano das canções há mais tempo em actividade. Com um coração de ouro como Neil Young e continuando à espera das respostas que hão-de vir com o vento, tal como Bob Dylan, o grande Xarepa resume toda a sua vida na música que canta.
 
Ambos são casos bem vivos que saíram por um momento da história da música moderna em Torres Novas e mostraram no Alfa qual a verdadeira importância do livro do João Carlos Lopes. Muito mais do que um objecto, muito mais do que história, muito mais do que etnografia, muito mais do que tudo isto junto. É um livro a sério, como deveriam ser todos os livros. É um livro que se confunde com a vida. São músicas e fotografias estampadas em papel como uma tatuagem que se cola ao nosso corpo e não nos larga nunca mais. Uma tatuagem que marca para sempre a vida desta gente que queria ser artista. E marca a nossa vida também. 

Actualizado em ( Quinta, 29 Outubro 2015 13:18 )  
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