o riachense

Quinta,
22 de Junho de 2017
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Farpadas - Setembro 2009

"Algumas pessoas marcam mais a vida de uma povoação do que outras. Quando essas pessoas morrem, nota-se mais a diferença"

Uma povoação é composta por muita coisa. Ruas, edifícios, paisagens, … e pessoas.
Assim como a peça mais importante de um automóvel é o motorista, assim também, numa povoação, o mais importante são as pessoas que nela habitam.
Quando algumas morrem, nada, nem ninguém, as pode substituir. A povoação fica diferente, nunca mais é como era. Algumas pessoas marcam mais a vida de uma povoação do que outras. Quando essas pessoas morrem, nota-se mais a diferença.
Ainda não há muito tempo morreu o Veríssimo e Riachos ficou diferente. Agora morreram o Joaquim Torrado e o Joaquim Manha.
O Joaquim Manha era 15 dias mais velho do que eu. Nasceu onde acaba a minha rua. O pai dele morreu quando ele era menino. Talvez por isso ele não vinha brincar muito com as outras crianças. Poucas vezes o vi brincar, mesmo em adulto. Levava sempre tudo muito a sério, mesmo as brincadeiras. Depois do 25 de Abril de 1974, fez parte da primeira equipa que assumiu a responsabilidade da Junta de Freguesia, em conjunto com o Mário Duarte (Pilricho) e com o Senhor Francisco Plexa Marques. Aqui deixo a minha homenagem e o meu agradecimento a quem foi capaz de dar muito do seu tempo ao trabalho gratuito em favor de todos.

O Joaquim Torrado, apesar de ser mais velho do que eu, era como se fosse meu irmão. A primeira imagem que tenho dele foi no Largo de Riachos. Naquele tempo, o coreto para a banda tocar era montado em frente da loja da Thieres, ao lado da igreja velha. O Joaquim Torrado tocava na banda filarmónica e eu parece que o estou a ver em cima do coreto a refilar. Já naquele tempo assim era.
Porque não era capaz de estar parado, passou toda a vida sempre a fazer alguma coisa. Homem dos sete ofícios, sabia fazer de tudo na agricultura, mas também na adega, na destilaria ou no lagar de azeite. Quando o visitei na última vez que passei em Riachos e vi que já não podia mexer-se, pensei que não voltaria a vê-lo. Porque ele não era capaz de estar parado, para ele, estar parado, era como morrer.
Muito daquilo que eu sei sobre a minha terra, foi dele que o aprendi.

Há sete anos que não vinha a Moçambique. Agora, há muito mais trânsito, de camiões, de carros, e principalmente de motorizadas. Significa que há mais pessoas com algum poder de compra. Mas parece-me que as diferenças são maiores: os ricos são mais ricos e os pobres são mais pobres. Aumentaram muito os roubos feitos com violência. A esperança numa vida melhor cada vez está mais longe das pessoas e assim cada vez é mais difícil construir uma nação. Mas talvez seja um bom sinal o número de estudantes continuar a aumentar, bem como os edifícios universitários. Talvez assim, dentro de algumas gerações, seja possível o retorno da esperança e uma vida melhor venha a acontecer. O problema é que todos gostávamos de ver, agora, as coisas a melhorarem. Já.
Mas agora, o que há são queimadas sem controlo. Até as árvores como os cajueiros e as mangueiras, que agora estão em flor, são queimadas. Claro que, assim, as produções têm que diminuir, tanto em quantidade como em qualidade. E isto também torna difícil que a vida dos mais pobres seja melhor.
Quando saí há sete anos de Nampula, ficaram aqui dois portugueses, ainda novos, a tentar organizar uma empresa de construção. Com muita competência, trabalho e dedicação, conseguiram criar um grupo de empresas com uma vitalidade enorme. Inclusivamente, estando a triunfar onde outros, com melhores condições, tiveram que desistir. Têm agora quase três mil trabalhadores em todas as empresas, e são os que mais impostos pagam em toda a província de Nampula. Porque o seu programa não é fugir aos impostos, mas sim desenvolver as suas empresas.
Neste momento só tenho uma certeza: se deixarmos de lutar para que as coisas melhorem, então tudo será muito mais difícil no futuro.

Até um dia destes. Joaquim Alberto

Actualizado em ( Quinta, 27 Janeiro 2011 15:03 )  

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