o riachense

Segunda,
18 de Novembro de 2019
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António Mário Lopes dos Santos

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2016 é já sexta-feira!

Tornou-se hábito na imprensa fazer-se uma recensão sobre o que de melhor e pior aconteceu no ano findo. Não me vou prender muito com isso. Apenas registo com alegria o fim do domínio político do centro-direita em Portugal, com a derrota parlamentar da coligação PSD/CDS, o fim da presidência de Cavaco Silva e o recomeço dum novo diálogo è esquerda, que permite a aspiração duma política alternativa, em defesa dos direitos sociais da população portuguesa. 

Portugal precisa, se quer sobreviver, duma limpeza profunda dos seus quadros dirigentes públicos que, foram monopolizados por tudo o que possuía cartão de partido do centro e  centro-direita. Precisamos de concursos públicos, valor dado ao mérito, não ao primo, ao cunhado, à tia, ao sogro, à esposa, ao filho. O PS, PSD, CDS, foram exímios nesse milagre das rosas.

A democracia envileceu, ante o assalto sôfrego de multidões em busca dum cargo, duma prebenda, duma mordomia, dum cargo de administração, duma directoria, dum a secretaria ministerial. 

A própria informação, escrita ou televisiva, transformou-se numa defesa do imediato, da conversa de comadres, virando a cara aos problemas reais que afectavam a vida nacional. O seu controlo pelo poder económico, pela ganância internacional, foi manifesto. Vendidos a retalho, serviram interesses e, quando estes tardiamente foram descobertos, viram-se condenados, sem leitores, nem assinantes, suficientes, ao encerramento, O artigo de Alexandra Lucas Coelho, Para Acabar de Vez Com os Jornais e( a Democracia),publicado num suplemente literário de qualidade que também chegou ao fim, na semana última, de O Público, explicita bem os métodos de que se serve o capitalismo, enquanto lhe interessa, para dominar os meios de comunicação.

Não sei se o digital será futuro. Para mim, leitor e colaborador de jornais, defenderei sempre a folha impressa, o artigo de opinião que se lê e relê, a informação que denuncia as traficâncias da política e da economia. A denúncia dos caminhos a que o centro-direita neo-liberal conduziu a Comunidade Europeia. O virtual é isso, virtual. O papel tem outra consistência na palavra escrita.

Neste ano de 2015, a política concelhia, na continuidade de outros anos, tem sido um logro. Nem o poder socialista tem respondido aos problemas concelhios, pela herança nefasta de vinte anos que ficam para esclarecer o como, o quando, o quanto, o quem, de tanto atropelo, negociata, coisas mal explicadas, nem as oposições partidárias conseguiram que uma auditoria viesse clarificar de vez o que se passou nesses últimos vinte anos nas relações entre a política e a economia, entre política e compadrio. Vive-se num jogo de espelhos que só o detentor do poder permite, Quatro forças partidárias e, apesar de tudo, mesmo com a existência uma imprensa crítica, a sofrer igualmente o perigo de desaparecer, nem executivo, nem assembleia municipal, respondem aos interesses concelhios, refugiando-se em actos propagandísticos de muito chamariz e publicidade, mas que não acrescentam nenhum valor qualitativo à cidade que não conseguimos ser. 

A vida política é secreta, faz parte dum jogo de máscaras que não atinge o quotidiano concelhio. Cansou-me ser dos poucos comentadores políticos que, na imprensa, denunciaram anos a fio a autocracia da política autárquica. O que hoje se passa, incomoda-me pelo cerco que fizeram à possibilidade de intervenção cidadã. Das colectividades, à cultura, saúde, desporto, tudo está sobre controlo das forças partidárias, sendo os cidadãos meros espectadores. Os próprios debates promovidos pelos partidos são percursos minados pela crença da razão do que os promove.

Não há um debate sério, promovido por uma comissão comummente aceite, que discuta tudo: que concelho somos. Que concelho queremos ser. Com uma informação não controlada por detrás, mas difusora e plural. Que a autarquia deveria impedir que implodisse. 

Bom fim de ano!

31 de Dezembro de 2015
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António Mário escreve sempre às quintas-feiras em www.oriachense.pt

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Actualizado em ( Sexta, 01 Janeiro 2016 14:31 )  
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